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Há cerca de sete anos, o camarão era o principal produto da pauta de exportações do Estado. Hoje, a realidade é outra. Os produtores estão mudando o foco e produzindo principalmente para atender ao mercado interno. O alto custo da produção aliado à   queda do dólar e à conjuntura econômica desfavorável fizeram com que o volume exportado caísse significativamente.

DivulgaçãoHá cerca de oito anos, o camarão produzido no Rio Grande do Norte abastecia basicamente a Europa. Hoje os principais compradores são os Estados do Sul e SudesteHá cerca de oito anos, o camarão produzido no Rio Grande do Norte abastecia basicamente a Europa. Hoje os principais compradores são os Estados do Sul e Sudeste

A pauta de exportações do Estado e as mudanças pelas quais o setor exportador como um todo vem passando serão alvo das discussões da segunda edição do ano do projeto Motores do Desenvolvimento do Rio Grande do Norte, uma realização da TRIBUNA DO NORTE, Fiern, Fecomércio/RN e RG Salamanca Investimentos, com patrocínio do Banco do Brasil, Governo do Estado, Assembleia Legislativa e Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern). O tema escolhido é o “Setor Exportador: Agronegócio e Pesca” e o evento será realizado no próximo dia 22, no auditório Albano Franco, na Casa da Indústria, a partir das 8h.

Uma das palestras, ministrada pelo diretor-presidente da Camanor, Werner Jost, tratará do futuro da carcinicultura no Estado já que a crise na atividade atingiu em cheio boa parte dos produtores.

Para o presidente da Associação Brasileira de Criadores de Camarão, Itamar Rocha, a recuperação do mercado externo é uma possibilidade remota, embora a produção do crustáceo esteja crescendo. “O foco agora é o mercado interno”, diz. A expectativa dos carcinicultores é produzir de 75 mil a 80 mil toneladas este ano, no ano passado foram 65 mil toneladas, no país.  

Mas apesar desse crescimento na produção, isso não quer dizer que os níveis de exportação devam acompanhar. “Não há perspectiva de retomada das exportações agora. Não vejo mudanças a curto prazo porque não há nenhuma reação na questão do câmbio”, afirma Itamar Rocha. E complementa afirmando que, hoje, o mercado interno é tão atrativo quanto o externo já foi há alguns anos. “A demanda por camarão no mercado interno é crescente. Tanto é que estamos observando que produtores internacionais interessados em entrar no mercado nacional”, diz.

Produção

O crescimento no volume de camarão produzido é uma realidade. No âmbito estadual, a queda do ICMS, a partir de 2008, foi importante para impulsionar a produção para o mercado interno. Em 2003, a produção destinada ao mercado interno girava em torno de 25 mil toneladas. Este ano a expectativa do setor é  comercializar 75 mil toneladas, um salto significativo em um período de sete anos.

“Antes tínhamos 20, 25 empresas que exportavam e mil produzindo. Agora tenho 1.200 produzindo e essas 1.200 são vendedoras. O empresário está mais próximo do consumidor brasileiro do que estavam dos americanos e europeus. Isso ajudou muito na penetração do nosso produto”, afirma Itamar Rocha. Ele acredita que o Brasil tem condições de consumir internamente 300 mil toneladas de camarão ao ano.

Produtores querem incentivos para retomar exportações

A retomada da exportação de camarão é uma possibilidade remota, mas que ainda existe. Para o presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Camarão (ABCC), Itamar Rocha,  para que isso pudesse se efetivar seria necessário que, além do câmbio favorável, o governo concedesse incentivos para os produtores.

Segundo cálculos da ABCC, a diferença entre produzir um quilo de camarão no Brasil e no Equador é que, no país vizinho, o custo é 1 dólar menor. “Não estou falando da China nem do Vietnã, mas de um país da América do Sul. Então, se nos fosse disponibilizado algum incentivo equivalente a um dólar, garanto que nós íamos recuperar a exportação”, disse Itamar Rocha.

Ele frisa que os produtores não estão falando em subsídios e sim em compensação financeira. “Nós estamos pedindo ao governo um dólar por quilo de camarão exportado, que é algo muito mais baixo que o governo já dá para os pescadores no subsídio do óleo diesel, por exemplo”. No próximo mês, Itamar Rocha deve ir a Brasília para uma audiência conjunta com os ministros da Pesca, Altemir Gregolin, e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Wagner Gonçalves Rossi, para discutir o apoio governamental à carcinicultura.

O incentivo seria, principalmente, para compensar a questão cambial – que é um dos principais empecilhos para a retomada da exportação do crustáceo. Com o custo de produção alto e o dólar em baixa, exportar já não é um negócio tão lucrativo. “Para se ter uma ideia, entre 2002 e 2004 um dólar valia cerca de R$ 3,00. Hoje, seis anos depois, com o aumento dos salários, encargos, energia e combustíveis, o valor do dólar é R$ 1,65. A atividade fica praticamente inviável”, avalia Itamar Rocha. 

O presidente da ABCC lembra ainda que questões climáticas também podem influenciar na retomada das exportações. Com o tsunami ocorrido na Indonésia há alguns dias, há perspectivas de que a produção asiática seja prejudicada e o mercado europeu deve procurar outros fornecedores.

Curiosidade

O consumo de camarão pelo brasileiro hoje está na faixa das 500 gramas (meio quilo) por pessoa por ano, enquanto o consumo de carne vermelha no ano passado foi de 52 quilos/pessoa. Se compararmos o preço do quilo de camarão, no produtor, com o valor do quilo da carne vermelha, o camarão é igual, ou mais barato, e se trata de um produto nobre.

Outro dado interessante: enquanto no brasil se consome 500 gramas de camarão por pessoa ao ano, na China esse número é o dobro: 1 kg quilo. O México consome 1,6 kg de camarão por cada habitante ao ano, os Estados Unidos consomem 2,4 kg, e a Espanha pouco mais de 3 kg