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07/02/2012 – Ponto de Vista
Uma leitora postou o seguinte texto no e-mail da coluna: “Quando Castelo Branco morreu num desastre de avião, verificaram os herdeiros que seu patrimônio limitava-se a um apartamento em Ipanema e umast poucas ações de empresas públicas e privadas. Costa e Silva, acometido por um derrame cerebral, recebeu de favor o privilégio de permanecer até o desenlace no palácio das Laranjeiras, deixando para a viúva a pensão de marechal e um apartamento em construção, em Copacabana. Garrastazu Médici dispunha como herança de família, de uma fazenda de gado em Bagé, mas quando adoeceu, precisou ser tratado no Hospital da Aeronáutica, no Galeão. Ernesto Geisel, antes de assumir a presidência da República, comprou o Sítio dos Cinamomos, em Teresópolis, que a filha vendeu para poder manter-se no apartamento de três quartos e sala, no Rio. João Figueiredo, depois de deixar o poder, não aguentou as despesas do Sítio do Dragão, em Petrópolis,vendendo primeiro os cavalos e depois a propriedade. Sua viúva, recentemente falecida, deixou um apartamento em São Conrado que os filhos agora colocaram à venda, ao que parece em estado lamentável de conservação. Não é nada, não é nada, mas os cinco generais-presidentes cometeram erros sem conta, mas não se meteram em negócios, não enriqueceram nem receberam benesses de empreiteiras beneficiadas durante seus governos. Sequer criaram institutos destinados a preservar seus documentos ou agenciar contratos para consultorias e palestras regiamente remuneradas. Bem diferente dos tempos atuais, não é?”.

Um jornal de nossa cidade publicou esta curiosa nota em sua coluna diária. Não consigo, no momento, vislumbrar as intenções, mas me sinto na obrigação de combatê-las desde já.

Salvo engano,  pois eu estava viajando e não acompanhei totalmente os desdobramentos, ninguém se manifestou e nem levantou nenhum contraponto sobre as absurdas comparações e informações ai descritas.

É pena, pois o assunto é rendoso e demonstra o quão nocivos foram estes cinco generais-ditadores e golpistas para nossa Pátria e, conseqüentemente, para o nosso povo, ao ponto de ninguém retrucar tamanha boçalidade e menosprezo pelo intelecto da nossa população. Isso nos prova que ainda não nos recuperamos do pavor, da repressão e da mordaça implantada por estes elementos que, mesmo depois de muitos anos do seu fim ainda povoam nosso inconsciente coletivo.

Vamos lá então aos contrapontos necessários e obrigatórios para cada blasfêmia aí descrita:

1- Esses cinco inimigos da Pátria e os políticos civis que lhe deram sustentação neste absurdo atentado contra a Democracia e contra um governo eleito pelo povo, conduziram o Brasil a vinte anos de atraso físico, pois estagnaram o crescimento do país. Mesmo que alguns digam que foram os responsáveis pela construção de boa parte da infra-estrutura vigente, ainda assim nos colocaram dentro de um atraso de décadas em relação a outras nações do mundo; moral, pois suas intenções golpistas apoiadas unicamente pela elite dominante e pelos interesses internacionais apearam do poder um governo legitimamente eleito para governarem autoritcariamente sob suas convenções doentias; intelectual, pois para manobrar uma população já devidamente mergulhada no despreparo e no atraso, negaram-nos educação para que isso nos fosse usado contra como ferramenta de controle social. Os filhos dos militares e da elite dominante estudaram, o filho do pobre continuou puxando a carroça e sendo açoitado.

2- Há controvérsias históricas quanto à fala de que não receberam benesses de empreiteiras durante seus governos, pois as principais empreiteiras que estão aí hoje no cenário nacional se agigantaram exatamente neste período, debaixo das bênçãos dos milicos e nas obras tocadas por esta gang, tudo devidamente às escuras, sem nenhum mecanismo claro que a população pudesse confiar, já que se alguém desconfiasse ou levantasse alguma dúvida, desapareceria no dia seguinte. Foi o meio mais eficaz de prestação de contas, pois não haveria dúvida alguma da transparência.

3- São os responsáveis pela grande e injusta concentração de terras que predomina hoje no Brasil, pois na ânsia de desenvolver regiões inóspitas a qualquer custo, presentearam grandes empresários com enormes quantidades de terras para empreenderem desenvolvimento e colonização.

4- Ao contrário do que prega a cidadã na defesa da suposta humildade dos generais golpistas, tiveram muita sorte os que sobreviveram à redemocratização e não foram para a cadeia pelo resto de suas vidas pagar pelos seus crimes, já que desonraram a farda que vestiam, além de traírem o povo que juraram defender e servir. O Brasil foi uma das poucas nações da América Latina que não julgou e nem puniu os militares que atentaram contra a Pátria neste período, isso graças novamente a intervenção da politicalha da elite dominante que pregava o não revanchismo, como se o conceito e a obrigação de se fazer justiça se tratasse de revanche. Justiça é reparo e como não se teve reparação e punição contra os tais personagens sinistros, outros do mesmo naipe ainda  podem se sentir estimulados nesta mesma ação, na caserna ou não, pois o neo-golpismo atual não se cria mais na caserna e sim nas redações dos grandes jornais e de uma tevê alavancada por estes militares. A pena moral do esquecimento da história eles receberam, mas ainda estão aí seus familiares recebendo indevidamente seus “soldos da vergonha e da desonra” do nosso erário público, dinheiro do povo que eles traíram.

5- Quanto à alegação de que não criaram institutos destinados à preservação de seus documentos e etc. etc. etc., é absolutamente lógico que queriam ser esquecidos (isso ficou claro nas próprias palavras do Gal. João Figueiredo numa das suas raras aparições depois do auto-exílio), pois sabiam de seus crimes e criminosos querem o esquecimento e não a perpetuação histórica.

Vivemos um período de amadurecimento democrático e estamos aprendendo com nossos erros da pós-redemocratização. A corrupção é latente, mas podemos gradativamente ir desenvolvendo mecanismos para minimizá-la. Se nossos representantes, eleitos com nossos votos e pela vontade da maioria não se comportam adequadamente, mesmo que a nossa ainda frágil Justiça não lhes alcancem, temos o recurso de execrá-los pelo voto. E antes???

Nem que todos os corruptos confessos da pós-redemocratização somem os prejuízos causados por suas ações corruptas (e é muita grana), ainda assim não dará um décimo dos prejuízos e do atraso que essa trinca de canalhas impôs ao povo brasileiro.

