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do Poder Online via blog do Esmael Morais

Marcos Coimbra.Para o presidente do Instituto Vox Populi, o sociólogo Marcos Coimbra, o Datafolha produziu resultados de encomenda em sua última pesquisa de opinião sobre os sentimentos da população acerca do julgamento do Mensalão.

Segundo o jornal “Folha de São Paulo” divulgou no domingo, o levantamento do Datafolha apontava que 73% da população defendem cadeia para os acusados de participar do escândalo.

Em artigo intitulado “Resultados de encomenda”, publicado hoje no jornal “Correio Braziliense”, Marcos Coimbra afirma:
“A pesquisa abusou de perguntas indutivas, que tendiam a conduzir os entrevistados a determinadas respostas. Como diz a literatura em língua inglesa, fornecendo-lhes ‘pistas’ sobre as respostas ‘corretas’. Leia a íntegra do artigo de Marcos Coimbra: por Marcos CoimbraVia Correio Braziliense

Na primeira aula do curso de pesquisa de opinião, o aluno aprende as coisas básicas da profissão. Uma é ter cuidado com as perguntas indutivas.

É esse o nome que se dá às que são formuladas com um enunciado que oferece informação ao entrevistado antes que ele responda.
Há diversos tipos de indução, alguns dos quais muito comuns.

Quem não conhece, por exemplo, a pergunta chamada de “voto estimulado”, feita habitualmente nas pesquisas eleitorais? Ela pede ao respondente que diga em quem votaria, tendo em mãos uma lista com o nome dos candidatos.
É claro que, assim procedendo, avalia-se coisa diferente do “voto espontâneo”.

Para diminuir o risco de que a indução conduza os entrevistados a uma resposta, recomenda-se evitar que o pesquisador leia nomes. Mesmo inadvertidamente, ele poderia sugerir alguma preferência, seja pela ordem de leitura, seja por uma possível ênfase ao falar algum nome.

Daí, nas pesquisas face a face, o uso de cartões circulares, onde nenhum vem antes. Essa cautela — e outras parecidas — decorre da necessidade de ter claro o que se mede. Sem ela, podemos confundir o significado das respostas.

Dependendo do nível de indução, o resultado da pesquisa pode apenas refletir a reação ao estímulo. Em outras palavras, nada nos diz a respeito do que as pessoas genuinamente pensam quando não estão submetidas à situação de entrevista.Para ilustrar, tomemos um exemplo hipotético.

Vamos imaginar que alguém quer saber se as pessoas lamentaram a derrota da equipe de vôlei masculino na disputa pela medalha de ouro na Olimpíada. A forma “branda” de perguntar talvez fosse começar solicitando que dissessem se souberam do resultado e como reagiram — sem informar o placar.

Outra, de indução “pesada”, seria diferente. A pergunta viria a seguir a um enunciado do tipo “O Sr./A Sra. ficou triste ao saber que o Brasil perdeu para a Rússia, depois de liderar o jogo inteiro e precisar apenas um ponto para se sagrar campeão olímpico?”

Nessa segunda formulação, ela não somente induz um sentimento (mencionando a noção de “tristeza”), como oferece um motivo para ele (a ideia de ter estado perto de alcançar algo desejável).

É muito provável que os resultados das duas pesquisas fossem diferentes. Na primeira, teríamos a aferição da resposta espontânea — e mais real. Na segunda, a mensuração de uma reação artificialmente inflada. Em última instancia, fabricada pela própria entrevista.

É o que aconteceu com a recente pesquisa do Datafolha sobre os sentimentos da opinião pública a respeito do “mensalão” e seu julgamento.

Contrariando o que se esperaria de um instituto subordinado a um jornal, não deixa de ser curioso que decidisse fazer seu primeiro levantamento sobre o assunto 10 dias depois do início do processo no Supremo.

Dez dias depois de ter sido pauta obrigatória nos órgãos da “grande imprensa”. Dez dias depois de um noticiário sistematicamente negativo — como aferiram observadores imparciais.

Preferiu pesquisar só depois que a opinião pública tivesse sido “aquecida”. Foi à rua medir o fenômeno produzido.Não bastasse a oportunidade, a pesquisa abusou de perguntas indutivas, que tendiam a conduzir os entrevistados a determinadas respostas.

Como diz a literatura em língua inglesa, fornecendo-lhes “pistas” sobre as respostas “corretas”.Mas o mais extraordinário foi seu uso editorial, na manchete que ressaltava que a maioria desejava que os acusados fossem “condenados e presos”.

Parecia de encomenda: embora o resultado mais relevante da pesquisa fosse mostrar que 85% dos entrevistados sabiam pouco ou nada do assunto, o que interessava era afirmar a existência de um desejo de punição severa.E quem se importa com o que estabelecem as normas das boas pesquisas!

Acabei de tomar conhecimento do resultado do julgamento – em primeira instância, ou seja, tanto a Folha quanto a Falha dos camaradas Lino e Mario Bocchini podem recorrer – do caso Falha de São Paulo e é surpreendente!

A sentença deu razão parcial à Folha de São Paulo, mas sem acatar nennhum de seus argumentos.

Explico: a Folha processou a Falha por uso indevido da marca, concorrência parasitária (hahaha) pedindo o pagamento de um valor absurdo a título de “indenização”, mas o juiz não reconehceu nenhum desses argumentos.

