Posts Tagged ‘Massacre’

Republicamos o texto original, sem revisão, publicado pelo A crítica Amazônia, visto tratar-se de grave denúncia, que entendemos merecer a devida apuração, que portando, está acima da simples e obrigatória checagem de fontes, responsabilidade de qualquer blog sério.

 

Eles não estão na lista oficial de desaparecidos políticos, nem de vítimas de violação de direitos humanos durante o regime militar no Brasil, mas foram considerados empecilhos para o desenvolvimento e guerrilheiros e inimigos do regime militar

Manaus, 08 de Abril de 2012

ELAÍZE FARIAS

  • Dois mil índios waimiri-atroari contrários à rodovia desapareceram durante regime militar no Brasil
  • Entre 1972 e 1975, no Estado do Amazonas, dois mil indígenas da etnia waimiri-atroari sumiram sem vestígios
  • Desde o início de 2011, Schwade passou a divulgar uma série de artigos em seu blog http://urubui.blogspot.com.br sobre os episódios que envolveram a violenta ocupação das terras dos waimiri-atroari
  • O recrudescimento contra os waimiri-atroari nunca foi negado pelo regime militar
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O indigenista e ex-missionário Egydio Schwade, 76, revela os episódios que envolveram a violenta ocupação das terras dos waimiri-atroari. O indigenista e ex-missionário Egydio Schwade, 76, revela os episódios que envolveram a violenta ocupação das terras dos waimiri-atroari. (CLOVIS MIRANDA / ACRITICA)

Eles não estão na lista oficial de desaparecidos políticos, nem de vítimas de violação de direitos humanos durante o regime militar no Brasil, mas foram considerados empecilhos para o desenvolvimento e guerrilheiros e inimigos do regime militar. Por resistirem à construção de uma estrada (a BR-174, que liga Manaus a Boa Vista) que atravessaria seu território, sofreram um massacre.

Entre 1972 e 1975, no Estado do Amazonas, dois mil indígenas da etnia waimiri-atroari sumiram sem vestígios. Um número infinitamente superior aos desaparecidos da Guerrilha do Araguaia, no Pará. Esta população cuja história permanece obscura ainda povoa a memória dos sobreviventes waimiri-atroari (ou Kiña, como se autodenominam).

“O massacre aconteceu por etapas e envolveu diferentes órgãos do regime militar”, diz o indigenista e ex-missionário Egydio Schwade, 76, um dos principais agentes da mobilização que tenta tornar público este episódio e provocar a inclusão dos waimiri-atroari nas investigações da Comissão Nacional da Verdade, criada em novembro de 2011 pela Presidência da República.

Desde o início de 2011, Schwade passou a divulgar uma série de artigos em seu blog http://urubui.blogspot.com.br sobre os episódios que envolveram a violenta ocupação das terras dos waimiri-atroari.

Panfleto
O recrudescimento contra os waimiri-atroari nunca foi negado pelo regime militar. Registros sobre os métodos dos militares para dissuadir (ou pacificar, como foi batizada a estratégia de convencimento) os indígenas a aceitar a construção da estrada estão em vários documentos e podem ser encontrados em declarações dadas a jornais na época tanto por militares quanto por funcionários da Fundação Nacional do Índio (Funai).

Panfleto denominado “Operação Atroaris” que circulava na época, chegou a qualificá-los de “guerrilheiros”. Um trecho do panfleto, escrito em versos, dizia: “Estais cercado, teus momentos estão contados; vê na operação esboçada que o teu fim está próximo”.

Alfabetização
Egydio Schwade teve acesso às informações sobre o desaparecimento dos waimiri-atroari à medida que se tornava mais próximo e ganhava a confiança dos indígenas no período em que viveu com sua família na aldeia Yawará, onde chegou em 1985 e iniciou o processo de alfabetização em Kiñayara, língua da etnia.

O indigenista, que reside no município de Presidente Figueiredo e sobrevive como  apicultor, conta que, após dois anos vivendo entre os waimiri-atroari, foi expulso pela Funai. Ele acredita que isto ocorreu justamente porque os indígenas começaram a revelar os acontecimentos da época da construção da rodovia. Para ele, a Funai, tanto na época quanto atualmente, foi omissa e até mesmo contribuiu com a opressão e a violência  contra os indígenas.

Silêncio
“Queremos que as populações indígenas não sejam esquecidas pela Comissão da Verdade. Os waimiri-atroari, assim como os Parakanã, no Pará, e os Suruí e os Cinta Larga, em Rondônia, foram perseguidos pelo regime militar, que tinha como estratégia ocupar suas terras. Os índios resistiram e foram mortos. Que seja neutralizado o silêncio que domina estes casos”, alerta Egydio Schwade.

