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José Ribamar Bessa Freire
Diário do Amazonas

[] Nelson Rodrigues só se deslumbrou com “a psicóloga da PUC” porque não
conheceu “a antropóloga da Folha “. Mas ela existe. É a Kátia Abreu. É
ela quem diz aos leitores da Folha de São Paulo , com muita autoridade,
quem é índio no Brasil. É ela quem religiosamente, todos os sábados, em
sua coluna, nos explica como vivem os ” nossos aborígenes “. É ela quem
nos ensina sobre a organização social, a distribuição espacial e o modo
de viver deles.
Podeis obtemperar que o caderno Mercado , onde a coluna é publicada, não
é lugar adequado para esse tipo de reflexão e eu vos respondo que não é
pecado se aproveitar das brechas da mídia. Mesmo dentro do mercado, a
autora conseguiu discorrer sobre a temática indígena, não se intimidou
nem sequer diante de algo tão complexo como a estrutura de parentesco e
teorizou sobre “aborigenidade”, ou seja, a identidade dos “silvícolas”
que constitui o foco central de sua – digamos assim – linha de
pesquisa.
A maior contribuição da antropóloga da Folha talvez tenha sido
justamente a recuperação que fez de categorias como ” sílvicola” e
“aborígene”, muito usadas no período colonial, mas lamentavelmente já
esquecidas por seus colegas de ofício. Desencavá-las foi um trabalho de
arqueologia num sambaqui conceitual, que demonstrou, afinal, que um
conceito nunca morre, permanece como a bela adormecida à espera de
alguém que o desperte com um beijo. Não precisa nem reciclá-lo. Foi o
que Kátia Abreu fez.
Com tal ferramenta inovadora, ela estabeleceu as linhas de uma nova
política indigenista, depois de fulminar e demolir aquilo que chama de
“antropologia imóvel” que seria praticada pela Funai. Sua abordagem vai
além do estudo sobre a relação observador-observado na pesquisa
antropológica, não se limitando a ver como índios observam antropólogos,
mas como quem está de fora observa os antropólogos sendo observados
pelos índios. Não sei se me faço entender. Mas em inglês seria algo
assim como Observing Observers Observed.
Os argonautas do Gurupi
Todo esse esforço de abstração desaguou na criação de um modelo teórico,
a partir do qual Kátia Abreu sistematizou um ousado método etnográfico
conhecido como abreugrafia que, nos anos 1940, não passava de um
prosaico exame de raios X do tórax, uma técnica de tirar chapa
radiográfica do pulmão para diagnosticar a tuberculose, mas que foi
ressignificado. Hoje, abreugrafia é a descrição etnográfica feita com o
método inventado por Kátia Abreu, no caso uma espécie de raio X das
sociedades indígenas.
Esse método de coleta e registro de dados foi empregado na elaboração
dos três últimos artigos assinados pela antropóloga da Folha: Uma
antropologia imóvel (17/11), A Tragédia da Funai (03/11/) e Até abuso
tem limite (27/10) que bem mereciam ser editados, com outros, num livro
intitulado “Os argonautas do Gurupi”. São textos imperdíveis, que deviam
ser leitura obrigatória de todo estudante que se inicia nos mistérios da
antropologia. A etnografia refinada e apurada que daí resulta quebrou
paradigmas e provocou uma ruptura epistemológica ao ponto de
não-retorno.
A antropóloga da Folha aplicou aqui seu método revolucionário – a
abreugrafia – que substituiu o tradicional trabalho de campo, tornando
caducas as contribuições de Boas e Malinowski. Até então, para estudar
as microssociedades não ocidentais, o antropólogo ia conviver lá, com os
nativos, tinha de “viver na lama também, comendo a mesma comida, bebendo
a mesma bebida, respirando o mesmo ar” da sociedade estudada, numa
convivência prolongada e profunda com ela, como em ‘Lama’, interpretada
por Núbia Lafayette ou Maria Bethania.
A abreugrafia acabou com essas presepadas. Nada de cantoria. Nada de
anthropological blues. Agora, o antropólogo já não precisa se deslocar
para sítios longínquos, nem viver um ano a quatro mil metros de altura,
numa pequena comunidade nos Andes, comendo carne de lhama, ou se
internar nas selvas amazônicas entre os huitoto, como fez um casal de
amigos meus. E tem ainda uma vantagem adicional: com a abreugrafia, os
antropólogos nunca mais serão observados pelos índios.
Em que consiste, afinal, esse método que dispensa o trabalho de campo? É
simples. Para conhecer os índios, basta tão somente pagar
entrevistadores terceirizados. Foi o que fez a Confederação da
Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) que, por acaso, é presidida por
Kátia Abreu. A CNA encomendou pesquisa ao Datafolha que, por acaso,
pertence à empresa dona do jornal onde, por acaso, escreve Kátia. Está
tudo em casa. Por acaso.
Terra à vista
Os pesquisadores contratados, sempre viajando em duplas – um homem e uma
mulher – realizaram 1.222 entrevistas em 32 aldeias com cem habitantes
ou mais, em todas as regiões do país. Os resultados mostram que 63% dos
índios têm televisão, 37% tem aparelho de DVD, 51% geladeira, 66% fogão
a gás e 36% telefone celular. “A margem de erro” – rejubila-se o
Datafolha – “é de três pontos percentuais para mais ou para menos”.
“Eu não disse! Bem que eu dizia” – repetiu Kátia Abreu no seu último
artigo, no qual gritou “terra à vista”, com o tom de quem acaba de
descobrir o Brasil. O acesso dos índios aos eletrodomésticos foi exibido
por ela como a prova de que os “silvícolas” já estão integrados ao modo