A principal e mais embasada alegação contra esta nota de saudosismo de um período nefasto da nossa história recente nos remete a inevitável troca de papéis. Assim como esta cidadã têm hoje o sagrado direito democrático de colocar estas suas alegações saudosistas ao público, será que naqueles tempos e sob o julgo dos cinco humildes aí acima, ela teria a coragem de manifestar qualquer opinião contrária a deles??? Com certeza não e os poucos que tiveram esta coragem pagaram com a própria vida e, com humilhações e torturas piores do que uma sentença de morte.

O maior triunfo da Democracia é o direito de expressão, este mesmo direito que esta cidadã usou para fazer estas colocações absurdas e que o quinteto nos negou, merecendo assim nosso eterno repúdio. Só o nosso repúdio, pois para puni-la pelas suas péssimas colocações não precisaremos torturá-la, nem aos seus filhos e nem ninguém da sua família, muito menos matá-la, negando o direito aos seus de enterrar o seu corpo e chorar sua morte. Esse direito nos foi negado por este quinteto de canalhas que ela considera de reputação correta.

Ter saudades do Tom Jobim, da Maysa, da Elis Regina e de outros ícones que têm capacidade de causar em nós esse tipo de sentimento, é normal. Mas, ter saudades desse quinteto aí acima, é sintoma de que o caso é sério – Vai se tratar garota!!!

Para que nunca nos esqueçamos da contribuição dos nossos algozes:

Modos e instrumentos de tortura

Reza o artigo 59 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, assinada pelo Brasil: Ninguém será submetido à tortura, nem a tra­tamento ou castigo cruel, desumano ou degradante.

Em vinte anos de Regime Militar, este princípio foi ignorado pelas autoridades brasileiras. A pesquisa revelou quase uma cente­na de modos diferentes de tortura, mediante agressão física, pressão psicológica e utilização dos mais variados instrumentos, aplicados aos presos políticos brasileiros. A documentação processual recolhida revela com riqueza de detalhes essa ação criminosa exercida sob auspício do Estado. Os depoimentos aqui parcialmente transcritos demonstram os principais modos e instrumentos de tortura adota­dos pela repressão no Brasil.

               O “pau-de-arara”

(…) O pau-de-arara consiste numa barra de ferro que é atravessada entre os punhos amarrados e a dobra do joelho, sendo o “conjunto” colocado entre duas mesas, ficando o cor­po do torturado pendurado a cerca de 20 ou 30 cm. do solo. Este método quase nunca é utilizado isoladamente, seus “com­plementos” normais são eletrochoques, a palmatória e o afo­gamento. (…)

(…) que o pau-de-arara era uma estrutura metálica, desmon­tável, (…) que era constituído de dois triângulos de tubo gal­vanizado em que um dos vértices possuía duas meias-luas em que eram apoiados e que, por sua vez, era introduzida debaixo de seus joelhos e entre as suas mãos que eram amarradas e levadas até os joelhos; (…).

o choque elétrico

(…) O eletrochoque é dado por um telefone de campanha do Exército que possuía dois fios longos que são ligados ao cor­po, normalmente nas partes sexuais, além dos ouvidos, dentes, língua e dedos. (…)

(…) que foi conduzido às dependências do DOI-CODI, onde foi torturado nu, após tomar um banho pendurado no pau-de-arara, onde recebeu choques elétricos, através de um magneto, em seus órgãos genitais e por todo o corpo, (…) foi-lhe amarrado um dos terminais do magneto num dedo de seu pé e no seu pênis, onde recebeu descargas sucessivas, a ponto de cair no chão, (…)

   A “pimentinha” e dobradores de tensão

(…) havia uma máquina chamada “pimentinha”, na lingua­gem dos torturadores, a qual era constituída de uma caixa de madeira; que no seu interior tinha um ímã permanente, no campo do qual girava um rotor combinado, de cujos termi­nais uma escova recolhia corrente elétrica que era conduzida através de fios que iam dar nos terminais que já descreveu; que essa máquina dava uma voltagem em torno de 100 volts e de grande corrente, ou seja, em torno de 10 amperes; que detalha essa máquina porque sabe que ela é a base do princí­pio fundamental: do princípio de geração de eletricidade; que essa máquina era extremamente perigosa porque a corrente elétrica aumentava em função da velocidade que se imprimia ao rotor através de uma manivela; que, em seguida, essa má­quina era aplicada com uma velocidade muito rápida a uma parada repentina e com um giro no sentido contrário, crian­do assim uma força contra eletromotriz que elevava a voltagem dos terminais em seu dobro da voltagem inicial da máquina; (…)

Apreciem o teor completo no: http://www.dhnet.org.br/dados/projetos/dh/br/tnmais/instrumentos.html

visitem o blog do lamparina no: http://robertolamparina.zip.net

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O ordenamento jurídico comporta completamente as relações na internet, falta defini-la como um espaço de interação, portanto um “lugar”, e reconhecer juridicamente seus interagentes.

A relaçao virtual deve respeitar aos mesmos princípios presentes na relação presencial, bem como às formas de se provar boa-fé,  meio de equilibrar as responsabilidades.

A internet nos dias de hoje comporta à uma “população” inidentificável exceto por rastreamento a analise de registros, o que acarreta uma série de contrariedades legais na tentativa de se aplicar os direitos à reparação, indenização, e as sanções penais.

O aspecto da internet que propicia este cenario é o “anonimato”.  Esta característica ao mesmo tempo em que é salutar à manifestaçao do livre pensamento, é danosa por atualmente acarretar forma de controle que acaba por ferir à privacidade,  intimidade e liberdades.

É condição sinequanon haver forma de identificabilidade dos usuários na internet como forma de sanar esta problemática,  mantendo a garantia ao livre manifesto através de sua anonimização relativa,  concomitante ao reconhecimento de sua responsabilidade.  Desta forma faz-se possivel respeitar às garantias de direitos e aplicar as leis segundo sua jurisprudência.

A adequação da internet à Lei é um primeiro passo para iniciar sua construção legal específica, que estará alicerçada sobre protocolos e hábitos idôneos.

O “simples” gesto de emancipação do usuário representa o reconhecimento de sua individualidade,  e de sua capacidade de responder pelos seus atos,  ainda que em exercicio do direito à preservação de sua integridade e privacidade por meio da adoção de pseudônimos ou omissão de seus dados e particularidades.

O habito das relações na internet, por admitir a celebração de termos de responsabilidade por meio de declaração, causa distorção no exercício dos direitos e acarreta seu desequilibrio,  pela “mera” falta de prova de boa-fé.

Um meio de se proporcionar portabilidade da responsabilidade/autenticidade,  diferentemente dos métodos de trafego de certificados digitais,   é o simples fornecimento de uma conta certificada de correio eletrônico provida ao usuário por uma Autoridade de Registro,  mediante apresentação de certificado digital anônimo obtido perante Autoridade Certificadora da Justiça Eleitoral,  que efetuará a dissociação.

