Posts Tagged ‘Imperialismo Estadunidense’

(via @defesanet)


CARTA CAPITAL
Marina Amaral e Natalia Viana

Aos olhos do serviço diplomático dos Estados Unidos, em especial durante a era Bush, a posição independente do Ministério das Relações Exteriores, capitaneado por Celso Amorim, hoje ministro da Defesa, parecia uma constante provocação. Nos telegramas vazados pelo WikiLeaks, o MRE é acusado de dificultar as relações bilaterais por suas “inclinações antiamericanas”, definidas por um ministro “nacionalista” e um secretário-geral “antiamericano virulento” (Samuel Pinheiro Guimarães), e secundado por um “acadêmico esquerdista” (Marco Aurélio Garcia), conselheiro de política externa do presidente Lula.

“Manter a relação político-militar com o Brasil requer atenção permanente e, talvez, mais esforço do que qualquer outra relação bilateral no hemisfério”, desabafava o embaixador John Danilovich, em novembro de 2004.

Foi ele que, numa reunião em março de 2005, tentou convencer Amorim da ameaça “cada vez maior” que a Venezuela representava à região. A resposta “clara” e “seca” do chanceler desapontou o americano: “Nós não vemos Chávez como uma ameaça. Não queremos fazer nada que prejudique nossa relação com ele”. E cortou o assunto.

O sucessor de Danilovich, Clifford Sobel, teve mais sorte. O ex-ministro da Defesa Nelson Jobim era interlocutor contumaz do embaixador, a ponto de confidenciar sua irritação com o MRE, em especial com Pinheiro Guimarães. Tornou-se peça vital em uma estratégia diplomática americana que explorava a divisão dentro do governo em proveito próprio, como revelam os telegramas.

Em fevereiro de 2009, já com Obama na Presidência dos Estados Unidos, Sobel enviou uma série de três informes, sugerindo formas de contornar o triunvirato “esquerdista” da política externa brasileira. O jeito, afirma, seria fazer aliança com o setor privado, que tem “habilidade para conseguir aprovar iniciativas junto ao governo” e tentar uma aproximação direta com Lula e outros ministros que poderiam defender a causa americana.

Uma “estratégia testada”, afirma Sobel, citando entre outros exemplos o caso da transferência para o Brasil dos 30 agentes da DEA, a agência americana de combate às drogas, expulsos da Bolívia por Evo Morales no fim de 2008. “Apesar da recusa do MRE de conceder vistos aos agentes, conseguimos realizar a transferência com a ajuda da Polícia Federal, da Presidência da República e de nossas excelentes relações com o ministro da Justiça (Tarso Genro)”, gaba-se.

O segundo telegrama foca os minguados recursos humanos e financeiros do Itamaraty, apresentando-os como oportunidade para os Estados Unidos. Muitos cargos diplomáticos estavam sendo preenchidos por “trainees e terceiros-secretários” por falta de pessoal para as novas embaixadas brasileiras, observa o embaixador americano, acrescentando que seria “crucial influenciar essa nova geração”.

“Os franceses instituíram um programa de intercâmbio diplomático com o Itamaraty em 2008, semelhante ao nosso Transatlantic Diplomatic Fellowship, e agora têm um diplomata trabalhando no Departamento Europeu do Itamaraty. Uma proposta similar seria válida para conseguir um posto que nos permita observar de dentro esse ministério-chave e mostrar como os Estados Unidos executam sua política externa”, sugere.

No terceiro telegrama, Sobel afirma que, embora o MRE continuasse a ser o líder incontestável da política externa brasileira, o crescimento internacional tendia a erodir seu controle. Apesar da falta de hábito das instituições brasileiras em lidar diretamente com governos estrangeiros, alguns ministérios como o do Meio Ambiente e, principalmente, o da Defesa estabeleceram relações diretas com a embaixada norte-americana em Brasília, relata.

Um telegrama enviado em 31 de março de 2009, depois da visita do presidente Obama ao Brasil, dá um exemplo prático da eficiência dessa estratégia. Pedindo sigilo absoluto de fonte, o embaixador conta que Jobim pretendia contribuir com o combate ao narcotráfico na região, possivelmente através do Conselho de Defesa Sul-Americano (CDS) criado pela União Sul-Americana de Nações (Unasul). “Ele disse que o CDS poderia ser o canal perfeito para conseguir o engajamento dos militares dos outros países sem passar pelo MRE”, escreve, acrescentando que o então ministro da Defesa estaria disposto a envolver os militares no combate ao tráfico nas fronteiras brasileiras. “O plano de Jobim sinaliza um grande passo, uma vez que o assunto é altamente sensível internamente, no governo, e para o público brasileiro”, comenta.