Recusou a possibilidade dos irmãos Bocchini pagarem um centavo sequer, não considerou uso indevido da marca nem concorrência parasitária (hahaha) pois o blog nada mais era que uma paródia, algo permitido pela constituição. O blog deixava claro ser uma paródia, não tinha intenção alguma de ser confundido com a Folha e o argumento da Folha não colou.

O fato do site da Falha ser http://www.falhadesaopaulo.com.br, muito próximo do original http://www.folhadesaopaulo.com.br, não fez diferença. O juiz considerou que, por se tratar de paródia e pelas letras “a” e “o” se encontrarem distantes no teclado, impedindo confusões e erros de digitação, não estava configurada nenhuma má fé, ou concorrência parasitária (hahaha) ou tentativa de enganar o leitor.

[…] dadas as posições das letras “A” e “O” no teclado QWERTY, tradicionalmente utilizado nos computadores pessoais e demais eletrônicos por meio dos quais a internet é acessada, fica afastada qualquer possibilidade de typosquatting, modalidade de cybersquatting em que o usuário, por simples erro de digitação, acaba por acessar website diverso do pretendido. Pelo nome de domínio registrado pelo autor e conteúdo crítico do website correspondente, portanto, não há que se falar em violação dos direitos de marca da autora.


Nota pessoal: Era mais fácil acreditar nas paródias da Falha do que no “jornalismo” da Folha, mas tudo bem.

Digno de nota foi o estudo feito pelo juiz responsável, que pode não ter os conhecimentos necessários e profundos sobre como funciona a rede, mas foi fundo em sua pesquisa.

Ponto principal favorável à Falha e aos irmãos Bocchini foi a destruição do argumento da Folha de que haveria casos semelhantes no Brasil, logo, jurisprudência para condenar a paródia. É uma vitória importante, pois o ineditismo do caso foi comprovado, mostrando que o precedente numa possível condenação seria perigoso para TODA a blogosfera e, na realidade, para toda a internet brasileira e para nossa liberdade de expressão.

A jurisprudência brasileira a respeito do tema é rarefeita, não havendo casos célebres a respeito do direito de utilização de marca, sem autorização do titular, com a finalidade de paródia, seja de forma geral, seja, especificamente, na internet.

O juiz desconsiderou esse argumento – do ineditismo -, se baseando na jurisprudência dos EUA para analisar o caso.

No caso PETA v. DOUGHNEY, a Corte de Apelações dos Estados Unidos do 4º Circuito menciona que, para torná-la imune à ação do titular da marca, “a parody must ‘convey two simultaneous — and contradictory — messages: that it is the original, but also that it is not the original and is instead a parody’.”Do contrário haverá possibilidade de confusão do consumidor, e a utilização da marca, ou de sinal similar à marca, será indevida. No presente caso, a possibilidade de confusão não existe, pois a paródia é revelada, inteiramente, já pelo nome de domínio. O trocadilho anuncia, ao mesmo tempo, que se trata de uma sátira, e quem é objeto dela. Nem mesmo um “tolo apressado” seria levado

Isto, no fim, serviu aos dois casos, pois por um lado tornou ilegítima acriminalização da paródia, mas por outro encontrou um cainho tortuoso para manter a censura ao site da Falha, ainda que sem usar NENHUM dos argumentos toscos da advogada defensora das liberdades democráticas Taís Gasparian, do jornalão de direita. E por outro manteve a censura ao site.

[…] merece ser atendido, em menor extensão, o pedido principal da autora, suspendendo-se definitivamente (congelando-se) o nome de domínio falhadespaulo.com.br

O argumento do juiz para manter a censura sobre o site é mirabolante e também vem da jurisprudência estadunidense (me pergunto porque ele se limitou aos EUA, talvez tenha visto muito Lei e Ordem!).

Segundo ele o fato do antigo site da Falha manter uma propaganda da Carta Capital, na verdade um link em que aparecia a capa da revista, junto com a oferta de uma assinatura da revista, serviria para “caractrerizar o website do réu como tendo conteúdo comercial”.

Ao final da página há, ainda, anúncio de um sorteio de assinatura da revista Carta Capital entre os seguidores da conta do réu no Twitter (#falhadespaulo). Ao anunciar a promoção, o website do réu reproduz integralmente a capa da edição 614, de setembro de 2010, da revista Carta Capital. Ao contrário do que faz com as reproduções do jornal da autora, o réu, ao reproduzir a capa da revista Carta Capital, não promove qualquer adulteração ou comentário crítico. É o que basta para caracterizar o website do réu como tendo conteúdo comercial. A revista semanal Carta Capital é concorrente da autora no mercado jornalístico, com ela disputando leitores, assinantes e verbas publicitárias.

Desta forma, o juiz recomenda o fechamento definitivo do site Falha de São Paulo (que já está fechado desde o começo do processo), pois este teria algum fim comercial através do favorecimento de concorrente direto da Folha.

É realmente um raciocínio difícil de acompanhar,  porque é comum existir links para sites, revistas e etc ideologicamente semelhantes aos blogueiros em todo e qualquer blog – e mesmo propagandas, que são usadas para financiar a manutenção dosite ou para garantir uns trocados, mas sem nenhuma conotação comercial – e, especialmente porque a assinatura da Carta Capital era ofertada pelo Lino, e não pela revista.

O Lino estava disposto a tirar de seu próprio bolso o valor da assinatura. A intenção, logo, não era comercial, mas puramente propagandística.