de vida urbano, ao contrário do que pretende a Funai, com sua
“antropologia imóvel” que “busca eternizar os povos indígenas como
primitivos e personagens simbólicos da vida simples”. A antropóloga da
Folha, filiada à corrente da “antropologia móvel”, seja lá o que isso
signifique, concluiu:
– “Nossos tupis-guaranis, por exemplo, são estudados há tanto tempo
quanto os astecas e os incas, mas a ilusão de que eles, em seus sonhos e
seus desejos, estão parados, não resiste a meia hora de conversa com
qualquer um dos seus descendentes atuais”.
Antropólogos da velha guarda que persistem em fazer trabalho de campo
alegam que Kátia Abreu, além de nunca ter conversado sequer um minuto
com um índio, arrombou portas que já estavam abertas. Qualquer aluno de
antropologia sabe que as culturas indígenas não estão congeladas, pois
vivem em diálogo com as culturas do entorno. Para a velha guarda, Kátia
Abreu cometeu o erro dos geocêntricos, pensando que os outros estão
imóveis e ela em movimento, quando quem está parada no tempo é ela,
incapaz de perceber que não é o sol que dá voltas diárias em torno da
terra.
No seu artigo, a antropóloga da Folha lamenta que os índios “continuem
morrendo de diarreia”. Segundo ela, isso acontece, não porque os rios
estejam poluídos pelo agronegócio, mas “porque seus tutores não lhes
ensinaram que a água de beber deve ser fervida”. Esses tutores
representados pela FUNAI – escreve ela – são responsáveis por manter os
índios “numa situação de extrema pobreza, como brasileiros pobres”. Numa
afirmação cuja margem de erro é de 3% para mais ou para menos, ela
conclui que os índios não precisam de tutela.
– Quem precisa de tutela intelectual é Kátia Abreu – retrucam os
antropólogos invejosos da velha guarda, que desconhecem a abreugrafia.
Eles contestam a pobreza dos índios, citando Marshall Sahlins através de
postagem feita no facebook por Eduardo Viveiros de Castro:
‎”Os povos mais ‘primitivos’ do mundo tem poucas posses, mas eles
não são pobres. Pobreza não é uma questão de se ter uma pequena
quantidade de bens, nem é simplesmente uma relação entre meios e fins. A
pobreza é, acima de tudo, uma relação entre pessoas. Ela é um estatuto
social. Enquanto tal, a pobreza é uma invenção da civilização. Ela
emergiu com a civilização…”
[] Miss Desmatamento
A conclusão mais importante que a antropóloga da Folha retira das
pesquisas realizadas com a abreugrafia é de que os “aborígenes”, já
modernizados, não precisam de terras que, aliás, segundo a pesquisa, é
uma preocupação secundária dos índios, evidentemente com uma margem de
erro de três pontos para mais ou para menos.
– ” Reduzir o índio à terra é o mesmo que continuar a querer e
imaginá-lo nu” – escreve a antropóloga da Folha, que não quer ver o
índio nu em seu território . “Falar em terra é tirar o foco da realidade
e justificar a inoperância do poder público. O índio hoje reclama da
falta de assistência médica, de remédio, de escola, de meios e
instrumentos para tirar o sustento de suas terras. Mais chão não dá a
ele a dignidade que lhe é subtraída pela falta de estrutura sanitária,
de capacitação técnica e até mesmo de investimentos para o cultivo”.
A autora sustenta que não é de terra, mas de fossas sépticas e de
privadas que o índio precisa. Demarcar terras indígenas, para ela,
significa aumentar os conflitos na área, porque “ocorre aí uma
expropriação criminosa de terras produtivas, e o fazendeiro,
desesperado, tem que abandonar a propriedade com uma mão na frente e
outra atrás” .
Ficamos, então, assim combinados: os índios não precisam de terra, quem
precisa são os fazendeiros, os pecuaristas e o agronegócio. Dados
apresentados pela jornalista Verenilde Pereira mostram que na área
Guarani Kaiowá existem 20 milhões de cabeças de gado que dispõem de 3 a
5 hectares por cabeça, enquanto cada índio não chega a ocupar um
hectare.
Um discípulo menor de Kátia Abreu, Luiz Felipe Pondé, também articulista
da Folha, tem feito enorme esforço para acompanhar a produção
intelectual de sua mestra, usando as técnicas da abreugrafia, sem
sucesso, como mostra artigo por ele publicado com o título Guarani
Kaiowá de boutique (9/11), onde tenta debochar da solidariedade recente
aos Kaiowá que explodiu nas redes sociais.
[] Kátia Regina de Abreu, 50 anos, empresária, pecuarista e senadora
pelo Tocantins (ex-DEM,atual PSD), não é apenas antropóloga da Folha. É
também psicóloga formada pela PUC de Goiás, reunindo dois perfis que
deslumbrariam Nelson Rodrigues.
Bartolomé De las Casas, reconhecido defensor dos índios no século XVI,
contesta o discurso do cronista do rei, Gonzalo Fernandez de Oviedo,
questionando sua objetividade pelo lugar que ele ocupa no sistema
econômico colonial:
– “Se na capa do livro de Oviedo estivesse escrito que seu autor era
conquistador, explorador e matador de índios e ainda inimigo cruel
deles, pouco crédito e autoridade sua história teria entre os cristãos
inteligentes e sensíveis”.
O que é que nós podemos escrever na capa do livro “Os Argonautas do
Gurupi” de Kátia Abreu, eleita pelo movimento ambientalista como Miss
Desmatamento? Que crédito e autoridade tem ela para emitir juízos sobre
os índios? O que diriam os cristão inteligentes e sensíveis
contemporâneos? Respostas em cartas à redação, com a margem de erro de
3% para mais ou para menos.