Fazendo uso desta conta o usuario terá a oportunidade, respeitado o sigilo dos documentos ali registrados, de cumprir protocolo que o torna identificável nos momentos de aceite de termos de responsabilidade.

Esta conta tem sua utilidade apenas como meio de aceite de termos de responsabilidades quando nas relações com prestadores de serviços na internet bem como para com outros usuários,  ficando vedada a imposição de vínculo ao protocolo de identificabilidade como condição de acesso ou trânsito perante ao provedor de conexão.

O método visa a assumpção de responsabilidade por parte do usuário quando da abertura de contas ou inserções de conteúdo/objetos na internet de forma anônima,  sobre a plataforma de serviços de terceiros.

O primeiro “fato novo” merecedor de atenção quando da adoção deste método diz respeito à definição etária a que se irá conceder tal emancipação,  sobre a classificação indicativa dos serviços na internet, e meios de supervisão por responsável cedente do acesso e navegação efetuada por usuários não emancipados.

Primeiras providências para a adequação da internet à situação legal:

1. O titular ira retirar um codigo alfanumerico certificado digital que servirá de enlace ao seu cadastro do titulo eleitoral,  mediante apresentação deste em um cartório da Justiça Eleitoral.

I- O código alfanumerico certificado digital será gerado pela Justiça Eleitoral e fará parte do cadastro do Titular sendo considerado dado inacessível em seu tratamento e será acessado apenas sob ordem de busca judicial.

II- O codigo certificado servirá de enlace de assinatura digital anônima e não portará qualquer informação pessoal além da data de nascimento e região eleitoral.

III- O código de enlace apenas será aplicavel aos registros de responsabilides civis cujos princípios de proteção à privacidade permitam firmar termos anonimos.

2. Criação de serviço de provisão de correio eletronico para fins de registros civis anônimos.

I- A conta de correio eletrônico e registros civis anônimos será provida por certificadores digitais Autoridades de Registro credenciadas para a geração e tráfego de assinaturas digitais anônimas e não será onerosa ao seu Titular.

_unico – os certificadores digitais proverão a @conta mediante inserção do codigo de enlace ao titulo eleitoral certificado digital do usuario*, ficando vedada a exigência de quaisquer outros dados pessoais.

II- A conta terá como finalidade exclusiva os registros de responsabilidades civis, reconhecimento e tráfego de firmas digitais anonimas.

III- A conta de correio eletrônico será incapaz de trafegar reconhecer o procedimento de assinatura digital enquanto o usuario estiver “offline”.

3. As informações presentes nos protocolos de assinatura serão os endereços de acesso e conexão do certificador e do certificado,  data e horario do envio/recebimento do e-mail de ativação e da resposta ao “link” de certificação constante do mesmo.

4. O prestador do serviço ficará apenas com o recibo de envio e resposta ao link de ativação, cujo endereço de e-mail correspondente constante do protocolo será a unica forma de tornar identificável o usuário responsável,  perante ordem judicial.

5. A guarda dos registros de acesso perante o prestador de serviços ficam proibidas,  salvo sob manifestação de interesse do usuário devidamente certificado em mantê-los para eventual uso como prova de inocência.

6.  Conservar os princípios da responsabilidade objetiva do prestador de serviços na internet quando da concessão de sua plataforma/ferramenta para  inserção de conteúdo efetuado por terceiro não devidamente identificável.

Encerro minha exaustiva exposição de razões no debate do Marco Civil Regulatorio da Internet no Brasil com a esperança de que sua iniciativa renda frutos ao pleno exercício do livre-manifesto, e que cumpra o papel de preservar os direitos fundamentais individuais e coletivos.

Saudações,

.

retificado 14/04/11 – 15/08/11

Publicado originalmente no Democracia Direta Digital

Pedro Estevam Serrano

O deputado que, abertamente, defende projeto de lei que descriminalize o uso e o plantio não comercial de maconha em cooperativas. O colunista Pedro Estevam Serrano, não vê “qualquer sentido racional, numa sociedade livre e democrática, a existência de uma legislação penal que puna criminalmente o usuário de qualquer substância entorpecente”. Foto: Edson Santos/ AG. Câmara

Mesmo com as mudanças ocorridas na legislação penal de porte e comércio de drogas, o uso de algumas substâncias entorpecentes ainda continua sendo crime no Brasil, o que caracteriza uma evidente inconstitucionalidade e uma irracionalidade a toda prova.

Inconstitucionalidade formal, jurídica, que se traduz em agressão a um valor evidente do pensamento liberal que se transformou em conquista humana, qual seja, de que ninguém pode ser penalmente punido por conduta pessoal que não ocasione danos a terceiros. Mesmo o vetusto liberalismo inglês de Stuart Mill postulava por este critério definidor das fronteiras da liberdade individual.

Não sou um liberal, não consigo enxergar as sentidas diferenças sociais da vida contemporânea como “naturais”, ou que a mão invisível do mercado solucionara nossos problemas de injustiça social. Mas tenho com o liberalismo um diálogo constante, reconhecendo que esta forma de pensar produziu valores que se traduziram em conquistas humanas e não apenas da classe social que a supedaneou.

Aliás, desta dimensão humana da liberdade, o chamado “neo-liberalismo” contemporâneo se esqueceu. Defendem ardentemente a liberdade do capital e se esquecem das liberdades humanas, aliás contra elas litigam, compondo uma atípica conjunção de defesa da liberdade de propriedade com o ataque às demais formas de liberdade individual e coletiva.

De qualquer modo, a questão é objetiva, nossa Constituição estatui o direito de liberdade como norma magna. Outro não pode ser o sentido material deste dispositivo, se não o de vedar sanções penais a condutas que atinjam apenas o próprio corpo do agente, sem ocasionar danos a terceiros. E por óbvio não há que se entender dano como a mera perturbação natural da convivência social, mas, sim, efetivos danos concretamente aferíveis.

Não vejo, portanto, qualquer sentido racional, numa sociedade livre e democrática, a existência de uma legislação penal que puna criminalmente o usuário de qualquer substância entorpecente. No caso de nossa Constituição, parece-me evidente a inconstitucionalidade de tal legislação repressiva.

E também me parece inconstitucional, por consequência do raciocínio exposto, punir-se com as sanções penais do tráfico usuários que produzam drogas para consumo próprio, como é o caso do plantio caseiro de maconha.

Nesse sentido, é com alegria e esperança que vejo a notícia na mídia que o deputado Paulo Teixeira, líder do PT na Câmara Federal, defende às abertas a propositura de projeto de lei que descriminalize o uso e o plantio não comercial de maconha em cooperativas.

Mais que um avanço qualquer, uma atitude de coragem cívica do deputado que resolve dar ao debate democrático o caráter que ele deve ter para ser funcionalmente eficaz em termos de evolução social: buscar convencer a maioria e não conformar sua opinião confortavelmente a ela, o que parece ser o maior vício de nossa democracia na conjuntura atual.