Ele diz que o que o incomoda é o silêncio da Funai em relação a este assunto, atualmente escondido por detrás das ações mitigadoras que foram implementadas nos anos 80, com a criação do Programa Waimiri-Atroari, uma parceria com a Eletronorte, como forma de compensar os impactos ambientais e sociais causados pela construção da Hidrelétrica de Balbina. A usina alagou grande parte do território dos waimiri-atroari.

Funai
O Coordenador do Programa Waimiri-Atroari, José Porfírio Carvalho, que é citado nos artigos de Egydio Schwade e acusado de participação, como indigenista, nas ações contra os waimiri-atroari, foi procurado por email (que consta no site do Programa Waimiri-Atroari) três dias antes do fechamento desta matéria, mas não retornou o contato. No telefone da sede do programa, 3632-1007, ninguém atendeu.

A assessoria de imprensa da Funai também foi procurada e enviou a seguinte resposta: “A Funai está acompanhando as discussões sobre o assunto e vai trabalhar pela defesa dos direitos dos povos indígenas também nesse caso”.

O decreto (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12528.htm) que criou a Comissão Nacional da Verdade é de dezembro de 2011. A assessoria de imprensa da Casa Civil da PR disse ao jornal A CRÍTICA que “quando a comissão começar a investigar, serão analisados todos os casos de desaparecidos, independente da etnia”.

Neste mês, a Câmara dos Deputados criou uma Comissão da Verdade paralela, como resposta à demora da Presidência da República em demorar em instalar a Comissão Nacional da Verdade.

Pacificação
O projeto de construção da BR-174 (Manaus-Boa Vista), que era defendido pelo governador do Amazonas, Danilo Areosa, começou em 1968. A obra passaria por dentro do território dos indígenas, que não foram consultados e se opuseram ao empreendimento. Paralelamente, foram iniciadas medidas de “pacificação” dos indígenas, envolvendo padres (o mais conhecido foi o P. Calleri, morto pelos índios) e indigenistas da Funai.

A estratégia envolvia tentativas de diálogos, mas foi a presença de soldados e funcionários da Funai e o uso de armas (metralhadoras, revólveres, dinamite e até gás letal) os principais meios de “convencimento” dos indígenas.

Estimativa de população de waimiri-atroari feita pelo P. Calleri era de 3 mil pessoas no final dos anos 60. Nos anos seguintes, este número baixou para mil pessoas, sem que um registro de morte fosse feito, segundo Schwade.

A partir de 1974 as estatísticas da Funai começaram a referir números entre 600 e mil pessoas e, em 1981, restavam apenas 354, conforme pesquisa feita por Egydio.

Pelo menos uma das várias aldeias desaparecidas foi bombardeada por gás letal. Um sobrevivente waimiri-atroari que foi aluno de Egydio se recordou “do barulho do avião passando por cima da aldeia e do pó que caia”.

Nos anos 80, após a repercussão internacional das mobilizações contra os impactos causados pela Hidrelétrica de Balbina, o Banco Mundial condicionou o financiamento da obra, que alagou terras dos waimiri-atroari, à criação de um programa de mitigação da sua população.

O programa começou a ser implementado em 1988, com duração de 25 anos sob a gestão da Eletronorte. O prazo expira em 2013. Após o programa, a população de waimiri-atroari voltou a crescer.

O acesso aos waimiri-atroari é difícil. A reportagem tenta desde o ano passado ir ao local, mas a resposta recorrente da coordenação do Programa é que os indígenas “estão em festa ou caçando”.

Desaparecido
O único amazonense integrante da lista oficial de desaparecidos durante a ditadura é o Thomaz Meirelles, nascido em Parintins em 1937. Militante de esquerda, a última notícia que se soube de Meirelles data de 1974.

A reportagem entrou em contato com a viúva de Meirelles, a jornalista Miriam Malina, que vive atualmente no Rio de Janeiro, mas ela não quis dar declarações sobre o assunto nem sobre a Comissão da Verdade. Miriam afirmou que “enquanto não souber a composição da Comissão” prefere não se manifestar.

Amigo e companheiro na época do Centro Popular de Cultural, Euclides Coelho de Souza, 76, defende a urgência em dar visibilidade ao desaparecimento de Meirelles, sobretudo entre os mais jovens. “Ele foi um importante líder do movimento estudantil nos anos 60. Foi para a luta e o mataram. Os estudantes do Amazonas precisam conhecer sua história. Pressionar o poder público. Este assunto não pode ficar em brancas nuvens”, disse Souza, por telefone, do Paraná, onde mora.

Thomaz Meirelles morou em Manaus desde 1950, mas no final daquela década se mudou para o Rio de Janeiro, onde passou a se envolver com movimento estudantil. Fez parte da União Brasileira de Estudantes Secundaristas (UBES). Em 1963 ganhou uma bolsa para uma faculdade em Moscou, onde conheceu sua esposa. Quando retornou, seu envolvimento com o movimento se intensificou. A perseguição política ficou mais dura e Meirelles passou a viver na clandestinidade. Há informações de que foi torturado e então desapareceu. Seu corpo nunca foi encontrado.