http://www.taquiprati.com.br

Acabei de tomar conhecimento do resultado do julgamento – em primeira instância, ou seja, tanto a Folha quanto a Falha dos camaradas Lino e Mario Bocchini podem recorrer – do caso Falha de São Paulo e é surpreendente!

A sentença deu razão parcial à Folha de São Paulo, mas sem acatar nennhum de seus argumentos.

Explico: a Folha processou a Falha por uso indevido da marca, concorrência parasitária (hahaha) pedindo o pagamento de um valor absurdo a título de “indenização”, mas o juiz não reconehceu nenhum desses argumentos.

Recusou a possibilidade dos irmãos Bocchini pagarem um centavo sequer, não considerou uso indevido da marca nem concorrência parasitária (hahaha) pois o blog nada mais era que uma paródia, algo permitido pela constituição. O blog deixava claro ser uma paródia, não tinha intenção alguma de ser confundido com a Folha e o argumento da Folha não colou.

O fato do site da Falha ser http://www.falhadesaopaulo.com.br, muito próximo do original http://www.folhadesaopaulo.com.br, não fez diferença. O juiz considerou que, por se tratar de paródia e pelas letras “a” e “o” se encontrarem distantes no teclado, impedindo confusões e erros de digitação, não estava configurada nenhuma má fé, ou concorrência parasitária (hahaha) ou tentativa de enganar o leitor.

[…] dadas as posições das letras “A” e “O” no teclado QWERTY, tradicionalmente utilizado nos computadores pessoais e demais eletrônicos por meio dos quais a internet é acessada, fica afastada qualquer possibilidade de typosquatting, modalidade de cybersquatting em que o usuário, por simples erro de digitação, acaba por acessar website diverso do pretendido. Pelo nome de domínio registrado pelo autor e conteúdo crítico do website correspondente, portanto, não há que se falar em violação dos direitos de marca da autora.


Nota pessoal: Era mais fácil acreditar nas paródias da Falha do que no “jornalismo” da Folha, mas tudo bem.

Digno de nota foi o estudo feito pelo juiz responsável, que pode não ter os conhecimentos necessários e profundos sobre como funciona a rede, mas foi fundo em sua pesquisa.

Ponto principal favorável à Falha e aos irmãos Bocchini foi a destruição do argumento da Folha de que haveria casos semelhantes no Brasil, logo, jurisprudência para condenar a paródia. É uma vitória importante, pois o ineditismo do caso foi comprovado, mostrando que o precedente numa possível condenação seria perigoso para TODA a blogosfera e, na realidade, para toda a internet brasileira e para nossa liberdade de expressão.

A jurisprudência brasileira a respeito do tema é rarefeita, não havendo casos célebres a respeito do direito de utilização de marca, sem autorização do titular, com a finalidade de paródia, seja de forma geral, seja, especificamente, na internet.

O juiz desconsiderou esse argumento – do ineditismo -, se baseando na jurisprudência dos EUA para analisar o caso.

No caso PETA v. DOUGHNEY, a Corte de Apelações dos Estados Unidos do 4º Circuito menciona que, para torná-la imune à ação do titular da marca, “a parody must ‘convey two simultaneous — and contradictory — messages: that it is the original, but also that it is not the original and is instead a parody’.”Do contrário haverá possibilidade de confusão do consumidor, e a utilização da marca, ou de sinal similar à marca, será indevida. No presente caso, a possibilidade de confusão não existe, pois a paródia é revelada, inteiramente, já pelo nome de domínio. O trocadilho anuncia, ao mesmo tempo, que se trata de uma sátira, e quem é objeto dela. Nem mesmo um “tolo apressado” seria levado

Isto, no fim, serviu aos dois casos, pois por um lado tornou ilegítima acriminalização da paródia, mas por outro encontrou um cainho tortuoso para manter a censura ao site da Falha, ainda que sem usar NENHUM dos argumentos toscos da advogada defensora das liberdades democráticas Taís Gasparian, do jornalão de direita. E por outro manteve a censura ao site.

[…] merece ser atendido, em menor extensão, o pedido principal da autora, suspendendo-se definitivamente (congelando-se) o nome de domínio falhadespaulo.com.br

O argumento do juiz para manter a censura sobre o site é mirabolante e também vem da jurisprudência estadunidense (me pergunto porque ele se limitou aos EUA, talvez tenha visto muito Lei e Ordem!).

Segundo ele o fato do antigo site da Falha manter uma propaganda da Carta Capital, na verdade um link em que aparecia a capa da revista, junto com a oferta de uma assinatura da revista, serviria para “caractrerizar o website do réu como tendo conteúdo comercial”.

Ao final da página há, ainda, anúncio de um sorteio de assinatura da revista Carta Capital entre os seguidores da conta do réu no Twitter (#falhadespaulo). Ao anunciar a promoção, o website do réu reproduz integralmente a capa da edição 614, de setembro de 2010, da revista Carta Capital. Ao contrário do que faz com as reproduções do jornal da autora, o réu, ao reproduzir a capa da revista Carta Capital, não promove qualquer adulteração ou comentário crítico. É o que basta para caracterizar o website do réu como tendo conteúdo comercial. A revista semanal Carta Capital é concorrente da autora no mercado jornalístico, com ela disputando leitores, assinantes e verbas publicitárias.

Desta forma, o juiz recomenda o fechamento definitivo do site Falha de São Paulo (que já está fechado desde o começo do processo), pois este teria algum fim comercial através do favorecimento de concorrente direto da Folha.

É realmente um raciocínio difícil de acompanhar,  porque é comum existir links para sites, revistas e etc ideologicamente semelhantes aos blogueiros em todo e qualquer blog – e mesmo propagandas, que são usadas para financiar a manutenção dosite ou para garantir uns trocados, mas sem nenhuma conotação comercial – e, especialmente porque a assinatura da Carta Capital era ofertada pelo Lino, e não pela revista.