O debate na questão nem se dá pelo clássico argumento dos que defendem a descriminalização: de que o Estado gasta fortunas com a repressão atavicamente ineficaz, nem pelo argumento dos que defendem a criminalização mais rigorosa, de que o uso estimula o tráfico.

O verdadeiro argumento é o do descabimento do Estado em imiscuir-se penalmente na esfera privada de gestão corporal. Cabe ao Estado educar e informar do mal que as drogas ocasionam, mas não criminalizar a pessoa pelo mero uso de seu corpo, indiferente a terceiros.

Fora do período de eleições, que tem sido tão propicio a demagogias conservadoras irracionais, o debate do tema vai avançando, infelizmente ainda de forma limitada a iniciativas corajosas como esta do deputado Paulo Teixeira.

Pedro Estevam Serrano

Pedro Estevam Serrano é advogado e professor de Direito Constitucional da PUC-SP, mestre e doutor em Direito do Estado pela PUC-SP.

Os Estatutos do Homem [e da Mulher] – Ato Institucional Permanente
 

Artigo I 

Fica decretado que agora vale a verdade. Agora vale a vida, e de mãos dadas, marcharemos todos pela vida verdadeira. 

Artigo II 

Fica decretado que todos os dias da semana, inclusive as terças-feiras mais cinzentas, têm direito a converter-se em manhãs de domingo. 

  Artigo III  

Fica decretado que, a partir deste instante, haverá girassóis em todas as janelas, que os girassóis terão direito a abrir-se dentro da sombra; e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro, abertas para o verde onde cresce a esperança. 

Artigo IV   

Fica decretado que o homem não precisará nunca mais duvidar do homem. Que o homem confiará no homem como a palmeira confia no vento, como o vento confia no ar, como o ar confia no campo azul do céu. 

Parágrafo único: O homem, confiará no homem como um menino confia em outro menino. 

Artigo V  

Fica decretado que os homens estão livres do jugo da mentira. Nunca mais será preciso usar a couraça do silêncio nem a armadura de palavras. O homem se sentará à mesa com seu olhar limpo porque a verdade passará a ser servida antes da sobremesa. 

Artigo VI  

Fica estabelecida, durante dez séculos, a prática sonhada pelo profeta Isaías, e o lobo e o cordeiro pastarão juntos e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.

Artigo VII

Por decreto irrevogável fica estabelecido o reinado permanente da justiça e da claridade, e a alegria será uma bandeira generosa para sempre desfraldada na alma do povo. 

Artigo VIII

Fica decretado que a maior dor sempre foi e será sempre não poder dar-se amor a quem se ama e saber que é a água que dá à planta o milagre da flor. 

Artigo IX

Fica permitido que o pão de cada dia tenha no homem o sinal de seu suor. Mas que sobretudo tenha sempre o quente sabor da ternura.

Artigo X

Fica permitido a qualquer  pessoa, qualquer hora da vida, uso do traje branco. 

Artigo XI

Fica decretado, por definição, que o homem é um animal que ama e que por isso é belo, muito mais belo que a estrela da manhã. 

Artigo XII

Decreta-se que nada será obrigado nem proibido, tudo será permitido, inclusive brincar com os rinocerontes e caminhar pelas tardes com uma imensa begônia na lapela. 

Parágrafo único: Só uma coisa fica proibida: amar sem amor. 

Artigo XIII

Fica decretado que o dinheiro não poderá nunca mais comprar o sol das manhãs vindouras. Expulso do grande baú do medo, o dinheiro se transformará em uma espada fraternal para defender o direito de cantar e a festa do dia que chegou. 

Artigo Final.

Fica proibido o uso da palavra liberdade, a qual será suprimida dos dicionários e do pântano enganoso das bocas. A partir deste instante a liberdade será algo vivo e transparente como um fogo ou um rio, e a sua morada será sempre o coração do homem.

Santiago do Chile,  abril de 1964

Parte 1 – Cultura digital e as eleições 2010: Cultura livre nas redes socais ou controle? Por @GnuEvertonby Everton Rodrigues

in Cibercultura,Conhecimento Livre,Creative Commons,Eleições 2010,cultura livre

Por Everton Rodrigues. Colaborou Julio Oliveira

A cultura livre e colaborativa da internet venceu a propagação do ódio e da mentira da grande mídia.

Nas eleições 2010 a internet tomou proporções gigantescas no debate eleitoral, permitindo pautar a mídia de massas em vários momentos. Com este novo quadro é necessário avaliar seu uso em todos os aspectos, seja a postura das candidaturas, das eleitoras e dos eleitores, das empresas de marketing, das equipes de redes sociais, e é claro, o resultado final das eleições.

Por um lado o resultado é positivo para aquelas(es) que compreendem e defendem “o espírito da internet”, ou seja, a cultura livre e colaborativa ao invés da centralizada. Nós que optamos pelo fortalecimento e uso do “espírito da internet” saímos desse processo fortalecidos e com inúmeros desafios. Podemos constatar também que os defensores do controle da mesma, geralmente durante a campanha eleitoral, jogaram contra a própria rede e não tiveram êxito, por isso, devem intensificar suas movimentações para o controle.

Palavras do ainda Senador Azeredo, e agora eleito Deputado Federal: “A campanha teve dois aspectos: o primeiro, benéfico, foi o uso das ferramentas digitais, em especial das redes sociais como forma de mobilização da militância e de comunicação entre candidatos e eleitores. O segundo, bastante nocivo, foi a disseminação de informações contra os adversários escondidas sob o manto do anonimato.” Ora, todas e todos nós sabemos que foi o P$DB e DEM quem disseminaram preconceitos e boatos diários desclassificando a imagem de Dilma. Para esconder-se no anonimato contrataram especialistas para inundar a internet e agora querem utilizar como exemplo a prática incoerente e mal intencionada produzida por eles para combater o anonimato. http://jogodopoder.wordpress.com/2010/11/06/folha-de-s-paulo-abre-debate-sobre-projeto-de-lei-que-preve-punicao-para-crimes-praticados-na-internet/

Em recente entrevista, o pesquisador Manuel Castells afirma: “O poder tem medo da internet” … “Porque a Internet é um instrumento de liberdade e de autonomia, quando o poder sempre foi baseado no controle das pessoas por meio do controle da informação e da comunicação. Mas isto acaba porque a Internet não pode ser controlada.” http://www.novae.inf.br/site/modules.php?name=Conteudo&pid=1722

A grande lição dessa eleição é: Enquanto a colaboração em rede na disseminação de propostas e conteúdos propositivos foram sucesso expresso na campanha da eleita presidenta Dilma, a centralização, o boato e propostas simplórias foram o fracasso da campanha de $erra.