Mas, enfim, a sentença apesar de manter a censura baseada em argumentos estranhos, é boa por não acatar NENHUM argumento da Folha. A Folha pode dizer que venceu, pois manteve a censura (só mesmo no Brasil um jornal comemoraria ter censurado um blog, mas assim é a vida), mas não baseada em seus argumentos, que são pífios. E não pagarão um centavo à Folha!

E nós, ativistas e amigos da Falha podemos comemorar, pois conseguimos provar nossos argumentos de que a paródia não pode ser criminalizada, que não há oncorrência parasitária (hahaha) e nenhum centavo deverá ser pago à Folha.

Ainda cabe recurso, e acredito que a Falha irá recorrer, buscando garantir que mesmo a censura por outros argumentos seja suspensa.

No mais, meus parabéns ao Lino, ao Mário, aos seus advogados e a todos o(a)s militantes que estão há meses mobilizados!

Ante o exposto, julgo parcialmente procedente o pedido principal da autora Empresa Folha da Manhã S/A, somente para determinar a suspensão definitiva (congelamento) do nome de domínio falhadespaulo.com.br, ficando mantida, nesta extensão, a r. decisão liminar de fls.80/81. Oficie-se imediatamente ao órgão responsável (fls.82), comunicando-lhe a presente decisão. Julgo improcedentes os demais pedidos da autora, assim como o pedido contraposto do réu Mario Ito Bocchini.

Acompanhem o site Desculpe a Nossa Falha, dos irmãos Bocchini, para acompanharem o caso.

Publicado originalmente no Blog do Tsavkko

Por Altamiro Borges

A mídia burguesa nunca gostou dos movimentos sociais. Ou omite suas lutas ou as criminaliza. Quando eclode uma greve, ela fala em congestionamento do trânsito – jogando a sociedade contra os grevistas. Ocorre um ato ou passeata popular e ela sataniza os manifestantes. O MST, um dos principais movimentos sociais brasileiros, é um dos alvos prediletos desta manipulação midiática.

A torcida histérica

Prova deste ódio de classe foi o editorial da Folha de domingo (7) contra os sem terra. Os adjetivos são raivosos, hidrófobos. Com base em dados sobre a redução do número de acampados, o jornalão da famiglia Frias atira: “Nos termos do vocabulário leninista que alimenta o delírio autoritário de seus líderes, é possível dizer que a ‘vanguarda de luta’ do MST corre risco de fenecer”.Para o jornal, o MST é “o arauto de uma utopia regressiva, inimigo do agronegócio e da geração de riquezas no campo” e estaria em “declínio político” por se opor ao “progresso” capitalista.

Não há uma palavra contra a concentração de terras no país, contra o trabalho escravo ou contra o uso de jagunços pelo latifúndio. A torcida pela extinção do MST é explícita, quase histérica: Um jornal decadente, decrépito“Em marcha inexorável, o movimento encolhe. Reverte ao núcleo do que nunca deixou de ser: um grupo de cristãos de esquerda adepto de ações criminosas, como invasão e destruição de propriedades, e hábil na mobilização de excluídos para exercer pressão sobre o Estado e extorquir-lhe os recursos – desapropriações e verbas – que mantêm o movimento artificialmente vivo”.

Depois a Folha ainda afirma que é um jornal “plural e independente”. Porta-voz dos ruralistas e da direita golpista, o jornalão deveria ficar preocupado com o seu “declínio inexorável” – expresso na queda das suas tiragens de quase 1 milhão de exemplares nos anos 1980 para menos de 300 mil nos dias atuais. Ela sim representa a “utopia regressiva” do deus-mercado.

Por Celso Lungaretti
A Folha de S. Paulo colocou num editorial que Cesare Battisti, no Brasil, “despertou uma solidariedade fora de época e de propósito entre ex-militantes de esquerda e antigos adeptos da luta armada”.
Solicitei direito de resposta à Folha, provando  ad nauseam  que era eu quem melhor se enquadrava, simultaneamente, nessas três especificações (ser ex-militante de esquerda, antigo participante da resistência armada à ditadura militar e figura destacadada dos movimentos de solidariedade a Cesare Battisti).
Não vem sequer ao caso se a Folha quis mesmo se referir a mim ou a convergência para meu perfil foi casual. O certo é que, sendo uma pessoa conhecida, muitos haveriam de ver em mim — e viram! — o alvo de tal citação.
E, até como o idoso que eu não poderia deixar de ser (na condição de veterano de uma luta travada quatro décadas atrás), não me agrada nem um pouco ser confundido com alguém que perdeu a noção do presente e desperdiça seu tempo com iniciativas despropositadas. O linguajar eufemístico não altera nem atenua o conceito, que é óbvio:  velho caduco.
Pedi, portanto, espaço para expor aos leitores da Folha os motivos que me levaram a assumir a defesa pública de Battisti e, assim, dar-lhes possibilidade de avaliar se tais motivos eram plausíveis e pertenciam a esta época.
A resposta da ombudsman foi patética: ofereceu-se para encaminhar uma mensagem resumida que eu escrevesse à seção de cartas de leitores, ou um artigo aos editores de Opinião, enfatizando carecer de poder para determinar sua publicação ou não.
Obrigado por nada: em poucos minutos qualquer pessoa com inteligência mediana consegue levantar os respectivos e-mails e, assim, enviar seu texto a uma ou outra seção.
Quando alguém recorre à ombudsman queixando-se de haver sido atingido por algo publicado, cabe a  ela providenciar a retificação com igual destaque ou provar a improcedência da reclamação. Alegar que não tem poder para desempenhar sua missão é vexatório para ela e para a Folha.
Ante minha insistência, ela se saiu com este arremedo de argumentação: “não se trata de direito de resposta já que o seu nome não foi citado”.