O Lino estava disposto a tirar de seu próprio bolso o valor da assinatura. A intenção, logo, não era comercial, mas puramente propagandística.

Mas, enfim, a sentença apesar de manter a censura baseada em argumentos estranhos, é boa por não acatar NENHUM argumento da Folha. A Folha pode dizer que venceu, pois manteve a censura (só mesmo no Brasil um jornal comemoraria ter censurado um blog, mas assim é a vida), mas não baseada em seus argumentos, que são pífios. E não pagarão um centavo à Folha!

E nós, ativistas e amigos da Falha podemos comemorar, pois conseguimos provar nossos argumentos de que a paródia não pode ser criminalizada, que não há oncorrência parasitária (hahaha) e nenhum centavo deverá ser pago à Folha.

Ainda cabe recurso, e acredito que a Falha irá recorrer, buscando garantir que mesmo a censura por outros argumentos seja suspensa.

No mais, meus parabéns ao Lino, ao Mário, aos seus advogados e a todos o(a)s militantes que estão há meses mobilizados!

Ante o exposto, julgo parcialmente procedente o pedido principal da autora Empresa Folha da Manhã S/A, somente para determinar a suspensão definitiva (congelamento) do nome de domínio falhadespaulo.com.br, ficando mantida, nesta extensão, a r. decisão liminar de fls.80/81. Oficie-se imediatamente ao órgão responsável (fls.82), comunicando-lhe a presente decisão. Julgo improcedentes os demais pedidos da autora, assim como o pedido contraposto do réu Mario Ito Bocchini.

Acompanhem o site Desculpe a Nossa Falha, dos irmãos Bocchini, para acompanharem o caso.

Publicado originalmente no Blog do Tsavkko

Confiram artigo de minha autoria publicado pela Folha de S.Paulo de hoje:

No domingo (17/4), fui surpreendido pela capa deste jornal com os dizeres “Petista defende uso da maconha e ataca Big Mac”.

Como o petista, no caso, era eu, e minhas posições sobre política de drogas no Brasil são mais complexas do que a matéria publicada, achei por bem do debate público retomar o tema, com a seriedade e a profundidade que merece.

A reportagem se baseou em frases pinçadas de palestra minha em seminário sobre a atual política de drogas no Brasil, há dois meses.

Lá, como sempre faço, alertei para os perigos do uso de drogas, sejam elas ilícitas ou não. Defendo a proibição da propaganda de bebidas alcoólicas e a regulação da publicidade de alimentos sem informações nutricionais. A regulamentação frouxa fez subir o consumo excessivo de álcool. O cigarro, com regulamentação rígida, teve o consumo reduzido.

Não defendo a liberação da maconha. Defendo uma regulação que a restrinja, porque a liberação geral é o cenário atual. Hoje, oferecem-se drogas para crianças, adolescentes e adultos na esquina. Como pai, vivo a realidade de milhões de brasileiros que se preocupam ao ver seus filhos expostos à grande oferta de drogas ilícitas e aos riscos da violência relacionada a seu comércio.

Por isso, nos últimos 15 anos, me dediquei ao tema, tendo participado de debates em todo o Brasil, na ONU e em vários continentes.

A política brasileira sobre o tema está calcada na Lei de Drogas, de 2006, que ampliou as penalidades para infrações relacionadas ao tráfico e diminuiu as relacionadas ao uso de drogas.

É uma lei cheia de paradoxos e que precisa ser modificada. Não estabeleceu, por exemplo, clara diferença entre usuário e traficante.

Resultado: aumento da população carcerária, predominantemente de réus primários, que agem desarmados e sem vínculos permanentes com organizações criminosas.

Do ponto de vista do aparelho estatal repressivo, há uma perda de foco. Empenhamos dinheiro e servidores públicos para acusar, julgar e prender pequenos infratores, tirando a eficácia do combate aos grandes traficantes.

Outros países têm buscado formas alternativas de encarar o problema. Portugal viveu uma forte diminuição da violência associada ao tráfico por meio da descriminalização do uso e da posse. Deprimiu-se a economia do tráfico e conseguiu-se retirar o tema da violência da agenda política, vinculando as medidas ao fortalecimento do sistema de tratamento de saúde mental.

Na Espanha, há associações de usuários para o cultivo de maconha, para afastá-los dos traficantes. A única certeza é a de que não há soluções mágicas. Nossos jovens usuários não podem ter como interlocutores a polícia e os traficantes.

É preciso retirar o tema debaixo do tapete e, corajosamente, trazê-lo à mesa para que famílias, educadores, gestores públicos, acadêmicos, religiosos e profissionais da cultura, da educação e da saúde o debatam. Esta posição é exclusivamente minha, não é em nome da liderança do PT.

Não tenho, conforme sugeriu a Folha, divergências com a postura da presidenta da República sobre o tema. Aplaudo os esforços extraordinários do governo Dilma no combate ao narcotráfico e na ampliação dos serviços de saúde de atenção aos usuários de drogas. Nesse sentido, sugiro ao governo que eleja uma comissão de estudos de alto nível para ajudar nessa discussão.

A questão não pode ser tratada de forma rasa. O debate público sobre as políticas de drogas deve envolver o conjunto das forças políticas e sociais de todo o país.

PAULO TEIXEIRA, 49, advogado, é deputado federal (PT-SP) e líder do Partido dos Trabalhadores na Câmara.

(Da Folha de São Paulo)

Entrevistei o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) na tarde de hoje por conta de uma matéria na Folha de S. Paulo onde uma fala dele num debate era tratada de forma um tanto sensacionalista. De qualquer forma, como este blogue defende a descriminalização da maconha e por conta disso até já concordou com Fernando Henrique em alguma coisa , decidi ligar para Paulo Teixeira e ouvir da boca dele o que pensava.
Claro que a fala dele estava esteriotipada no jornal, mas isso não é exatamente algo que surpreenda.
Segue a entrevista do líder do PT, sem edição.