Na campanha Dilma presidenta, nós da equipe das redes sociais da candidata fazíamos uma análise diária dos conceitos e resultados de nossos conteúdos e das ações do adversário nas redes sociais. Assim podíamos debater sobre sua aceitação ou não, e a partir desta avaliação era possível definir as ações para o dia seguinte.

Como podemos verificar na tabela, dos 27 dias de campanha eleitoral no 2º turno, Dilma teve maior aceitação no twitter em 19 dias e $erra apenas em 8 dias.

Nesse processo eleitoral, poucas candidaturas, proporcionais ou majoritárias, possuíam assessorias capazes de iniciar um processo de campanha eleitoral em rede, e que durante a própria caminhada pudessem aperfeiçoar seus métodos e ajustar suas táticas e estratégias, já que este foi nosso primeiro ano de intensa campanha na rede. Para a maioria a Internet foi utilizada uniformemente na lógica da televisão, ou seja, sem qualquer interatividade ou envio de informações específicas para grupos específicos.

Recebemos influências das eleições norte americanas. Muito interessante é observar que a campanha de Dilma teve consultoria de Ben Self, responsável pela campanha de Obama. Já na campanha de $erra o consultor foi o Indiano Ravi Singh, da empresa ElectionMall,  que distribuiu através de spans em todas as redes sociais boatos, mentiras e conteúdos de discriminação contra Dilma. Não coincidentemente, Singh trabalhou a mesma lógica conceitual na campanha de Bu$h em 2000 e também de Juan Manuel Santos (apoiador das políticas de Bu$h) na Colombia. Vale ler esse texto: “Eleições 2010: cultura ou barbárie?” http://congressoemfoco.uol.com.br/coluna.asp?cod_canal=14&cod_publicacao=34951

Nesse processo eleitoral tiveram êxito as candidaturas que mais interagiram na internet,  apresentaram diversidade de propostas, utilizaram humor, inovaram, analisaram suas próprias intervenções e como resultado contribuíram para mobilizar mais pessoas nas ruas.

Alguns acontecimentos vale relembrar e analisar:

Ainda em Abril, a campanha de 45 anos da Rede Globo saiu do ar em menos de 24h, após blogueiros e twitteiros mobilizarem contra a descarada campanha pró $erra. Essa foi a primeira vitória da campanha na internet. Pautamos a mídia. Eles não tiveram coragem de continuar com tanto descaramento. Veja o vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=Y9cOIczl4hw

Até aqui por enquanto Depois foi a vez da revista Época e o jornal Folha de SP tentando associar a luta de Dilma pela liberdade contra a ditadura com terrorismo, o que resultou no assunto mais comentado durante várias dias nas redes sociais e no twitter. Utilizamos a tag DilmaFactsByFolha  http://twitter.com/#search?q=DilmaFactsByFolha e a foto de Dilma que o DOPS usou no arquivo.  A revista deu grande destaque,  e assim, foi imediatamente transformada em estampa de camisetas e avatares para as redes socais. http://eleicoesnarede.blog.terra.com.br/2010/08/15/no-twitter-apoiadores-de-dilma-reagem-a-fama-de-guerrilheira/

E então, $erra e a Rede Globo sensacionalizam um “fato” com a intenção de enfraquecer Dilma novamente. Usando imagens do SBT, o suposto agredido por um objeto não identificado foi destaque nos jornais da emissora, mas para todos foi visível que se tratava de uma bolinha de papel. $erra virou motivo de piada no Brasil e no Mundo. Este vídeo é um dos exemplos de uso do humor na contra informação contra a maior empresa de comunicação do Brasil. Vejam: http://www.youtube.com/mpbeverton#p/a/u/0/3h4ZG2de88o e é claro no twitter por alguns dias a tag #SerraRojas http://twitter.com/#search?q=%23SerraRojas manteve-se como a mais comentada.

Após as eleições 2010, temos o desafio de barrar não somente o controle da internet, já tramitando no congresso nacional, mas também de pensar como contornar a nossa dependência de empresas privadas como twitter e facebook nas nossas campanhas eleitorais. Não sabemos ainda como, mas a conta oficial de Dilma foi bloqueada no Facebook, e os apoiadores de Serra criaram mecanismos bastante eficazes para denunciar como spam no twitter, contas de apoiadores de Dilma.

Nossa tarefa nas redes socais não pode parar! É preciso ir em frente! Vamos que vamos!

Sugestões de leituras:

http://blogln.ning.com/profiles/blogs/carta-aberta-a-soninha?xg_source=facebookshare

http://eleicoesnarede.blog.terra.com.br/2010/08/15/no-twitter-apoiadores-de-dilma-reagem-a-fama-de-guerrilheira/

http://www.jusbrasil.com.br/politica/4731109/campanha-de-45-anos-da-globo-sai-do-ar-em-menos-de-24-horas

http://relatividade.wordpress.com/2010/11/05/idg-now-dilma-venceu-serra-tambem-no-twitter/

Se gostou acima, leia mais abaixo:

  • A vitória do povo Brasileiro já começou, dia 31 é Dilma.
  • Dilma vence mas a direita não está morta: é jovem e tem curso superior
  • RT no Twitter sugere combinação entre campanha de Serra e o humorista @marcelotas do CQC.
  • Jornal Estadão avisa, Globo vai dar golpe
  • Produtoras e artistas do MPB, Movimento Música para Baixar, se reunirão no próximo sábado, 30 de maio, contra o Projeto de Lei 84/99, do senador Eduardo Azeredo (PSDB/MG).
  • GOG e Fernando Anitelli (Teatro Mágico), artistas que apóiam a Música livre e a Economia Solidária abrem seu apoio a Dilma Rousseff.
  • O segundo turno é bom para a esquerda (II)
  • “Imprensa no centro do debate eleitoral” Por Ricardo Kotscho
  • O que aflora em uma campanha desesperada? Os sentimentos mais grotescotes.
  • “Aborto é armadilha da direita” Por Altamiro Borges
  • Escrito por Renato Rovai – Revista Fórum – Blog do Rovai

    O Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo viveu um dos seus melhores dias nesta quinta-feira à noite.

    Eram 18h15 quando este blogueiro chegou ao local e mais de cinquenta pessoas já se aglomeravam no auditório Wladimir Herzog, que tem capacidade para 100 pessoas sentadas.

    O ato começaria às 19h, registre-se.

    Entramos numa das salas da diretoria da entidade pra discutir os encaminhamentos do evento e quando saimos, umas 18h45, o auditório já está lotado.

    O ato começou às 19h20. Éramos umas 300 pessoas no auditório e uma fila de mais de 100 tentando entrar.

    Ao fim, os mais pessimistas falavam em 600 presentes. E os otimistas em mais de 1 mil. Este blogueiro arrisca dizer que de 700 a 800 pessoas estiveram no Sindicato dos Jornalistas nesta quinta à noite.