Se o nome de um cidadão não é mencionado, mas se trata de figura pública e a descrição da pessoa insultada corresponde exatamente à sua, negar-lhe o direito de resposta seria abrir a porta para todo tipo de ataques dissimulados e covardes.

Caso eu disparasse as piores ofensas contra “um barão da mídia” que cedia viaturas para o trabalho imundo dos torturadores e “seu filho” que esmerou-se em atenuar atrocidades ditatoriais… precisaria citar nomes?
E, não citando nomes, ficaria totalmente isento de responsabilidade por minhas afirmações?
Caracterizou-se, enfim:
  • a inexistência de direito de resposta para quem, como eu, não se verga aos constantes estupros das boas práticas jornalísticas por parte da Folha;
  • a inexistência de ombudsman na Folha, salvo como figura decorativa;
  • e a existência de um  house organ  da direitalha ocupando o espaço que um dia foi de um verdadeiro jornal, sob o comando do inesquecível Cláudio Abramo.
Obs.: o editorial citado e todas as mensagens trocadas podem ser acessados em DIREITO DE RESPOSTA DESFEITO; e violações  anteriores das normas jornalísticas por parte da mesma empresa, em MINHA LUTA SEM FIM CONTRA A FOLHA DE S. PAULO.
Esquerda explodiu carros: eram usados pela ditadura

A presença de Dilma na festa (?!) da “Folha” foi o aspecto mais comentado pelos internautas nas observações sobre o aniversário de 90 anos do jornal. Eu estava em Buenos Aires, e lá a notícia foi outra. Numa nota de pé de página, o jornal “La Nacion” trouxe, na terça-feira,  informação de que desconfiei a princípio: “Folha” admite que apoiou a ditadura.

Achei que os argentinos não tinham entendido direito o assunto, até porque a nota fazia referência também ao fato de a Folha” chamar a ditadura de “ditabranda”…

Mas leio no blog do Eduardo Guimarães que a “Folha” admitiu mesmo o apoio à ditadura.

Admitiu daquele jeito dela. Disse que apoiou o golpe (mas, veja bem, quase toda grande imprensa apoiou)… Disse que carros do jornal “teriam” sido usados por agentes da repressão (mas, veja bem,  “a direção da Folha sempre negou ter conhecimento do uso de seus carros para tais fins”).

A “Folha” lembrou-me um pouco o Bill Clinton, ao ser pergunatdo se tinha experimentado maconha na juventude: “sim, fumei, mas não traguei”. Ou, pra ser mais escrachado, a “Folha” lembrou-me da frase do roqueiro Lobão, que meus filhos adolescentes adoram citar: “peidei, mas não fui eu”.

Melhor não dizer mais nada. Fiquem com a narrativa “oficial” publicada pelo jornal.

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A Folha apoiou o golpe militar de 1964, como praticamente toda a grande imprensa brasileira. Não participou da conspiração contra o presidente João Goulart, como fez o “Estado”, mas apoiou editorialmente a ditadura, limitando-se a veicular críticas raras e pontuais.

Confrontado por manifestações de rua e pela deflagração de guerrilhas urbanas, o regime endureceu ainda mais em dezembro de 1968, com a decretação do AI-5. O jornal submeteu-se à censura, acatando as proibições, ao contrário do que fizeram o “Estado”, a revista “Veja” e o carioca “Jornal do Brasil”, que não aceitaram a imposição e enfrentaram a censura prévia, denunciando com artifícios editoriais a ação dos censores.

As tensões características dos chamados “anos de chumbo” marcaram esta fase do Grupo Folha. A partir de 1969, a “Folha da Tarde” alinhou-se ao esquema de repressão à luta armada, publicando manchetes que exaltavam as operações militares.

A entrega da Redação da “Folha da Tarde” a jornalistas entusiasmados com a linha dura militar (vários deles eram policiais) foi uma reação da empresa à atuação clandestina, na Redação, de militantes da ALN (Ação Libertadora Nacional), de Carlos Marighella, um dos ‘terroristas’ mais procurados do país, morto em São Paulo no final de 1969.

Em 1971, a ALN incendiou três veículos do jornal e ameaçou assassinar seus proprietários. Os atentados seriam uma reação ao apoio da “Folha da Tarde” à repressão contra a luta armada.

Segundo relato depois divulgado por militantes presos na época, caminhonetes de entrega do jornal teriam sido usados por agentes da repressão, para acompanhar sob disfarce a movimentação de guerrilheiros. A direção da Folha sempre negou ter conhecimento do uso de seus carros para tais fins.

Leia outros textos de Radar da

A grande imprensa brasileira se acostumou a definir sua modernização como sendo alteração gráfica, de formato e espaço da notícia. Tempos atrás, pensava que modernização era estilo de texto. Mas resiste em pensar que aggiornamento, hoje, deveria ser de linha editorial. Resiste porque não consegue dialogar com a notícia.