A Folha de hoje dá destaque de capa para uma participação sua num debate em que você defendeu a descriminalização da maconha. Primeiro queria te dizer que concordo com a sua opinião e acho ótimo este tema ser debatido, mas ao mesmo tempo queria saber o contexto da declaração?
Primeiro é bom registrar que a Folha de S. Paulo pegou uma palestra minha num contexto de um debate sobre a política de drogas e editou este debate, escolhendo os trechos que lhe interessavam. Segundo, a Folha não falou comigo.

Ela alega que o senhor foi procurado e não respondeu a ligação?
Quando a Folha quer falar comigo ela me acha. Falo com cinco ou seis jornalistas da Folha toda semana. Bom, mas a matéria está aí e quais são as minhas preocupações. Faz 30 anos que eu trabalho este tema e há 15 discuto isso no parlamento. Sou autor de uma lei no Estado de São Paulo de Redução de Danos e participo da Comissão Brasileira de Drogas e Democracia, por isso tenho recebido convites de várias instituições e governos para discutir o tema. Então, tratei disso na palestra, porque acredito que o Brasil tem um tratamento muito permissivo com as drogas lícitas, principalmente com o álcool

Fonte: http://www.revistaforum.com.br

Hoje recebi uma singela messagem no Twitter com o link para o texto, que logo abaixo está transcrito, da Falha da Ditabranda… ele me fez viajar.

Não tenho o gosto de remoer o passado, mas num momento desatento me vi novamento nos anos 80. Mudança, da sede na Major Quedinho para o casarão da Alameda Barão de Limeira. Não lembro bem se era o meu segundo ou o terceiro mandato como Presidente Estadual da JS – Juventude Socialista – PDT.  São Paulo fervilhava, fervilhava a política e a disputa no Movimento Sindical tambem. Tempos agitados aqueles. CONCLAT, fundação do CGT, fundação da CUT, eleições sindicais com contornos que quase ninguem imagina hoje… anos 80…

Zé Ibraim rompe com o PT, é recebido com muita festa pelo PDT. O camarada revolucionário e médico David Lerer (o nosso Chê Guevara) chega e junto com ele jovens sindicalistas, rompidos com o “Joaquinzão”, logo seria nosso vice-presidente estadual.  Rogê Ferreira passando o bastão para Adhemar de Barros Filho no comando do PDT paulista, fruto de uma erro de avaliação de Brizola que tentava reconstruir a velha aliança PTB-PSP no Estado. A história só se repete como farsa… neste contexto a JS-PDT no Estado de São Paulo tornou-se uma barricada da resistencia socialista aos recem chegados ” velinhos Adhemaristas” (tinha um de Jales). Era brabo o negócio.

A disputa pelo Sindicato dos Metalúrgicos ficou na história, a CUT e o PT vieram prá cima da gente com tudo. Tinha “bate-estaca” de todo tipo e tamanho. A UNE em reconstrução. Danilo Groff (este voto vale uma pedrada), Francisco Julião das Ligas Camponesas, Therezinha Zerbini (da Anistia, ) o saudoso Euzébio Rocha (da PETROBRÁS)… tanta gente boa lutando junto com a gente. O mundo gira…CREDO!

Na reunião  Comissão Executiva Estadual da JS-PDT  São Paulo, que eu presidia pelo segundo (ou terceiro) mandato estava o Paulinho, meu Vice Presidente. Lembro quando a repressão baixou quando a gente estava ajudando na greve e meu braço foi quebrado pela cavalaria do “Choque”. Lembro da chamada que o “Velho” – “Cavaleiro da Esperança” Senador Luiz Carlos Preste nos deu. “Não estão dadas as condições pré-revolucionárias” … mesmo assim muita gente morreu.

Nos que viajamos desordenadamente nas lembranças de nosso passado REAL. Já estivemos muitas vezes de saco cheio. Já mandamos, e nos mandaram muitas vezes, se foder. Não precisamos de um jornalismo que já estece a serviço da ditadura para mardarmos ninguem “se foder”. Nem o PT precisa, nem o Paulinho, hoje Deputado, precisa. Quem precisa da gente é voce que escreve um texto deste, prá dar “audiência” … e já foi melhor nisto….

Segue a matéria do Marcelo:

Antônio Cruz/ABr

Você já deve ter percebido que esse texto contém linguagem chula. Se tem menos de cinco anos, interrompa a leitura. Se é adulto, afaste as crianças da tela.

Como se sabe, há várias maneiras de um sujeito livrar-se do outro com um insulto. Os mais lhanos mandam o desafeto ao chuveiro. Ou ao excremento.

Os menos refinados remetem o semelhante à presença da prostituta —senhora que, tendo lhe dado à luz, não consegue dizer com precisão o nome de seu pai.

Em litígio com o PT, o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), recorreu a uma ofensa intermediária. Optou por recomendar ao partido de Dilma Rousseff a autofornicação.

Paulinho da Força Sindical, como é chamado, concedeu uma entrevista ao repórter Marcelo Rocha.

Inquirido sobre a insatisfação do petismo com o fato de ter jogado contra o governo na partida do salário mínimo, Paulinho soou assim:

— […] Nós não vamos mudar as nossas opiniões porque eles estão insatisfeitos. O PDT tem um programa histórico, sempre defendeu os direitos dos trabalhadores, e se o PT abandonou os trabalhadores, a culpa não é nossa. Manda o PT se foder. Estou de saco cheio deles já.

O repórter quis saber de Paulinho, distinto companheiro do ministro Carlos Lupi (Trabalho), se considera rompido o diálogo das centrais sindicais com Dilma.