    Havia gente no corredor, no saguão do prédio e na rua. Algo impressionante.

    E gente de diversos lugares. Um número considerável de pessoas de outras cidades e até de outros estados.

    Além da presença de muitos veículos da mídia independente e livre, o que surpreendeu foi a presença maciça de órgãos da mídia tradicional. Provavelmente esses veículos esperavam que algo fosse dar errado. Ou imaginavam que a gente repetiria o fiasco do ato que ajudaram a promover na tarde de ontem na Faculdade do Largo São Francisco. E que não juntou nem 100 pessoas.

    De qualquer forma é importante que se registre aqui que a relação com a imprensa comercial foi absolutamente respeitosa. Nenhum jornalista teve qualquer dificuldade pra realizar o seu trabalho.

    Posso assegurar, porque fiz essa mediação, que todos foram tratados de forma democrática e respeitosa.

    Havia gente do Globo, do Estadão, da Folha, da Record, da Veja etc.

    Da mesa do participaram representantes da CUT, CTB, CGTB, Nova Central Sindical, MST, Altercom, Barão de Itararé, Sindicato dos Jornalistas, PDT, PCdoB e PSB.

    Pelo PSB falou a deputada federal Luiza Erundina. Ela encerrou o encontro e foi a mais aplaudida da noite.

    Segue a carta lida pelo Altamiro Borges, em nome do Centro de Estudos Barão de Itararé. É importante que ela seja divulgada para todos os cantos possíveis.

    Pela ampla liberdade de expressão no Brasil.

    O ato “contra o golpismo midiático e em defesa da democracia”, proposto e organizado pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, adquiriu uma dimensão inesperada.

     

    Alguns veículos da chamada grande imprensa atacaram esta iniciativa de maneira caluniosa e agressiva. Afirmaram que o protesto é “chapa branca”, promovido pelos “partidos governistas” e por centrais sindicais e movimentos sociais “financiados pelo governo Lula”. De maneira torpe e desonesta, estamparam em suas manchetes que o ato é “contra a imprensa”.

     

    Diante destas distorções, que mais uma vez mancham a história da imprensa brasileira, é preciso muita calma e serenidade. Não vamos fazer o jogo daqueles que querem tumultuar as eleições e deslegitimar o voto popular, que querem usar imagens da mídia na campanha de um determinado candidato. Esta eleição define o futuro do país e deveria ser pautada pelo debate dos grandes temas nacionais, pela busca de soluções para os graves problemas sociais. Este não é momento de baixarias e extremismos.

     

    Para evitar manipulações, alguns esclarecimentos são necessários:

     

    1. A proposta de fazer o ato no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo teve uma razão simbólica. Neste auditório que homenageia o jornalista Vladimir Herzog, que lutou contra a censura e foi assassinado pela ditadura militar, estão muitos que sempre lutaram pela verdadeira liberdade de expressão, enquanto alguns veículos da “grande imprensa” clamaram pelo golpe, apoiaram a ditadura – que torturou, matou, perseguiu e censurou jornalistas e patriotas – e criaram impérios durante o regime militar. Os inimigos da democracia não estão no auditório Vladimir Herzog. Aqui cabe um elogio e um agradecimento à diretoria do sindicato, que procura manter este local como um espaço democrático, dos que lutam pela verdadeira liberdade de expressão no Brasil.

     

    2. O ato, como já foi dito e repetido – mas, infelizmente, não foi registrado por certos veículos e colunistas –, foi proposto e organizado pelo Centro de Estudos Barão de Itararé, entidade criada em maio passado, que reúne na sua direção, ampla e plural, jornalistas, blogueiros, acadêmicos, veículos progressistas e movimentos sociais que lutam pela democratização da comunicação. Antes mesmo do presidente Lula, no seu legítimo direito, criticar a imprensa “partidarizada” nos comícios de Juiz de Fora e Campinas, o protesto contra o golpismo midiático já estava marcado. Afirmar o contrário, insinuando que o ato foi “orquestrado”, é puro engodo. Tentar partidarizar um protesto dos que discordam da cobertura da imprensa é tentar, isto sim, censurar e negar o direito à livre manifestação, o que fere a própria Constituição. É um gesto autoritário dos que gostam de criticar, mas não aceitam críticas – que se acham acima do Estado de Direito.

     

    3. Esta visão autoritária, contrária aos próprios princípios liberais, fica explícita quando se tenta desqualificar a participação no ato das centrais sindicais e dos movimentos sociais, acusando-os de serem “ligados ao governo”. Ou será que alguns estão com saudades dos tempos da ditadura, quando os lutadores sociais eram perseguidos e proibidos de se manifestar? O movimento social brasileiro tem elevado sua consciência sobre o papel estratégico da mídia. Ele é vítima constante de ataques, que visam criminalizar e satanizar suas lutas. Greves, passeatas, ocupações de terra e outras formas democráticas de pressão são tratadas como “caso de polícia”, relembrando a Velha República. Nada mais justo que critiquem os setores golpistas e antipopulares da velha mídia. Ou será que alguns veículos e até candidatos, que repetem o surrado bordão da “república sindical”, querem o retorno da chamada “ditabranda”, com censura, mortos e desaparecidos? O movimento social sabe que a democracia é vital para o avanço de suas lutas e para conquista de seus direitos. Por isso, está aqui! Ele não se intimida mais diante do terrorismo midiático.

     

    4. Por último, é um absurdo total afirmar que este ato é “contra a imprensa” e visa “silenciar” as denúncias de irregularidades nos governos. Só os ingênuos acreditam nestas mentiras. Muitos de nós somos jornalistas e sempre lutamos contra qualquer tipo de censura (do Estado ou dos donos da mídia), sempre defendemos uma imprensa livre (inclusive da truculência de certas redações). Quem defende golpes e ditaduras, até em tempos recentes, são alguns empresários retrógrados do setor. Quem demite, persegue e censura jornalistas são os mesmos que agora se dizem defensores da “liberdade de imprensa”. Somos contra qualquer tipo de corrupção, que onera os cidadãos, e exigimos apuração rigorosa e punição exemplar dos corruptos e dos corruptores. Mas não somos ingênuos para aceitar um falso moralismo, típico udenismo, que é unilateral no denuncismo, que trata os “amigos da mídia” como santos, que descontextualiza denúncias, que destrói reputações, que desrespeita a própria Constituição, ao insistir na “presunção da culpa”. Não é só o filho da ex-ministra Erenice Guerra que está sob suspeição; outros filhos e filhas, como provou a revista CartaCapital, também mereceriam uma apuração rigorosa e uma cobertura isenta da mídia.