Por Rudá Ricci*


O jornal Folha de S.Paulo, que afirma publicamente que tem rabo preso com o leitor, e apenas com ele, afasta-se da notícia quando utiliza o perfil e ideário de seu leitor como guia da linha editorial. Adotemos a Folha como case. Em maio deste ano, entre os leitores da Folha de S.Paulo, Serra aparecia em primeiro lugar na intenção de votos, com 54%. Marina era a preferida de 18% dos leitores do jornal e Dilma amargava um terceiro lugar, com 15%.

Pesquisei o perfil do leitor da Folha a partir desta discrepância entre leitura da realidade e realidade concreta. Comparei os dados de 2000 e 2007. Em 2000, o leitor-síntese da Folha (segundo o Datafolha) tinha formação superior, casado, empregado no setor formal da economia, renda individual na faixa que vai até 15 salários mínimos e familiar na faixa superior a 30 SM. Um leitor enquadrado como classe A ou da B, segundo o Critério Brasil. Em 1988, representavam 28% dessa amostra os leitores que tinham mais de 50 anos. Em 2000, pelo menos quinquagenários perfaziam 41% do total dos leitores principais no Estado de São Paulo. Esse movimento deu-se sobretudo pela queda na participação dos mais jovens (até 29 anos). Eles eram 29% em 1988 e hoje são 14%, o que significa uma diminuição que ultrapassa 50%.

Elite desiludida

Em 2007 o leitor-síntese era ainda mais peculiar e distante da média do perfil médio do brasileiro: 90% pertenciam às classes A e B; 69% liam revistas e 57% buscavam notícias na internet.

Sobre questões consideradas polêmicas, os leitores se posicionaram a favor do casamento gay, da legalização do aborto, da reforma agrária e contra a pena de morte. Eram, por outro lado, contrários à descriminalização da maconha e a favor da redução da maioridade penal. A profissão com a maior participação individual entre os leitores do jornal era a de professor: 12% lecionam. Na seqüência, vinham advogados (7%) e engenheiros (4%).

A comparação com o levantamento realizado em 1997 mostra um declínio na proporção de católicos: embora continuem sendo a maioria do leitorado, houve uma diminuição de dez pontos percentuais (de 65% para 55%) e um aumento dos que se declaram sem religião (de 10% para 18%). Outras mudanças notadas neste ano aconteceram no campo político. Cresceu a desilusão com os partidos – a maioria, 57%, declara não ter simpatia por nenhum deles (em 2000, eram 45%) –, houve um aumento dos tucanos (são 18% dos leitores) e uma perda de 21 pontos percentuais dos petistas (caíram de 34% para 13%).

Resumindo: os leitores que se declaram tucanos superaram os que se declaram petistas; compõem a elite do país; maioria desiludida com partidos políticos; são mais velhos e oscilam em relação a temas polêmicos. Finalmente: as tiragens de jornais impressos caem de ano a ano, embora a Folha mantenha a liderança nacional.

Tese furada

Vejamos a vendagem dos jornais. 2009 foi um péssimo ano porque refletiu a crise de investimentos (ao menos no primeiro semestre) provocada pelo estouro da bolha imobiliária norte-americana. No ano passado, a circulação somada dos 20 maiores jornais brasileiros caiu 6,9% em relação a 2008, segundo dados compilados pelo Instituto Verificador de Circulação (IVC). Os jornais que apresentaram as maiores quedas foram os do Grupo O Dia, do Rio de Janeiro – O Dia e Meia Hora recuaram 31,7% e 19,8%, respectivamente. Na sequência aparecem Diário de S.Paulo (declínio de 18,6%), Jornal da Tarde (-17,6%), Extra (-13,7%), O Estado de S.Paulo (-13,5%), Diário Gaúcho (-12%), O Globo (-8,6%), Folha de S.Paulo (-5%), Super Notícia (-4,5) e Estado de Minas (-2%). As informações são do jornal Meio & Mensagem.

Os seis diários que apresentaram circulação maior que a de 2008 foram Daqui (alta de 31%), Expresso da Informação (15,7%), Lance! (10%), Correio Braziliense (6,7%), Agora São Paulo (4,8%) e Zero Hora (2%). Correio do Povo, A Tribuna e Valor Econômico registraram em 2009 números praticamente idênticos aos do ano anterior. A liderança na circulação manteve-se nas mãos da Folha de S.Paulo, que encerrou o ano com média diária de 295 mil exemplares. Em seguida aparecem Super Notícia (289 mil), O Globo (257 mil) e Extra (248 mil). Em quinto lugar, ainda segundo os dados do IVC, ficou O Estado de S.Paulo (213 mil), à frente do Meia Hora (186 mil) e dos gaúchos Zero Hora (183 mil), Correio do Povo (155 mil) e Diário Gaúcho (147 mil). O top 10 se completa com o Lance! (125 mil).

A liderança da Folha de S.Paulo permaneceu com uma vendagem média diária de 21.849 exemplares comprados nas bancas em todo o território nacional entre janeiro e setembro de 2009. Lembremos que em outubro de 1996, a venda avulsa de uma edição dominical da Folha chegava a 489 mil exemplares. O ano foi ruim, mas a tese da grande imprensa se agarrar à classe média tradicional para manter assinantes e influenciar na agenda política do país, já fazia água.