— Ela nos abandonou. Não quer mais falar conosco. Agora, a decisão das centrais é de disputar a Dilma. Achamos que nesse primeiro momento ela foi ganha pelos rentistas e por aqueles que gostam de ganhar dinheiro sem trabalhar. Embora Lula não admita, houve um rompimento com aquilo que ele vinha fazendo. Esse corte do ‘Minha Casa, Minha Vida’ é um retrocesso.

Imaginava-se que não andavam bem as relações interpartidárias no consórcio governista. Tolice. Paulinho demonstra que, em verdade, eles já nem se falam.

Os pseudoaliados precisam da intermediação de terceiros até para mandar uns aos outros a lugares esquisitos ou para recomendar práticas pouco recomendáveis

Por Carlos Marques, de São Paulo


Incansável em sua tentativa de atacar Lula, Opfhir Cavalcanti presidente da OAB de São Paulo e a Folha de São Paulo fingem que ignoram suas próprias reportagens e constróem matérias sensacionalistas.

Sem mais nada para acusar Lula, os incansáveis Ophir e Otavinho ( que ganhou o “jornalão dë graça do seu papai) , querem atacar a concessão de passaporte diplomático aos filhos do então presidente.

Para isso, sem mais nada o que falar do ex-presidente, o herdeiro da FOLHA mandou por na primeira folha uma enorme manchete como se isso fosse um grave problema…

Ora, “seu” Otavinho…Tenha a santa paciência…

E por favor, “doutor” Ophir, não esqueça das leis….

Passaporte diplomático de familiares de governantes são uma necessidade, em qualquer país do mundo e não um luxo. como vocês estão querendo dar a entender…

E eles devem ser concedidos, segundo a legislação, exatamente nesses casos, de interesse nacional”, pois em jogo está a segurança de familiares do  presidente de república.

Ou será que a segurança dos familiares do governante não é do interesse do país?
Pode ser independente em suas decisões e corajoso e íntegro um governante que a todo momento temesse pela vida de sua mulher, de seus filhos e netos???

Ou será que, para a FOLHA, a idéia é essa mesmo: quanto mais inseguro for o presidente do Brasil, melhor?

Ou será que para o FOLHA,  bons presidente e ministros são aqueles que de medo, tremendo, tirem os sapatos e chinelos na hora de entrar nos EUA, como fazia Celso Lafer, ministro de FHC, na frente de qualquer guarda de aeroporto?

Ophir Cavalcante e Otavinho “esqueceram” as tentativas de seqüestro dos filhos de Lula e o assassinato do tenente EB Acir Tomasi?

Nós não esquecemos…

É por essas e outras que a FOLHA só vai de mal a pior em termos de circulação: mente muito, “esquece” muito e manipula muito…

Dá nisso: o povo pára de comprar!

Ora, “seu”Otavinho, fala sério!

A própria FOLHA já mostrou que Fernandinho Beira-Mar teria ordenado o seqüestro do filho de Lula, Luiz Fabio, em 2007 em matéria assinada por Hudson Correia e Diana Brito de 04.01.11.

Mas em sua matéria de desgaste de Lula com o assunto do passaporte diplomático, não faz a necessária conexão entre medidas de segurança especiais para os familiares do presidente e os  riscos dessa posição.

A intenção é que, para os leitores menos avisados, passar a idéia de que trata-se de “um privilégio” injustificado e não de uma razão de segurança, que envolve não só a família do governante mas a própria segurança nacional, pois um presidente sem segurança é mais vulnerável em suas decisões…. Inclusive sobre a segurança do país.

Vejam as reportagens e vejam como é manipuladora, “sacana”, a cobertura da FOLHA sobre esse fato corriqueiro.

http://www.jornalopcao.com.br/colunas/imprensa/jornais-ignoram-trama-pra-sequestrar-filho-de-lula

http://www1.folha.uol.com.br/poder/854497-fernandinho-beira-mar-tramou-de-presidio-sequestro-de-filho-de-lula.shtml

Ou seja ela publica os assuntos separados em folhas separadas, para enganar pelo menos aqueles que virem só a matéria dos passaportes.

Se alguém reclamar , ela pode dizer: “mas nós publicamos a matéria da tentativa de seqüestro…”

A FOLHA esqueceu completamente ainda que outra tentativa de seqüestrar o outro filho de Lula, Sandro Luiz, por bandidos fortemente armados resultou no assassinato a sangue frio de um sub-tenente do Exército Brasileiro chamado Acir Jose Tomasi, , que fazia a segurança dele, no dia 04 de janeiro de 2003.

Ou seja, tem ou não tem razão, o governo federal , em proteger a família do presidente se, no quarto dia de seu primeiro mandato, por uma estranha coincidência, “desconhecidos” fortemente armados quiseram roubar logo o Vectra que transportava Sandro Luiz Lula da Silva com dois seguranças dentro,  no mesmo dia em que o presidente foi a Washington para ter seu primeiro encontro com George Bush?

Veja o leitor a coincidência: o presidente viajando para Washington no “Sucatão”, no quarto dia de seu primeiro mandato, no dia 04 de janeiro de 2003, para encontrar George W.Bush,  o homem mais poderoso do mundo…

De repente, recebe pelo rádio a noticia que mataram um dos dois tenentes do Exército que faziam a segurança de Sandro, seu filho.

E feriram gravemente o outro…

Foi tudo coincidência?

Uma fatalidade?

Ou é mesmo não só necessário como indispensável que o Governo Federal tome todos os cuidados de segurança , inclusive emitindo passaportes diplomáticos para seus familiares, para que o chefe de estado tenha liberdade para tomar medidas a favor do Brasil? ,

Como por exemplo aquelas que Lula tomou para defender a punição que conseguimos impor na OMC ao protecionismo dos EUA nas questões da concorrência desleal com relação a entrada do nosso suco de laranja, do  nosso aço, do nosso algodão e dos nossos aviões da Embraer no mercado americano.