Também durante as tratativas frustradas de compra dos caças, Jobim e os líderes militares agiram longe do Itamaraty, como mostram os cerca de 50 telegramas sobre o tema. Em um deles, Sobel relata a visita da comitiva presidencial à França e comenta, com ironia, as reportagens da imprensa brasileira que afirmam o apoio de Lula, Amorim e Jobim à aquisição dos caças Rafale: “Talvez isso seja mais um marriage blanc do que amour veritable”, diz. E explica: “Nos encontros privados com o embaixador, Jobim minimizou a relação com a França e manifestou um claro desejo de ter acesso à tecnologia americana. O obstáculo é o Ministério das Relações Exteriores”.

Sobel também se reuniu com os comandantes das Forças Armadas para pedir “conselhos” sobre as chances de os caças da Boeing vencerem a concorrência de quase 10 bilhões de reais. Ficou entusiasmado com o resultado: “Os apoiadores mais fortes do Super Hornet (o F-18 americano) são as lideranças militares, em particular o comandante da aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito”, relata em telegrama de janeiro de 2009.

O embaixador também obteve “uma cópia não oficial” de uma Requisição de Informações da aeronáutica (passada eletronicamente para Washington), que “permite planejar os próximos passos para os Estados Unidos vencerem a negociação”. Além de garantir que o preço não seria o principal critério da escolha, o documento informa que a Embraer, “principal beneficiária de qualquer transferência de tecnologia”, consideraria “desejável a oportunidade de estabelecer uma parceria com a Boeing”, principalmente se houvesse “a intenção de oferecer uma cooperação adicional na área da aviação comercial”.

À luz dos telegramas do WikiLeaks, o relatório apresentado em janeiro de 2010 pela FAB ao ministro Jobim, colocando a aeronave sueca como melhor opção, exatamente por causa dos custos, traz novas indagações. O Rafale francês foi classificado em terceiro lugar, atrás dos caças americanos, esse sim apontado como o de melhor tecnologia. Mas não era o preço que importava, não é?

 

Ao saudar a visita que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fará ao Brasil neste fim de semana, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) sugeriu que ele anuncie o fim do bloqueio econômico a Cuba durante o pronunciamento que fará ao povo brasileiro no domingo (20) na Cinelândia, área central do Rio de Janeiro.

– Que possa a Cinelândia se encher do povo brasileiro e possa o presidente Barack Obama estar certo de que, no seu discurso, quando ele disser que vai acabar com o bloqueio, com o embargo contra Cuba, ouvirá a reação positiva, os aplausos do povo brasileiro e dos povos das Américas – opinou Suplicy.

Na opinião do senador, a visita de Obama ao Brasil, que incluirá encontros com a presidente Dilma Rousseff em Brasília, significa um “acontecimento de extraordinária relevância” para as relações bilaterais entre Brasil e Estados Unidos.

– Eu tenho a convicção de que o presidente Barack Obama representa esperanças muito fortes de todos aqueles que lutaram, ao longo da história, pela liberdade – disse Suplicy ao afirmar que Obama representa os anseios e esperanças explicitadas pelo pastor protestante e ativista político Martin Luther King Jr. nos anos 1960.

Lembrando do discurso que o presidente norte-americano fez em Brandenburgo, na Alemanha, em 24 de julho de 2008, Suplicy conclamou Obama a dar um fim ao bloqueio econômico a Cuba e também criticou o tratamento dado pelos Estados Unidos à fronteira com o México. No pronunciamento na Alemanha, citou Suplicy, Obama disse que “os muros entre os países que têm mais e os que têm menos não podem continuar. Os muros entre raças e tribos, entre nativos e imigrantes, entre cristãos, mulçumanos e judeus não podem permanecer. Hoje são esses os muros que precisamos derrubar”.

– Eu tenho a esperança de que, ainda durante o seu mandato, possa o presidente Barack Obama tomar as medidas necessárias para não mais precisar haver muros que separem os Estados Unidos do México e do restante da América Latina – afirmou.