Fé na família

Saltemos para 2010. Segundo o IVC, entre janeiro e junho de 2010, a média de circulação dos jornais no Brasil foi de 4.255.893 exemplares por dia. O final do primeiro quadrimestre de 2010 já havia sido positivo para os jornais, com alta de 1,5%. Segundo o presidente executivo do IVC, Pedro Martins Silva, o resultado positivo era esperado, dado que a crise mundial havia quebrado a média nacional de vendas. Mas, fazia um alerta: levantava a hipótese de que a Copa do Mundo teria interferido negativamente nas vendas. Em junho, se registrava decréscimo considerável na circulação, com queda acentuada na venda avulsa. Foi o menor índice desde janeiro de 2008. Comportamento semelhante foi verificado em junho de 2006, o que abre a hipótese de que a Copa do Mundo tenha gerado este impacto. O volume de vendas por assinaturas não sofreu essa alteração no mesmo mês.

Outros dados divulgados pelo IVC, contudo, foram ainda mais reveladores: os líderes de vendas no meio do ano foram Super Notícia (MG) e Extra (RJ). A Folha aparecia em terceiro lugar em circulação, depois de liderar por décadas. O Globo figurava na quarta posição, seguido pelo O Estado de S.Paulo. O relatório do IVC (março de 2010) apresentava a seguinte tabela:

Jornal e exemplares vendidos

Super Notícia: 303.269

Extra: 302.697

Folha de S.Paulo: 292.626

O Globo: 251.525

Estado de S.Paulo: 230.051

Zero Hora: 185.026

Correio do Povo: 160.157

Meia Hora: 159.766

Diário Gaúcho: 158.625

Aqui: 137.612

Rio de Janeiro, na soma dos principais jornais, vendia mais que São Paulo (522 mil exemplares/dia), Minas Gerais (440 mil/dia) e Rio Grande do Sul (403 mil/dia), chegando a 713 mil jornais vendidos por dia, em média.

Que hipótese parece evidente? Que o leitor-síntese dos jornais mais influentes do país envelhece e perde sua hegemonia na formação de opinião. É tolerante no comportamento social, mas duro em relação à ameaça de agressão ou violência. E pouco ousado politicamente.

Por seu turno, a classe média consumidora, a nova classe C de que tanto se fala, é muito mais pragmática e conservadora. Como rompe com uma trajetória familiar de pobreza e de convivência diária com o risco, dialoga com o sensacionalismo, como se fosse uma notícia esperada e não necessariamente uma ameaça à sobrevivência. A violência está mais naturalizada em sua história de vida. Arriscaria dizer que é sua “coluna social” diária, até pouco tempo. Pragmática, não percebe tanta diferença em relação às práticas partidárias. É curtida o suficiente para ser cínica neste campo.

A maioria da classe C acredita apenas em sua família (83% citam a família como segmento social mais importante) e, em segundo lugar, em seus amigos. E ponto. Os casos de corrupção não saltam aos olhos como ocorre com a classe média tradicional, que pauta os grandes jornais.

Leitura necessária

Nada mais distante que a linha editorial assumida pela grande imprensa brasileira. O que sustento é que ao perseguir ou manter o velho leitor, os chefes de editoria reproduzem o tradicional abraço de afogados. A zona de conforto editorial gera, por sua vez, acidez e desgosto, frustração e revolta, estampadas nos editoriais e artigos opinativos. Procuram acreditar que o problema é a forma. Diminuem os textos, procuram se aproximar de algo da linguagem rápida e direta dos blogs e do twitter. Chegam a institucionalizar blogs de seus articulistas.

Mas o problema continua. Porque não se trata de problema com a forma, mas com o conteúdo, com a linha editorial. Os jornais insistem em acreditar que a elite cultural permanece como formadora de opinião e, daí, extraem seu poder de influência. Mas o Brasil mudou. A hegemonia eleitoral e de mercado está nas mãos da classe C. Lula é popular porque é a expressão viva desta classe. Os editores torcem o nariz para cada fala coloquial ou analogia que o presidente mais popular da recente história política do país faz com o futebol. Não entendem que Lula dá a pista para se recuperarem como formadores de opinião. Que orienta como deve ser a retórica e como tocar nos corações e mentes dos compradores vorazes deste país que caminha celeremente para ser o quinto mercado consumidor do planeta.

Defensores do mercado, os grandes jornais se afastam da nova lógica de consumo e do novo consumidor do país. Refugiam-se no ultrapassado. Um paradoxo atrás do outro. Seguem a notícia e procuram os furos de reportagem, mas resistem a acompanhar as mudanças mercadológicas do país.

Nossos editores envelheceram. Evidenciam sinais de conservadorismo. Parecem não ter energia para se recriar, para ousar. Desejam ser elite, uma elite que dá lugar à uma nova classe. Deveriam ler O Leopardo, aquela obra de arte que, sem saber, é uma das leituras mais importantes da política. E, agora, um manual de sobrevivência da grande imprensa.

*Rudá Ricci é sociólogo, diretor Geral do Instituto Cultiva, membro da Executiva Nacional do Fórum Brasil do Orçamento (www.forumfbo.org.br), membro do Observatório Internacional da Democracia Participativa e autor de “Terra de Ninguém” (Editora Unicamp), co-autor de Lulismo (Editora Contraponto/Fundação Astrojildo Pereira), entre outros. Colunista da Band News FM MG

Confira a tradução em português da íntegra do pedido, que está no site da entidade:

E aí turma da Barão de Limeira? E aí pessoal das outras redações, agora é notícia ou não é???