     

    5- Neste ato, não queremos apenas desmascarar o golpismo midiático, o jogo sujo e pesado de um setor da imprensa brasileira. Queremos também contribuir na luta em defesa da democracia. Esta passa, mais do que nunca, pela democratização dos meios de comunicação. Não dá mais para aceitar uma mídia altamente concentrada e perigosamente manipuladora. Ela coloca em risco a própria a democracia. Vários países, inclusive os EUA, adotam medidas para o setor. Não propomos um “controle da mídia”, termo que já foi estigmatizado pelos impérios midiáticos, mas sim que a sociedade possa participar democraticamente na construção de uma comunicação mais democrática e pluralista. Neste sentido, este ato propõe algumas ações concretas:

     

    – Desencadear de imediato uma campanha de solidariedade à revista CartaCapital, que está sendo alvo de investida recente de intimidação. É preciso fortalecer os veículos alternativos no país, que sofrem de inúmeras dificuldades para expressar suas idéias, enquanto os monopólios midiáticos abocanham quase todo o recurso publicitário. Como forma de solidariedade, sugerimos que todos assinemos publicações comprometidas com a democracia e os movimentos sociais, como a Carta Capital, Revista Fórum, Caros Amigos, Retrato do Brasil, Jornal Brasil de Fato, Revista do Brasil, Hora do Povo entre outros; sugerimos também que os movimentos sociais divulguem em seus veículos campanhas massivas de assinaturas destas publicações impressas;

     

    – Solicitar, através de pedidos individuais e coletivos, que a vice-procuradora regional eleitoral, Dra. Sandra Cureau, peça a abertura dos contratos e contas de publicidade de outras empresas de comunicação – Editora Abril, Grupo Folha, Estadão e Organizações Globo –, a exemplo do que fez recentemente com a revista CartaCapital. É urgente uma operação “ficha limpa” na mídia brasileira. Sempre tão preocupadas com o erário público, estas empresas monopolistas não farão qualquer objeção a um pedido da Dra. Sandra Cureau.

     

    – Deflagrar uma campanha nacional em apoio à banda larga, que vise universalizar este direito e melhorar o PNBL recentemente apresentado pelo governo federal. A internet de alta velocidade é um instrumento poderoso de democratização da comunicação, de estimulo à maior diversidade e pluralidade informativas. Ela expressa a verdadeira luta pela “liberdade de expressão” nos dias atuais. Há forte resistência à banda larga para todos, por motivos políticos e econômicos óbvios. Só a pressão social, planejada e intensa, poderá garantir a universalização deste direito humano.

     

    – Apoiar a proposta do jurista Fábio Konder Comparato, encampada pelas entidades do setor e as centrais sindicais, do ingresso de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) por omissão do parlamento na regulamentação dos artigos da Constituição que versam sobre comunicação. Esta é uma justa forma de pressão para exigir que preceitos constitucionais, como o que proíbe o monopólio no setor ou o que estimula a produção independente e regional, deixem de ser letra morta e sejam colocados em prática. Este é um dos caminhos para democratizar a comunicação.

     

    – Redigir um documento, assinado por jornalistas, blogueiros e entidades da sociedade civil, que ajude a esclarecer o que está em jogo nas eleições brasileiras e que o papel da chamada grande imprensa tem jogado neste processo decisivo para o país. Ele deverá ser amplamente divulgado em nossos veículos e será encaminhado à imprensa internacional.

    PESSOAL
     
     
    EM UMA SITUAÇÃO INUSITADA COM A PRESENÇA DO SENADOR SUPLICY, O DEPUTADO PAULO TEIXEIRA DO PT, DR GUILHERME SEU ADVOGADO DEDEFESA, DEFENSORES PUBLICOS, ESTUDANTES,  DIVERSAS ORGANIZAÇÕES SOCIAIS, E POPULARES, HOJE DIA 16 DE SETEMBRO DE 2010,  PROMOTOR DE JUSTIÇA DO MINISTÉRIO PUBLICO DE SP, (DEPOIS DE MUITAS IDAS E VINDAS DE BASTIDORES), SE RECUSA  A PARTICIPAR DE JURI DE GEGE,  ALEGANDO NÃO POSSUIR PLENO CONHECIMENTO  DO VIDEO SOBRE GEGE QUE ESTAVA JUNTADO NOS AUTOS .
     
    JUIZ DO TRIBUNAL DO JURI ADIA JULGAMENTO PARA ABRIL DE 2011,  E EXPEDE CONTRAMANDADO DE PRISÃO EM FAVOR DE GEGE ( UMA ESPECIE DE REVOGAÇÃO DO MANDADO DE PRISÃO), GARANTINDO SUA LIBERDADE.
     
    GEGE   JÁ PODE VOLTAR PARA CASA, PARA SEUS/AS AMIGOS/AS E FAMÍLIA!! GEGE JÁ PODE CONTINUAR A LUTA POR SUA  LIBERDADE DEFINITIVA PERTO DE TODOS/AS NÓS.
     
    NOSSO ATO SERÁ AMANHA DIA 17/09 AS 14 HORAS NO PATIO DO COLEGIO.
     
    APROVEITO PARA AGRADECER TODAS AS ENTIDADES E PESSOAS QUE ESTÃO CONOSCO NESTA LONGA LUTA.
     
     
    LUTAR NÃO É CRIME!! CONTRA A CRIMINALIZAÇÃO DOS MOVIMENTOS SOCIAIS

     DITO CMP

     Texto extraído do exelente blogg olhos do sertão em 4 de agosto de 2010. 

    Estou de acordo com companheiro Eduardo Guimarães. A mídia paulsita mantém uma parte da população paulista anestesiada e alienada dos graves problemas que o Estado de São Paulo vem passando. Não dá, gente. Quando uma administração, ou modelo não dá certo, trocam-se partidos e gestores públicos. Isso acontece em qualquer parte do mundo. 
    No entanto, a despeito do desmantelamento de São Paulo, com péssima saúde, educaçaõ, transportes e segurança pública,  os demotucanos estão entranhados no poder paulista, assim como os coronéis estiveram na política cearense por longos anos. 
    Importante considerar que a sustentação dos demotucanos se dá pelo apoio explícito de Folha de São Paulo, Estadão, Globo São Paulo e toda um aparato midiático para a perpetuaçao demotucana no poder. 

     

    por Eduardo Guimarães,

    A síndrome de Estocolmo paulista.