O certo é que o artigo do Matheus Leitão na FOLHA ( será parente da Míriam? ) simplesmente  esqueceu a reportagem da própria FOLHA sobre a segurança dos familiares do presidente e as tentativas de seqüestro de seus dois filhos, que ela mesma noticiou!!!

Êta  repórterzinho esquecido essi, genti!!!

Ophir e Otavinho, isso dá câncer!

Pára de ser mesquinho Otavinho! Pára de ser puxa-saco da FOLHA e do Serra , Ophir!

Qual é a comparação entre o custo de um passaporte diplomático e a receita com a nossa liberdade de exportar suco de laranja para os EUA como mandam as regras da OMC?

O que custa um passaporte diplomático para os familiares de Lula se compararmos com o que ele conseguiu com suas viagens e sua política exterior que nos deu a oportunidade de colocar o Brasil no lugar que sempre deveria ter tido, como uma das nações maiores do planeta e acabar com esse “complexo de vira-latas” que a mídia desde sempre quis que nós carregássemos em nossa consciência?

Pára, Otavinho, com essa obsessão e com esse ódio com relação ao Lula!

Isso dá câncer, cára!

Aceita a vontade do povo, Ophir! Não existe terceiro turno, cara!

Tá dando na vista essa sua obsessão de agradar a FOLHA para conseguir publicidade grátis!

Alô Matheus Leitão: faz o seguinte: pega o seu notebook e digita aí “seguranças do filho de Lula assassinados” e veja só o que aparece.

E pára de fazer matéria “por encomenda”, cara!

E se Você receber “encomendas” do patrão, “coleginha”Matheus, não abra mão de nosso direito e da nossa obrigação de como profissionais da informação, de analisarmos o fato de todos os pontos de vista….E não ficar parecendo um bobão, um escravo, que escreve só o que o seu “sinhôzinho” mandou…

Precisamos de um Conselho Federal de Jornalismo, já!

Me desculpem, mas diz o ditado popular que “Quem pariu Matheus que o embale” ….

Esse assunto estava esquecido, mas a falta de ética de Matheus Leitão e de seu “sinhozinho” Frias, ao tratarem do caso do passaporte de familiares do ex-presidente da republica, foi demais prá mim!

Mateus e Tavinho: vocês deixaram a bola quicando na porta do gol!!!E eu não resisto, é mais forte que eu…

É por essas e outras que precisamos urgente da criação de um Conselho Nacional de Jornalismo, como já possuem os médicos, os engenheiros, os veterinários, os corretores de imóveis, advogados e dezenas de outras profissões…

Com um Conselho disciplinando a ética do exercício da profissão, jornalistas não poderiam cometer nem serem pressionados a cometerem “esquecimentos” iguais ao do coleguinha Matheus…

Com um conselho de jornalismo, quando um patrão “encomendasse” uma matéria que ferisse o Código de Ética e falasse mentiras, “abobrinhas”, calúnias ou até esse tipo de “fofoca”, o profissional; poderia dizer : “Chefe, eu não posso fazer isso, pois o código de ética proíbe…”

Precisamos urgente de criar nosso conselho de classe, para regular o exercício de nossa profissão. E nossos patrões, os donos de jornais, não tem nada a ver com isso! Eles tem a ANJ, tem a SIP, tem a ABERT, tem um monte de sociedades e organizações para defender seus direitos.

Nós precisamos de um conselho para zelar pelo exercício correto de nossa profissão!

Pelo CONFEJOR já e por conselhos regionais, também!

Se existem os CREAs e o CONFEA, os CRMs e o COFEME, porque não podemos criar os CREJ nos Estados e o CONFEJOR a nível nacional?

Aproveitando a ocasião: atenção Doutor Ophir Cavalcante, o senhor que é presidente da OAB/SP é contra que exista um Conselho Regional de Jornalistas de São Paulo e um Conselho Federal de Jornalismo, como existe a OAB Nacional?

Onde está a proibição ou a ilegalidade nisso, “Dr Ophir?

Como se explica que a criação de nosso conselho, que existiria para regulamentar nossa profissão, como qualquer outra, pudesse ter sido “vetada” em 2003…exatamente pelos donos de jornais??

Já imaginaram se os donos de construtoras tivessem o poder de vetar a criação dos CREAs?

Ou os donos dos hospitais pudessem vetar a criação do Conselho Federal de Medicina, que fiscaliza seus atos? Ou se os donos de grandes escritórios de advocacia pudessem vetar a criação da OAB SP e da OAB Nacional?

Ah…Esse Brasil precisa mudar muito…

Dono de Jornal é só mais um patrão, gente!
Não é Deus!!

Ética no Jornalismo, Já!

Chega de usar jornal como lata de lixo e os ouvidos e a consciência dos leitores como penico!

Por favor, Otavinho! Por favor “doutores” Mesquitas e Marinhos!

Sejam éticos e deixem as pessoas que ainda trabalham para Vocês serem éticos também!

Leia também:

http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI114495-EI306,00-Enterrado+o+corpo+de+seguranca+do+filho+de+Lula.html

http://www.jornalopcao.com.br/colunas/imprensa/jornais-ignoram-trama-pra-sequestrar-filho-de-lula

http://www.tribunadabahia.com.br/news.php?idAtual=69572

Fonte: pagina13.org

 

Só ele pode nos no salvar!