 

A Folha de São Paulo se engrandeceria desistindo da ação judicial contra um blog satírico independente

Um mês após seu lançamento, o blog independente Falha de São Paulo, que parodia o maior diário do Brasil A Folha de São Paulo, enfrenta um processo aberto pelo diário por “uso indevido de marca”, devido à semelhança entre os dois nomes e ao logotipo do blog.

Não satisfeito depois de ter conseguido o encerramento do site, o jornal iniciou um novo processo contra seus autores e reclama agora uma indenização financeira por danos morais. No entanto, parece pouco provável que o mais importante diário do país possa efetivamente ser lesado por um blog independente.

O blog, gerido por Lino e Mário Ito Bocchini, troçava sobretudo da insistência com que o jornal atacava Dilma Rousseff, candidata vitoriosa da última eleição presidencial e chefe de Estado a partir de 1 de Janeiro de 2011. Como lembram os dois irmãos no seu site: “A internet teve peso inédito na campanha eleitoral, que terminou com a vitória da candidata de Lula (Dilma Rousseff). A atuação de centenas de blogs foi especialmente importante porque, em sua maioria, eles apoiaram a candidata de esquerda (Dilma Rousseff) e, por outro lado, praticamente toda a mídia convencional (rádio, TVs, jornais e revistas) defendeu fortemente o candidato de oposição, José Serra.”  

A família Frias, proprietário do jornal, dispõe de meios para pagar as despesas do processo. O mesmo não sucede com os irmãos Bocchini (um é jornalista e o outro designer), que se encontram, devido à ação judicial, em graves dificuldades financeiras. Eles não têm possibilidades de se defenderem eficazmente desse processo, totalmente ignorado pela mídia tradicional, controlada por um punhado de famílias influentes.

Essas ações, que procuram asfixiar financeiramente um meio de comunicação, ilustram uma nova forma de censura. O desfecho desse caso poderia constituir um precedente perigoso em matéria de direito à caricatura, parte integrante da liberdade de expressão e de opinião. É por esse motivo que solicitamos à direção de A Folha de São Paulo que renuncie a esse combate desigual e que desista do processo contra o blog dos irmãos Bocchini. Esse gesto contribuiria para a reputação do diário, que mostraria assim seu apego à livre circulação das ideias, opiniões e críticas, garantidas pela Constituição Federal de 1988. A mídia deve aceitar estar exposta à crítica pública como qualquer outro poder ou instituição.

Os dois irmãos já criaram um site alternativo: http://desculpeanossafalha.com.br/. Várias personalidades, entre as quais o ex Ministro da Cultura Gilberto Gil, gravaram mensagens de vídeo em que condenam a censura e o processo aberto pela Folha

Por Luciano Martins Costa em 17/11/2010

Comentário para o programa radiofônico do OI, 17/11/2010

Os responsáveis pelos indicadores da liberdade de informação podem marcar um ponto positivo para o Brasil nesta semana, com a decisão do Superior Tribunal Militar de permitir o acesso de jornalistas, historiadores e outros estudiosos ao processo que condenou à prisão a presidente eleita, Dilma Rousseff, em 1970.

A Folha de S.Paulo vinha tentando desde maio obter a liberação dos documentos, que estavam trancados em um cofre do tribunal, mas o acesso estava vetado pelo presidente do STM, ministro Carlos Alberto Marques, por causa do risco de uso eleitoral de seu conteúdo.

São ao todo 16 volumes que relatam interrogatórios de 72 réus, entre os quais a militante do movimento de resistência armada contra a ditadura militar que veio a ser eleita presidente da República no dia 31 de outubro.

Foram dez votos a favor da liberação de consultas contra apenas um, do almirante Marcos Martins Torres, relator do processo, que apresentava como justificativa, entre outras, a necessidade de preservar a privacidade dos réus.

Primeiras vítimas

A Folha de S.Paulo e outros interessados somente poderão consultar o processo após a publicação da ata da sessão, o que está previsto para a próxima semana.

Inicialmente, apenas representantes do jornal paulista terão esse direito, uma vez que a liberação ocorreu a seu pedido. Depois, qualquer pesquisador que se credenciar como tal poderá também ler os autos.

A advogada da Folha lamentou que a liberação só tenha ocorrido depois das eleições.O jornal certamente prepara uma reportagem especial com base nos documentos. No entanto, sabe-se desde já que os registros contêm elementos contraditórios: ali não consta, por exemplo, a descrição de torturas a que a militante Dilma Rousseff teria sido submetida durante os interrogatórios.

Em princípio, qualquer jornalista que receba a tarefa de analisar os documentos tem por obrigação levar em conta que, naquele período, o Judiciário estava submetido aos rigores da ditadura. Portanto, nem tudo o que está registrado é a verdade dos fatos, e muitos dos fatos reais estarão ausentes desses registros.

Como se sabe, a verdade e a Justiça são algumas das primeiras vítimas dos regimes ditatoriais

Laryssa Borges

Direto de Brasília

O presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra, defendeu nesta quinta-feira (16) o afastamento imediato da ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra. Em nota à imprensa, o tucano disse que, diante das denúncias de tráfico de influência envolvendo setores do governo e empresas privadas, o afastamento da ministra é a única alternativa para que se garanta uma investigação “séria, profunda, transparente e sem farsas”.