    O título me foi sugerido por seguidores no Twitter. Alude à impressionante disposição do povo de São Paulo de manter no poder o mesmo grupo político que o massacra e que ali se encastelou em 1994, de onde não saiu mais.
    De 1994 para cá, o Estado mais rico e desenvolvido da Federação sofreu um regresso dramático em quase tudo o que é mais importante. Pode-se dizer que temos hoje, os paulistas, a mesma Saúde, a mesma Educação e a mesma Segurança Pública de quando o PSDB chegou ao poder por aqui, só que em um Estado muito mais populoso, o que torna o não-progresso nessas áreas uma legítima tragédia social.
    Manipulações das estatísticas engendradas pelos grandes grupos de mídia paulistas (Grupo Folha, Grupo Estado, Editora Abril e o braço da Globo em São Paulo) vêm conseguindo esconder de uma população politicamente perdida dados tétricos como os da Segurança Pública – que, neste momento em que o PCC volta a mostrar seu poder no Estado, explicariam o que está acontecendo novamente por aqui.
    Semana passada, por exemplo, a Folha de São Paulo deu manchete de primeira página para uma suposta “redução” da criminalidade que vem sendo alardeada há anos. Duvido de que algum paulista concorde que a criminalidade caiu. Qualquer pessoa, por aqui, dirá que não pára de subir.
    O que acontece na Segurança, por exemplo, é que, de 1994 para cá, houve um salto enorme na criminalidade e na violência. Subiu rápido e a patamares altíssimos nos últimos anos do século passado, no âmbito da eterna crise da octaeteride tucana, que, depois de resultados sociais positivos nos primeiros anos do Plano Real, gerou desemprego, inflação, quebradeiras incessantes até 2002, empurrando parte de uma geração inteira de jovens pobres para a criminalidade.
    Na Saúde, persiste a prática vigente desde a ditadura de se inaugurar algumas unidades cinematográficas para a propaganda do governo do Estado na TV, enquanto que o grosso da rede pública de saúde permanece sem pessoal, sem equipamentos, com pacientes internados amargando a dor nos corredores dos hospitais transbordantes de gente sofrendo.
    A Educação talvez seja o que está pior em São Paulo. Em todos os certames nacionais e internacionais, este Estado fica nas últimas colocações. Os professores são tratados como inimigos pelo governo do Estado. Nas recentes manifestações por melhores condições trabalho, o então governador José Serra colocou sua polícia para espancá-los em praça pública.
    Já contei aqui uma história sobre a greve dos professores, mas vale repeti-la. Minha filha casada hospedava em sua residência uma jovem professora universitária francesa que veio ao Brasil no âmbito de um acordo de intercâmbio entre o nosso país e a França. Esteve no Brasil durante a recente greve dos professores paulistas.
    Minha filha, como eu mesmo, mora bem perto da avenida Paulista, de forma que a jovem acadêmica francesa acabou presenciando uma das manifestações dos professores naquela avenida neste ano.
    Tivemos uma longa conversa sobre o assunto, eu e a moça. Ela não conseguia entender por que os pais dos alunos das escolas públicas não estavam ao lado dos professores e, sobretudo, como era possível que estivessem ao lado do Estado. Seu espanto aumentou depois de saber quanto o governo paulista paga aos que têm a duríssima missão de educar crianças e adolescentes em grande parte bastante pobres e, alguns, até miseráveis.
    Fica difícil a qualquer observador isento entender, portanto, que o mesmo Geraldo Alckmin que fez parte dos governos que pioraram tanto São Paulo, que não fizeram metrô, que deixaram a situação da Segurança chegar a esse ponto etc., tenha chance de se eleger no primeiro turno para o governo de São Paulo.
    O que acontece com os paulistas? Dizer que o povo do meu Estado é meramente direitista como Alckmin, Serra, Kassab e companhia limitada – coisa que eu mesmo já disse, mas que já não julgo mais que seja exatamente o ponto –, não explica nada.
    O que acontece em São Paulo é que a população é mantida sem informação por todos os grandes jornais, rádios e tevês, sem falar na Veja. Aqui, a imprensa escrita tem grande influência. As bancas de jornal são uma instituição, um meio de comunicação à parte. Caminhando por qualquer parte do Estado – mas, sobretudo, pela capital – encontra-se uma a cada esquina.
    As manchetes de jornais e revistas são um meio de comunicação à parte, em São Paulo. É por isso que Folha, Estadão e Veja, sobretudo, fazem tantas manchetes que distorcem o que dizem as reportagens às quais remetem – porque os paulistas, sobretudo os paulistanos, não compram essas publicações, mas gostam de ler suas manchetes expostas nas bancas e dali tiram suas conclusões sobre assuntos intrincados.
    Além disso, por força de uma educação ruim até no setor privado, a maioria dos paulistas não sabe de quem cobrar Saúde, Educação ou Segurança, por exemplo. Muita gente aqui pensa que o responsável pela Segurança Pública é o governo federal, ou seja, atribuem a guerra paulista ao governo Lula.
    Em 2006, quando o PCC pôs este Estado de joelhos tanto quanto começa a colocar agora, os jornais e as tevês locais colocaram na cabeça dos paulistas que a culpa pelas penitenciárias mal-administradas, nas quais os celulares entram como se fossem shoppings centers, era o presidente da República e não o governador do Estado.

    Hoje mesmo (3 de agosto), o Estadão publica um editorial eximindo o governo do Estado da responsabilidade pela nova ofensiva do PCC e coloca a culpa no presidente Lula. E o povo acredita. Aliás, se você perguntar a uns dez paulistas de todas as classes sociais para que serve o governo do Estado, digo que a maior parte não saberá responder.
    O metrô paulistano, por exemplo, que tem cerca de 60 quilômetros de linhas para uma cidade de cerca de 11 milhões de habitantes, só é do governo do Estado, na mídia paulista, quando o governador tucano de plantão inaugura alguma nova estação. Fora isso, a imprensa empurra a responsabilidade pelo colapso metroviário para o governo Lula.
    Como já disse, leitores me sugeriram o título deste post lá no Twitter. Alude ao fenômeno de seqüestrados criarem empatia com seus seqüestradores. Esse fenômeno ficou conhecido como “Síndrome de Estocolmo”. E me pediram que comentasse sobre a candidatura de Aloizio Mercadante.
    Além do transe paulista, temos, os paulistas, uma oposição ao PSDB local com um histórico pouco positivo. O episódio dos aloprados, em 2006, criou sérios problemas para a imagem do candidato do PT ao governo do Estado. O PT paulista é meio “domesticado” pelo PSDB e pelo PFL. Enfim, apesar de Mercadante ser a minha única opção de voto para governador neste ano, ainda estou por ver alguma prova de que sua candidatura pretende vencer.
    Para começar, teria que fazer uma campanha didática para explicar quais são as responsabilidades do governador. Muita gente se surpreenderá ao descobrir que está apoiando uma facção política que é responsável pela guerra civil paulista. E também terá que manter alguns petistas aloprados longe de encrencas.
    Não é modesta a missão de Mercadante. Modesto é o tempo que tem para levá-la a cabo. Em minha opinião, porém, se o PT paulista usar o cérebro e fugir de idéias “brilhantes”, pode eleger seu candidato a governador. Basta falar a verdade no horário eleitoral.