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Ana Cláudia Barros

Um misto de tristeza e raiva. Assim definiu o autônomo J., 42 anos, o que estava sentindo após o ataque sofrido em uma feira agropecuária no município de São João da Boa Vista, em São Paulo. Ele e o filho, de 18 anos, foram surrados por um grupo, que presumiu se tratar de um casal de homossexuais. Pai e filho estavam abraçados. Este simples detalhe despertou a reação dos agressores. O autônomo levou a pior e teve parte da orelha decepada. A violência foi praticada com um objeto cortante, segundo ele.

Ainda tentando digerir o que aconteceu, J. contou a Terra Magazine que ficou boa parte do tempo desmaiado.

– O cara achou que a gente era gay. Falei que não. A gente não é gay mesmo. Ele estava com um grupo. Houve um tumulto na hora, mas acabou ali. Depois de um certo tempo, voltaram. Atacaram por trás. Mas não sei quantos me bateram. Fiquei desacordado. Tomei uma pancada no queixo, desacordei. O sentimento é de tristeza e, ao mesmo tempo, de raiva. Vai chegar um tempo em que não se poderá mais sair de casa – afirmou, emendando:

-Fomos (ao evento) para nos divertir. Meu filho saiu de São Bernardo do Campo só pela festa e aconteceu uma barbaridade dessa. O que ocorreu foi pura maldade.

J., que nesta quarta-feira (20) será avaliado por médicos do Hospital das Clínicas, em São Paulo, conta que pensa agora em retomar a rotina. “Foi um susto, mas já passou. A gente precisa trabalhar, né?”

O caso, registrado como lesão corporal, está sendo investigado pelo 1º Distrito da Polícia Civil de São João Boa Vista, onde foi instaurado inquérito.

 

Veja também:
» SP: pai e filho são confundidos com casal gay e espancados

 

Terra Magazine

‘Eu não estaria exercendo um bom papel’, disse defensor de suspeito.
Câmeras de segurança gravaram quando vítima foi golpeada

Depois de ver as imagens gravadas por câmeras de segurança que mostram como foi a agressão contra um jovem na Avenida Paulista, na manhã de domingo (14), um dos advogados de defesa abandonou o caso. Ele disse que a versão contada pelo adolescente é diferente da que aparece nas cenas.

“Todo advogado precisa ter convicção daquilo que vai defender. No dia que eu não tiver convicção daquilo que eu for defender, eu faço questão de sair do caso. Antes até que me tirem, porque eu não estaria exercendo um bom papel”, disse Orlando Machado da Silva Jr.

As imagens da agressão foram encaminhadas nesta sexta-feira (19) ao Ministério Público. Na semana que vem, a polícia vai ouvir o rapaz agredido.

A polícia ouviu nesta sexta o segurança que socorreu o rapaz agredido . Ele diz que foi um caso de preconceito e que reconhece o adolescente agressor.

As cenas mostram quando três jovens caminham calmamente pela Avenida Paulista. No sentido contrário, um grupo de adolescentes se aproxima. O garoto carrega duas lâmpadas.

Sem motivo aparente, estoura uma delas no rosto da vítima. Depois volta e bate de novo com a outra lâmpada. A vítima reage. O segurança de uma loja corre para apartar a briga. Os agressores se afastam, mas um deles ainda comemora.

Na delegacia, os acusados contaram que a briga começou porque eles foram paquerados pelos rapazes e, por isso, reagiram. O delegado não acredita nessa possibilidade.

“A imagem realmente demonstra que não houve provocação alguma, tanto é que uma das vítimas foi agredida com a lâmpada fluorescente. Ela se assustou com a pancada que levou no rosto.”

O advogado do único maior de idade entre os agressores disse que o cliente dele é o que aparece no meio do grupo de camiseta branca. Para o defensor, o rapaz não participou da agressão.

Fonte: G1

A hora é de magnanimidade. O momento é de respeitar, relevar, e perdoar. Todos convidados para a grandeza de ânimo.