Em aparte, o senador João Pedro (PT-AM) elogiou o pronunciamento do colega e afirmou que o bloqueio norte-americano a Cuba perdeu o sentido depois do fim da chamada Guerra Fria.

Da Redação / Agência Senado
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Os chamados “jornalistas independentes” cubanos criam constantemente falsas acusações contra o governo do país, que são convertidas em notícias por centenas de mídias ao redor do mundo. O agente Carlos Serpa, que trabalhou dentro dos grupos contrarrevolucionários, demonstra diante de uma câmera como se fabricam notícias falsas sobre Cuba.

Em vídeo divulgado pelo site Cuba Información, Serpa mostra como divulgava notícias falsas sobre Cuba. Em poucos minutos as “informações” eram reproduzidas nos noticiários de sites dos Estados Unidos e nas agências internacionais, como a Europa Press, uma agência espanhola que se pretende “moderada e equilibrada”.

Ele mesmo demonstra, diante das câmeras, por meio de uma chamada para a Rádio Marti de Miami, como qualquer testemunho inventado chegava, sem nenhuma checagem, aos noticiários de Miami que, por sua vez, são fonte habitual para outras mídias internacionais.

A lista de notícias publicadas nas agências e mídias, cuja fonte foi esse suposto “jornalista independente”, nos últimos anos, é enorme. Alto lógico se levarmos em conta que ele se converteu no “jornalista oficial” das tais Damas de Branco, a preferência mercadológica número um em Cuba das mídias corporativas.

No entanto, Carlos Serpa não foi fonte quase exclusiva somente dos raivosos meios de comunicação de Miami. Também agências e mídias de outros países construíram sua política informativa sobre Cuba sobre seus — quase únicos — testemunhos. É o caso, para citar um exemplo dentre milhares, da agência espanhola, Europa Press, empresa que pretende dar uma imagem de “moderação” e “equilíbrio” a seus leitores.

A revelação de Serpa coloca em questão o futuro das conhecidas “Damas de Branco”, já que horas antes era qualificado pelo grupo como porta-voz e “heroico correligionário”. Serpa contou à TV cubana todos os detalhes da dependência econômica e orgânica das “Damas” ao governo dos Estados Unidos e aos terroristas da máfia cubana de Miami e Porto Rico.
Veja o vídeo (em espanhol):

Destapan que cables de Europa Press y otras agencias reproducían mentiras sobre las Damas de Blanco

Fonte: Vermelho

 

O Brasil estará recebendo no próximo dia 19 de março a visita do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, se as agruras do Norte da África não alterarem os planos. Serão oferecidas ao ilustre visitante as honras de estilo, acompanhadas em edições especiais por todos os meios de comunicação de massa.

Encerradas as homenagens públicas, Obama e a presidenta Dilma Rousseff se reunirão a portas fechadas para discussão de matérias de interesse bilateral. Como de praxe, outros temas, ‘faits divers’ na linguagem diplomática, serão tratados, em especial questões de direitos humanos, de meio ambiente e de política internacional.

E se o assunto Cuba vier à tona ?

Presidente Obama, os Estados Unidos há mais de 50 anos mantêm Cuba num rígido embargo que muitos consideram verdadeiro bloqueio. Durante algum tempo, é certo, quase todos os países da América Latina acompanharam essa atitude rompendo relações com a Ilha. Mas aos poucos foram retomando os contactos e hoje as relações com Havana fluem normalmente. O senhor não acha que a insistente atitude de Washington com Cuba é um resquício da Guerra Fria e não tem mais cabimento?  A política em relação a Cuba não pode mais ser ditada de Miami. Afinal, transcorreu mais de meio século, com efeitos danosos ao povo e à economia cubana. Nenhum outro país sofreu restrição tão prolongada.

O embargo é sustentado por leis aprovadas no Capitólio nesse tempo todo e essas leis regem nossas relações com Havana.

Sabemos disso, mas ano após ano os países com assento nas Nações Unidas vêm pedindo o levantamento do embargo, inclusive com o voto de governos que mantêm estrita lealdade a Washington, como Inglaterra, Austrália, Canadá e tantos outros. Na última sessão da Assembléia Geral que tratou da questão, a votação pelo fim do embargo foi quase unânime. Só Israel votou com os senhores e houve três abstenções.