“Seu afastamento é essencial e deve ser imediato. Diante de tamanho escândalo, não mais se trata de ganhar ou perder votos, de assunto eleitoral, para onde o governo, a candidata e o PT tentaram desviar. O caso é de polícia”, disse o dirigente tucano.

“Somente o afastamento da atual ministra-chefe da Casa Civil vai permitir a investigação séria, profunda, transparente e sem farsas, que o Brasil exige e o governo tem a obrigação de permitir. Caso contrário, será mais um crime envolvendo o PT e suas principais lideranças a ser empurrado para debaixo do tapete”, completou o senador.

Reportagem da revista Veja aponta que o filho da ministra, Israel Guerra, teria recebido R$ 5 milhões da MTA Linhas Aéreas como “taxa de sucesso” na intermediação de uma transação.

De acordo com reportagem publicada nesta quinta pelo jornal Folha de São Paulo, o filho de Erenice também é acusado, por uma empresa de Campinas (SP), de cobrar dinheiro para obter liberação de empréstimo no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

Segundo a publicação, a EDRB do Brasil Ltda. diz que seu projeto de instalar uma central de energia solar no Nordeste estava parado desde 2002 na burocracia federal até que, no ano passado, seus donos foram orientados por um servidor da Casa Civil a procurar a Capital Consultoria. Empresa em nome de um dos filhos de Erenice, Saulo, e que, de acordo com denúncias, foi usada por outro, Israel, para ajudar uma empresa do setor aéreo a fechar contrato com os Correios.

Na quarta-feira (15), a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também já havia pedido o afastamento de Erenice Guerra da Casa Civil por considerar haver risco de ela atrapalhar o curso das investigações. “As acusações (…) colocam em xeque a credibilidade do próprio governo. A partir do momento em que se coloca em dúvida a credibilidade e a postura da ministra, isso é algo que deveria atrair o imediato afastamento dela. Não se pode falar em moralidade, em transparência e em apuração se ela se mantiver no cargo. É necessário que ela seja afastada do cargo, a fim de que haja uma efetiva apuração, sem qualquer possibilidade de influência”, disse a OAB.

Fonte: Portal Terra

do Brasília Confidencial

ROBSON BARENHO

    O jornal Folha de São Paulo publicou domingo que Brasília Confidencial é distribuída diariamente a 556.000 endereços. Atribuiu esse número às contas da empresa editora. E, pra variar, a Folha errou e informou mal seus leitores. Os dados que o diário paulistano usou foram publicados por Brasília Confidencial há mais de dois meses – na edição de 1º de junho. Estão desatualizados. O público de Brasília Confidencial mais do que dobrou nos últimos 50 dias. Éramos 556.000 em 1º de junho. Hoje somos 1.236.382.

    A curta trajetória de Brasília Confidencial é de crescente conquista de leitores. A Folha, ao contrário, perde público, quase sem parar, há pelo menos dez anos. Em 2000, o Instituto Verificador de Circulação (IVC) atribuiu ao jornal a circulação média diária de 441.000 exemplares. No ano passado, ficou em 295.000 exemplares. Isso é menos de 25% da circulação de Brasília Confidencial, que é gratuita.

    A citação de Brasília Confidencial na edição dominical da Folha não foi provocada, claro, pela necessidade do decadente pasquim paulistano de conquistar leitores. Até porque, não há Brasília Confidencial que a livre desse drama ou o amenize. O que moveu a Folha foi a intenção ou o dever de prestar serviço à candidatura de José Serra (PSDB). Em discurso pronunciado quinta-feira a seus aliados da Associação Nacional dos Jornais, presidida por uma executiva da Folha, Serra acusou o governo de financiar o que chamou de “blogs sujos” – e que, aliás, não se animou a citar, dificultando a seus aliados o cumprimento da pauta.

    A Folha sabe que Brasília Confidencial não é blog e talvez até saiba que, diferentemente dela mesma, Brasília Confidencial não veicula mentiras, baixarias, calúnias e coisas do gênero. Também diferentemente da Folha, Brasília Confidencial não inventa fatos. Então, para o esforço de cumprir a pauta de Serra, restava ao jornal a alternativa de apurar um suposto financiamento do Governo Lula a Brasília Confidencial. A missão resultou em notório fracasso, pela razão soberana e simples de que Brasília Confidencial não foi e não é financiada por qualquer governo nem por qualquer instituição pública.

    A Folha tentou disfarçar seu fracasso com uma denúncia risível: a de que Brasília Confidencial, “pró-Dilma e antitucana”, é produzida pela empresa Lanza Comunicação. É uma descoberta e tanto. A posse do domínio da marca Brasília Confidencial é uma informação pública há 15 meses e, inclusive, já veiculada por alguns concorrentes da Folha. 

    Aliás, as citações críticas a Brasília Confidencial, por outros profissionais e veículos, têm servido para medir a influência deles junto ao público. No caso da Folha, não foi possível perceber influência nenhuma. A exemplo do que já ocorrera quando Brasília Confidencial foi atacada por dois pseudojornalistas de uma revista semanal, nosso cadastro de leitores continuou rigorosamente do mesmo tamanho no mesmo dia e no dia seguinte às suas acusações. Eles e a Folha não são levados a sério. Com toda justiça. Um jornal que cita como exemplo de comprometimento com o governo a “reprodução de banner para campanha de vacinação” já perdeu qualquer noção sobre o que seja o interesse do público.