Publicados os resultados das eleições, urge festejar a democracia. Por mais frágil que tenha se mostrado durante a campanha, ela acabou se fortalecendo com esta eleição. Podemos fortificá-la mais ainda, se soubermos levar adiante as muitas lições que esta campanha nos deixa.

Quem dá o exemplo é Dilma Rousseff, a candidata eleita Presidente do Brasil. Em seu discurso de domingo à noite, logo após a publicação dos resultados, disse textualmente: “Dirijo-me também aos partidos de oposição e aos setores da sociedade que não estiveram conosco nesta caminhada. Estendo minha mão a eles.”

Estas palavras têm mais força do que todas as injúrias e difamações que a candidata recebeu durante a campanha. Tornam ainda mais expressiva sua vitória.

A nobre atitude do perdão, precisa vir acompanhada da lúcida constatação dos fatos, e dos desafios que eles nos apresentam.

Na verdade, a candidata Dilma Rousseff precisou enfrentar uma avalanche enorme de obstáculos, desencadeados sobretudo pela carga de preconceitos, cuja virulência surpreendeu, e mostrou quanto a sociedade brasileira ainda está impregnada de resíduos tóxicos da ditadura militar.

O fato de uma candidata ter sido vítima da truculência do regime ditatorial, em vez de servir de oportunidade para lavar a honra de todos os que foram presos arbitrariamente pela ditadura, acabou dando o pretexto para muitos se acharem no direito de vestirem a carapuça de torturadores, e descarregarem sobre a candidata o ódio destilado nos porões do regime militar.

Esta pesada constatação nos coloca um grande desafio. Muitos assim pensam e fazem sem terem culpa das motivações equivocadas que movem seus preconceitos. Não sabem o que foi a ditadura militar. A anistia foi pactuada. Mas de novo se comprova que ela não pode prescindir da memória histórica, que precisa ser cultivada e trabalhada, para que toda a sociedade, conscientemente, erradique no seu nascedouro as sementes da ditadura, que foram plantadas com eficácia pelo regime militar. Caso contrário, elas continuam germinando, e produzindo seus frutos maléficos. A Escola precisa ensinar a verdadeira história da ditadura militar.

Este trabalho só pode ser feito com sucesso, se vier acompanhado da garantia do perdão e da superação de todo e qualquer tipo de vingança. De novo, as circunstâncias apelam para a grandeza de ânimo, que não significa timidez ou subserviência.

O exercício da cidadania, em tempos de campanha eleitoral, precisa levar em conta as circunstâncias de cada um. O que se pede de todos é o voto. Mas existe largo espaço de atuação, visando fornecer critérios para o discernimento dos eleitores.

Atendendo ao apelo de minha consciência, também procurei dar minha pequena contribuição. Agradeço as milhares de manifestações, públicas ou particulares, que expressaram sua concordância com as ponderações que fui fazendo cada semana, ao longo da campanha. Agradeço também aos que sensatamente ponderaram suas divergências, às quais procurei responder com respeito e atenção.

Por outro lado, recebi também algumas furiosas contestações, e alguns ataques de caráter pessoal, carregados de ódio, e revestidos da presunção de seus autores de se julgarem os justiceiros da ira divina, para condenarem ao inferno todos os seus desafetos.

Pela exorbitância de suas acusações, devo avisá-los que mereceram destino menos solene que o inferno. De modo que ainda podem contar com meu perdão.

Além do mais, não me preocupo com julgamentos humanos. Como Davi, também prefiro mil vezes cair nas mãos de Deus, do que ser julgado pela justiça humana.

Mas o resultado dessas eleições nos convida a tirar muitas outras lições, que, estas sim, nos motivam a deixar de lado condenações ou represálias, e contribuir com tudo o que estiver ao nosso alcance para levar em frente a nobre tarefa de construirmos juntos um Brasil justo e solidário.

http://www.diocesedejales.org.br