Nossas relações com Cuba dizem respeito apenas aos Estados Unidos e Cuba.

Não é o que pensa o mundo todo. Tem afetado os interesses de muitos países e empresas privadas que transacionam com Cuba. A Casa Branca precisa ouvir a voz que ecoa em todos os quadrantes do planeta.

Se Cuba adotasse passos concretos em direção à democracia, ao livre mercado e aos direitos humanos, os Estados Unidos poderiam rever essas relações.

Presidente Obama, o senhor sabe que historicamente o povo cubano lutou, de armas na mão inclusive, pela sua soberania. É um povo que coloca a dignidade e a independência em primeiro lugar. Cabe a esse povo e somente a ele, nos marcos de sua autodeterminação, escolher o regime político e econômico em que quer viver. Nesse momento mesmo estão discutindo amplamente profundas alterações em sua economia com evidentes repercussões no âmbito social. Quanto aos direitos humanos há avanços. O presidente Raul Castro concordou, após negociações com a Igreja Católica local, em libertar os últimos 52 dissidentes de um grupo de 75 condenados em 2003. Inclusive Oscar Biscet, o mais conhecido deles, que decidiu, a exemplo de outros, permanecer em Cuba. Desses, restam apenas três em prisão. À parte, o governo cubano libertou mais cerca de 50 presos que não estavam incluídos na lista dos chamados presos políticos e que haviam sido condenados por delitos contra-revolucionários, como seqüestros de embarcações e aviões e atos violentos.

Mas nós também demos passos para suavizar as relações.

No entanto, faltam os decisivos que serviriam para melhorar substancialmente o ambiente e contribuir para abrir caminhos. Não faz muito, os senhores se aproximaram de inimigos de guerra. É o caso da China e o emblemático caso do Vietnã. Decisivo é o fim do bloqueio. E falando de direitos humanos, por que o senhor não reassume a promessa feita em campanha de fechar a prisão de Guantánamo? Isto teria uma enorme repercussão internacional favorável à imagem de seu país.

Tenho problemas políticos agudos, necessito de apoio interno. Ademais, Cuba está na nossa lista de países que apóiam o terrorismo.

Desculpe, presidente Obama, anda livre pelas ruas de Miami o confesso terrorista Posada Carriles. Entretanto, cinco lutadores antiterroristas, Gerardo, Ramón, Antonio, Fernando e René, estão há quase 13 anos encarcerados em prisões americanas. Isto é uma flagrante injustiça! Universalmente, centenas de organizações e comitês formados em todo o mundo, a despeito das dificuldades e do silêncio quase absoluto dos meios de comunicação, clamam por sua libertação justamente em defesa da justiça e dos direitos humanos,

Eles todos foram e estão sendo submetidos à justiça de meu país com todos os direitos.

Com todo o respeito, presidente Obama, o senhor sabe que eles foram condenados a penas draconianas que somaram em conjunto quatro prisões perpétuas mais 77 anos. O julgamento ocorreu em condições que violentaram o devido processo legal e num foro – o de Miami – em clima incrivelmente adverso de pressões e intimidações da mídia e das organizações de exilados cubanos da cidade.

Com todo o respeito também, presidenta Rousseff, a senhora sabe que o poder judiciário em meu país é independente.

O senhor tem formação jurídica e deve sentir que é preciso corrigir uma grande injustiça. Meus assessores me informam que a maneira mais efetiva de resolver este caso é por meio do que a Constituição dos Estados Unidos chama de clemência executiva. O senhor, caro Obama, se assim o desejar, não teria sequer de indultar os Cinco, simplesmente manter a condenação, considerar cumpridos os 12 anos em que estão encarcerados e somente perdoar os anos que restam, sem ter de consultar qualquer instância judiciária. Habitualmente, o presidente dos Estados Unidos revisa os expedientes merecedores de tal tipo de clemência e permite que os réus saiam em liberdade depois de considerar sua sentença, por mais longa que seja, como tempo já cumprido. Se o senhor exercer a clemência executiva neste caso, as relações de Cuba com os Estados Unidos alcançarão novo patamar e abrirão caminho para outros sólidos avanços de lado a lado e que seu gesto será muito bem recebido em toda a América Latina, refletindo um profundo desejo de justiça e de respeito aos direitos humanos.

