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Nota à imprensa – Governo federal e a substituição na Presidência do Paraguai

Deputado Sérgio Guerra, presidente do PSDB
O PSDB assiste, com preocupação, à reação do governo brasileiro aos fatos ocorridos recentemente no Paraguai – a saída de Fernando Lugo da Presidência da República e sua substituição por Federico Franco.
Entendemos que, a despeito da velocidade do processo, não houve rompimento das leis do país, tampouco ataque à ordem vigente na nação vizinha. Tanto que o próprio Lugo reconheceu e aceitou a decisão do Legislativo, que também foi referendada pela Corte Suprema de Justiça do Paraguai.
Diante deste quadro, acreditamos que o governo brasileiro age de maneira precipitada quando defende – ou mesmo implementa – sanções ao Paraguai na Unasul e em outras instâncias internacionais.
A autodeterminação dos povos, princípio que rege as relações internacionais do Brasil desde que nos tornamos uma Nação independente, deve também prevalecer neste caso.
Chama-nos a atenção, além disso, a discrepância entre o tratamento concedido pelo governo brasileiro ao Paraguai e o destinado a nações como Cuba, Venezuela e Irã. Parece que, aos olhos do PT, a autodeterminação de uma população vale em alguns casos, e não em outros. O mesmo partido que chama de golpe a substituição de Lugo aplaudiu Lula quando seu líder ironizou as fraudes eleitorais no Irã, tratando as manifestações pela democracia no país asiático como “briga de flamenguistas e vascaínos”.
O PSDB respeita a decisão do Legislativo paraguaio e ressalta que defende a democracia em todas as nações.
Deputado federal Sérgio Guerra
Presidente Nacional do PSDB

A Secretaria Agrária Nacional do Partido dos Trabalhadores vem publicamente repudiar a tentativa de golpe protagonizada pela Câmara Paraguaia, a qual é dominada por partidos conservadores, e que vem constantemente ameaçando a vida democrática daquele país.

O Parlamento Paraguaio – que conta com uma forte representação do latifúndio e de uma elite conservadora – abriu nesta quinta-feira, dia 21/06, processo de impeachment do Presidente Lugo. A alegação dos congressistas é de “negligência” do Presidente Lugo quanto à forma de resolver os conflitos agrários, sem reprimir com violência os movimentos camponeses sem terra. O Presidente Lugo sempre buscou tratar os conflitos agrários com diálogo e negociação, e não da forma violenta como historicamente os conflitos sociais sempre foram tratados no país.

Desde 2009, o Presidente Fernando Lugo vem denunciando as ações permanentes dos setores ultraconservadores da sociedade para destituí-lo da Presidência da República. Restando apenas nove meses para novas eleições presidenciais no Paraguai, a democracia e os avanços sociais estão sendo ameaçados por estes setores conservadores da sociedade paraguaia, desesperados frente à iminente possibilidade de continuidade do governo.

Externamos nossa solidariedade à toda sociedade paraguaia! Somente a mobilização popular, a organização e a resistência poderão frear este atentado à democracia!
Em defesa da Reforma Agrária e pelo fim da violência no campo!

Dep. Bohn Gass
Secretário Agrário Nacional do PT

 

Há duas efemérides marcantes neste domingo, 11 de setembro.

A menos relevante para nós  é aquela que a mídia colonizada trombeteia ad nauseam: o décimo aniversário de um atentado nebuloso nos EUA, com grande possibilidade de ter sido urdido ou, ao menos, consentido pelos que depois surfaram na onda da indignação provocada. Algo como uma versão atualizada do incêndio do Reichstag.
O certo é que deu pretexto para o desencadeamento de uma escalada repressiva/intervencionista que fez lembrar a intolerante e paranóica década de 1950 — aqueles anos terríveis do macartismo e da guerra fria.
Os efeitos da pirotecnia atribuída a Osama Bin Laden, contudo, pouco se fizeram sentir no Brasil — ao contrário dos de um atentado que golpeou duramente as aspirações dos povos latino-americanos, destruindo um dos mais generosos experimentos socialistas do século passado.

Deixando de lado a pauta da imprensa espiritualmente satelizada pelo Império (*), eu quero mesmo é reverenciar um dos maiores heróis da nossa sofrida América Latina: Salvador Allende, o  compañero presidente.

Que nunca pretendeu, no poder, ser nada além de outro militante revolucionário, como todos os seus companheiros de jornada na luta por um Chile com liberdade e justiça social.
E que, naquele terrível 11 de setembro de 1973, não aceitou curvar-se aos tiranos, preferindo a morte digna à fuga indigna que lhe ofereceram.
Então, as palavras que endereçou ao povo pelo rádio, na iminência do martírio, inspirarão para sempre os combatentes por um mundo redimido do pesadelo capitalista:

Colocado numa transição histórica, pagarei com minha vida a lealdade do povo. E lhes digo: tenho certeza de que a semente que entregaremos à consciência de milhares e milhares de chilenos não poderá ser extirpada definitivamente. Trabalhadores de minha Pátria! Tenho fé no Chile e em seu destino. Outros homens se levantarão depois deste momento cinza e amargo em que a traição pretende se impor. Sigam vocês sabendo que, bem mais cedo do que tarde, vão abrir-se de novo as grandes alamedas por onde passará o homem livre, para construir uma sociedade melhor.

* E que ninguém venha me falar em números redondos e quebrados: aposto até meu último centavo que, em 11 de setembro de 2013, a mídia servil dará muito mais destaque aos 12 anos do atentado ao WTC do que aos 40 anos da morte de Allende.