Estranhei quando vi a “reportagem” da “Folha” logo cedo nesse domingo: os jornalistas Valdo Cruz, Simone Iglesias e Breno Costa trouxeram – no pé de uma matéria na página A9 – a informação de que Dilma retirara o crucifixo do gabinete e a Bíblia da mesa de trabalho do Palácio do Planalto.

Uma pulga atrás da orelha: por que o jornal não deu foto, mostrando o gabinete “antes” (com crucifixo e Bíblia) e “depois” (sob a intervenção da malvada presidenta atéia)?

E, se o fato era tão importante (a ponto de os editores botarem em primeira página), por que os repórteres incluíram a informação no pé e não na abertura do texto? Jabuti não sobe em árvore – é o que dizem. O assunto talvez não interessasse aos jornalistas que assinaram a matéria, mas certamente interessou aos donos do jornal. E certamente interessa à direita que trouxe a religião para o centro do debate político, sob os auspícios de Serra, na última campanha eleitoral. É uma forma de mandar o recado: nós avisamos, ela é a favor do aborto, não é religiosa, esses comunistas são perigosos!

Pois bem. Isso estava evidente. Mas o mais interessante veio no começo da tarde. A minstra-chefe da Secom, Helena Chagas, usou o twitter para desmentir a “Folha”. Entendam bem: a ministra não minimizou, não tentou explicar a decisão (que, aliás, seria legítima) de retirar curcifixo e Bíblia. Não! A ministra, simplesmente desmentiu o jornal!

E o curioso: desmentiu não com nota oficial, mas pelo twitter!!!

O que disse Helena Chagas:

– “Pessoal, só esclarecendo:a presidenta Dilma não tirou o crucifixo da parede de seu gabinete.A peça é do ex-presidente Lula e foi na mudança”;

– “Aliás,o crucifixo,que Lula ganhou de um amigo no início do governo,é de origem portuguesa.Mais:Dilma também não tirou a bíblia do gabinete.”;

– “A bíblia está na sala contígua, em cima de uma mesa – onde, por sinal, a presidenta já a encontrou ao chegar ao Planalto. Por fim…”;

– “…um último detalhe:embora goste de trabalhar com laptop,a presidenta não mudou o computador da mesa de trabalho.Continua sendo um desktop.”

Ou seja: segundo a ministra, a “Folha” errou no factual!

A “Folha” pode detestar a Dilma, e pode até achar que deve insuflar a direita religiosa. Mas, pra isso, precisa se ater aos fatos!

De todo jeito, sejamos cuidadosos: vamos aguardar as explicações do jornal da família Frias…

Esse espisódio, do “crucifixogate”, tem tudo pra entrar na mesma lista do “bolinhagate”, do grampo sem áudio e da ficha falsa da Dilma! Com um detalhe extra: ao desmentir o jornal pelo twitter, Helena Chagas não deixa de mandar um recado pra turma da Barão de Limeira – vocês já não estão com essa bola toda.

Humilhante: o maior jornal (?!) do país desmentido pelo twitter

Texto publicado originalmente em: http://www.rodrigovianna.com.br

Confira a tradução em português da íntegra do pedido, que está no site da entidade:

E aí turma da Barão de Limeira? E aí pessoal das outras redações, agora é notícia ou não é???

 

A Folha de São Paulo se engrandeceria desistindo da ação judicial contra um blog satírico independente

Um mês após seu lançamento, o blog independente Falha de São Paulo, que parodia o maior diário do Brasil A Folha de São Paulo, enfrenta um processo aberto pelo diário por “uso indevido de marca”, devido à semelhança entre os dois nomes e ao logotipo do blog.

Não satisfeito depois de ter conseguido o encerramento do site, o jornal iniciou um novo processo contra seus autores e reclama agora uma indenização financeira por danos morais. No entanto, parece pouco provável que o mais importante diário do país possa efetivamente ser lesado por um blog independente.

O blog, gerido por Lino e Mário Ito Bocchini, troçava sobretudo da insistência com que o jornal atacava Dilma Rousseff, candidata vitoriosa da última eleição presidencial e chefe de Estado a partir de 1 de Janeiro de 2011. Como lembram os dois irmãos no seu site: “A internet teve peso inédito na campanha eleitoral, que terminou com a vitória da candidata de Lula (Dilma Rousseff). A atuação de centenas de blogs foi especialmente importante porque, em sua maioria, eles apoiaram a candidata de esquerda (Dilma Rousseff) e, por outro lado, praticamente toda a mídia convencional (rádio, TVs, jornais e revistas) defendeu fortemente o candidato de oposição, José Serra.”  

A família Frias, proprietário do jornal, dispõe de meios para pagar as despesas do processo. O mesmo não sucede com os irmãos Bocchini (um é jornalista e o outro designer), que se encontram, devido à ação judicial, em graves dificuldades financeiras. Eles não têm possibilidades de se defenderem eficazmente desse processo, totalmente ignorado pela mídia tradicional, controlada por um punhado de famílias influentes.

Essas ações, que procuram asfixiar financeiramente um meio de comunicação, ilustram uma nova forma de censura. O desfecho desse caso poderia constituir um precedente perigoso em matéria de direito à caricatura, parte integrante da liberdade de expressão e de opinião. É por esse motivo que solicitamos à direção de A Folha de São Paulo que renuncie a esse combate desigual e que desista do processo contra o blog dos irmãos Bocchini. Esse gesto contribuiria para a reputação do diário, que mostraria assim seu apego à livre circulação das ideias, opiniões e críticas, garantidas pela Constituição Federal de 1988. A mídia deve aceitar estar exposta à crítica pública como qualquer outro poder ou instituição.

Os dois irmãos já criaram um site alternativo: http://desculpeanossafalha.com.br/. Várias personalidades, entre as quais o ex Ministro da Cultura Gilberto Gil, gravaram mensagens de vídeo em que condenam a censura e o processo aberto pela Folha