Bem, senhora presidenta Dilma, diante de argumentos tão consistentes, veremos o que se pode fazer.

Estaremos torcendo, presidente Obama.

Max Altman

14 de março de 2011

Wladmir Coelho
            A invasão do Iraque respeitou um roteiro semelhante ao apresentado para justificar o bloqueio ao Irã, ou seja, existência de armas ilegais – no caso iraniano a questão atômica – associada ao desrespeito as liberdades. Naturalmente o tema petróleo fica oculto nos documentos oficiais, mas sabemos todos da importância do Oriente Médio para a segurança energética dos Estados Unidos.
            Sofrer intervenções externas em função do controle do petróleo não é novidade na história recente do Irã a última ocorreu em 1953 quando o primeiro ministro Mohammed Mossadegh foi deposto após nacionalizar a exploração petrolífera. A respeito deste episódio o historiador da CIA Tim Weiner revela em seu livro, Legado de Cinzas, todo o preparativo do golpe através das embaixadas dos EUA e Inglaterra incluindo a participação do Aiatolá Khomeini inconformado com o caráter laico do governo Mossadegh.
            Voltando ao século XXI observamos no Irã à existência de um regime religioso ou clerical no qual existem claros limites a participação do cidadão não associado à religião oficial na vida política nacional, mas estes limites também ocorrem, por exemplo, entre os árabes e noruegueses que restringem a participação no governo aos membros da Igreja oficial. Os EUA pretendem bombardear estes países? A resposta é não. Estes governos não criam obstáculos aos seus interesses e podem apresentar qualquer forma de restrição democrática.
            No caso especifico do Irã a Revolução Islâmica, no final dos anos 70, representou uma modificação nas relações comerciais com os EUA criando para os antigos persas a necessidade de busca por novos consumidores. Neste momento surgem os chineses e seu imenso apetite por petróleo.
            Em 2010 a China assumiu a condição de maior investidor estrangeiro no Irã controlando aproximadamente 100 empresas de extração e comercialização de petróleo. A compra de armas, atividade tradicionalmente paralela ao ramo petrolífero, do Irã também ocorre preferencialmente através dos chineses.
            Ampliando do Irã para o Oriente Médio vamos observar uma clara dependência dos Chineses, a mesma dos EUA, do petróleo produzido nesta região existindo cálculos apresentando valores de 58% do total consumido na China em 2010 com estimativas de aumento para 70% em 2015. O problema para os chineses está na presença militar estadunidense gerando a possibilidade – em caso de conflito entre as duas potências – de embargo do fornecimento petrolífero e conseqüente paralisação das atividades econômicas.
              No caso dos Estados Unidos precisamos lembrar o método de trabalho quando o tema é petróleo não existindo simplesmente uma atitude egoísta em controlar áreas produtivas. A segurança energética dos EUA considera a idéia de “pico da produção” entendendo a existência da produção máxima petrolífera e sua queda a partir de sua verificação tornando necessário o controle imediato das reservas conhecidas.
             A China apoiou a resolução 1929 da ONU instituindo o bloqueio ao Irã, mas apresenta-se preocupada diante dos recentes episódios visando a queda do regime e busca meios de atenuar mostrando-se favorável a negociação no sentido contrário os EUA amplia a pressão para liquidação econômica do Irã. Neste ponto a presidente da Comissão de Assuntos exteriores da Câmara a republicana Ross-Lehtinen anuncia claramente a intenção de derrubar o regime iraniano para “impor” a democracia naquele país. Para quem duvida das intenções da deputada basta lembrar-se de suas declarações defendendo o assassinato de Fidel Castro e seu apoio aos movimentos separatistas do Tibet. Este é o pensamento da maioria dos deputados da grande democracia.
            Para piorar a situação existe sempre a possibilidade de invasão do Irã podendo ocorrer através das forças militares de Israel – este plano está pronto e anunciado desde 2009 – fato gerador de um conflito maior envolvendo todo o Oriente Médio com possibilidade de aplicação de artefatos atômicos e isso não seria nada bom para todo o planeta. Este é o mundo comercial do petróleo.

Fonte: http://politicaeconomicadopetroleo.blogspot.com

DEBATE ABERTO


O militarismo engendrado pelo imperialismo é a ruína da própria democracia norteamericana. Os EUA devem abdicar de seu imperialismo caso queiram preservar sua democracia. Estas são algumas teses centrais formuladas pelo especialista em política internacional, Chalmers Johnson, que morreu aos 79 anos, dia 20 de novembro.
Antonio Lassance

O imperialismo é uma forma de tirania. O militarismo engendrado pelo imperialismo é a ruína da própria democracia norteamericana. Os Estados Unidos devem abdicar de seu imperialismo caso queiram preservar sua democracia.

Estas são algumas teses centrais formuladas pelo especialista em política internacional, Chalmers Johnson, que morreu aos 79 anos de idade, no último sábado, dia 20 de novembro de 2010.

Há quem diga que ele rivalizava com Henry Kissinger no que se referia à proposição de macro-objetivos para a política externa dos EUA. Uma espécie de espelho invertido do ex-chanceler de Nixon.

Conforme Johnson, a lógica da guerra absorvia a tal ponto a dinâmica da política norteamericana que sugava parte significativa de seus recursos, fazia que seu governo passasse a ser movido cada vez mais por segredos de Estado e elevava as ameaças aos direitos dos cidadãos dentro dos próprios Estados Unidos. A escalada militar tinha todos os ingredientes para a criação de um monstro, uma presidência imperial, com poderes demais e controle de menos, o reverso do sistema de pesos e contrapesos que os pais fundadores do constitucionalismo estadunidense haviam propugnado.

O livro “Blowback: the costs and consequences of American Empire” (“O tiro pela culatra: custos e consequências do Império americano”), de 2000, virou um sucesso de vendas após o 11 de setembro. Os EUA perceberam claramente que seus ataques a locais supostamente remotos os sujeitavam a contra-ataques domésticos ferozes, apocalípticos. Mais que isso, o governo Bush trilhou caminhos que cumpriam rigorosamente o roteiro da profecia de Johnson: restrições a direitos individuais, expansão armamentista, com a necessidade “imperiosa” de guerras como as do Afeganistão e Iraque, tibieza da oposição, multiplicação de operações secretas e explosão do orçamento militar.

O curioso é que Johnson foi consultor da CIA (Central de Inteligência Americana) durante a Guerra Fria. A amarga experiência da derrota no Vietnã parece ter sido decisiva para sua guinada anti-imperialista e antimilitarista.

Grande pesquisador dos países asiáticos e do Leste Europeu, disseminou nos EUA e Inglaterra conceitos importantes, mais comuns à América Latina e Europa, como os de “Estado desenvolvimentista” e “capitalismo de Estado”. Sua análise sobre o dirigismo estatal no capitalismo japonês tem sido resgatada recentemente como referencial para a análise do capitalismo chinês.

A propósito, com relação à China, ele insistiu na mesma tecla de suas análises tardias sobre a guerra do Vietnã: o pano de fundo capitalismo versus comunismo, na verdade, se movia por algo mais básico às relações internacionais, o nacionalismo. A mesma conclusão, igualmente tardia, que Robert McNamara (ex-secretário de Defesa de Kennedy) expressa melancolicamente no documentário de Errol Morris, “A névoa da guerra” (“The fog of war”, 2004).

Ilhado por defensores agressivos do neoliberalismo, Chalmers Johnson era um herético com suas teses sobre o desenvolvimento dirigido pelo Estado. Para os adeptos da teoria da escolha racional, cuja pretensão maior é a de reduzir os problemas da humanidade a expressões algébricas que podem ser resolvidas friamente, ele era tido por heterodoxo demais.

Alguns poderiam pensar que os riscos aventados por Johnson dissiparam-se com o fim da presidência de George W. Bush. Não é o que parece. O avanço de uma direita facista nos Estados Unidos, representada pelo movimento “Tea Party”, já foi considerado uma hipótese remota; hoje é um fato consumado. Se julgava, até pouco tempo, que os políticos tradicionais do Partido Republicano conseguiriam bloquear tal investida e evitariam uma radicalização. Dizia-se também que um descaminho pela ultradireita condenaria o partido à condição de absoluta minoria. Mais uma aposta desfeita. Ao que tudo indica, o profeta fez soar suas trombetas na direção certa, para os que estivessem dispostos a ouvi-lo.

Antonio Lassance é pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e professor de Ciência Política