Escrito por yesicaleila

Desde que empezó la intervención y masacre al pueblo libio por parte de la OTAN en contubernio con los Rebeldes de Benghazi, se repitió continuamente en todos los medios occidentales que Gadafi estaba pagando ingentes cantidades de dinero reclutando a mercenarios negros venidos de países limítrofes.

Esta idea pareció extenderse como la pólvora hasta instalarse en el imaginario social occidental de tal forma que la imágenes que veíamos en ocasiones sobre capturas y asesinatos a sangre fría de supuestos soldados negros leales al gobierno de Gadafi parecía tratarse de esto mismo: mercenarios negros contratados por Gadafi.

Sin embargo existe otra historia. Una historia cruda y despiadada que contradice esa misma versión mediática occidental. En este caso, estaríamos hablando de la posibilidad de una auténtica limpieza étnica por parte de algunos grupos rebeldes y un profundo racismo.

En un país con 6 millones de habitantes, una tercera parte son negros (el grupo más oprimido del país). Estamos hablando de millones. Pero no forman parte de la Rebelión. Es esta última una llamada “rebelión árabe”. Por el contrario, los negros libios no se unen a la rebelión sino que huyen aterrorizados. ¿No sería más fácil para los Rebeldes, ya que estamos hablando del grupo más oprimido del país, llamar a su solidaridad y unirse a las filas Rebeldes?

Es conocido el racismo árabe en Libia hacia los negros, pero curiosamente no parece provenir de Gadafi, quien durante décadas no hizo más que luchar contra este flagelo. Prueba de ello lo da la propia Unión Africana y el mismísimo Mandela. Lo que deja a la población negra de libia como una aliada natural del líder libio. Y al mismo tiempo nos da una de las respuesta a la pregunta que nos hacemos en este artículo. ¿Mercenarios? No, libios negros y aparentemente leales naturales de Gadafi, lo cual es un problema para la OTAN y para los propios Rebeldes.

En Monthly Review uno de sus editores, Yoshie Furuhashi, escribió:

“Los trabajadores africanos negros viven ahora atemorizados en los territorios en manos de los rebeldes en Libia. Algunos han sido atacados por turbas, otros han sido encarcelados y algunas de sus casas y talleres han sido incendiados. Numerosos trabajadores africanos dicen que se sentían más seguros bajo el régimen de Gadafi”

En el mes de Marzo, un periodista del Daily Mail británico estuvo en Benghazi informando sobre los “mercenarios” e informó:

“Los africanos que vi variaban entre uno de 20 años y otro de cuarenta y muchos, con una barba entrecana. La mayoría llevaba puesta ropa informal. Cuando se dieron cuenta de que yo hablaba inglés estallaron en protestas”.

“No hicimos nada”, me dijo uno, antes de que lo silenciaran. “Somos todos obreros de la construcción de Ghana. No dañamos a nadie”.

Otro de los acusados, un hombre en overoles verdes, mostró la pintura en sus mangas y dijo: “Este es mi trabajo. No sé cómo disparar un arma”

Abdul Nasser, de 47 años, protestó: “Mienten sobre nosotros. Nos sacaron de nuestra casa de noche, cuando estábamos dormidos”. Mientras se seguían quejando, se los llevaron.

El mismo día, la BBC informó que un obrero turco de la construcción decía:

“Teníamos entre 70 y 80 personas de Chad trabajando en nuestra compañía. Los cortaron en pedazos con podaderas y hachas; los atacantes decían: ‘Suministráis tropas a Gadafi’. Los sudaneses también fueron masacrados. Lo vimos nosotros mismos”.

International Business Times publicó un artículo el 2 de marzo que dice:

“Según los informes, más de 150 africanos negros de por lo menos una docena de países diferentes escaparon de Libia en avión y aterrizaron en el aeropuerto de Nairobi, Kenia, con horribles historias de violencia”.“Fuimos atacados por gente del lugar que dijo que éramos mercenarios que mataban a la gente. Quiero decir que no querían ver negros” dijo a Reuters Julius Kiluu, un supervisor de construcciones de 60 años.

Los Angeles Times publicó recientemente un artículo que decía:

“Funcionarios de la oposición en Benghazi, cuyas amplias redadas para detener a presuntos partidarios de Gadafi han sido criticadas, llevaron a periodistas en una gira estrictamente controlada a centros de detención. Muchos de los detenidos dicen que son trabajadores inmigrantes y niegan que hayan combatido por Gadafi”.

En un artículo de Julio en el Wall Street Journal, el periodista Sam Dagher señaló el hecho evidente de que la guerra Libia está agravando las tensiones étnicas en ese país. El artículo habla sobre el destino de Tawergha, una pequeña ciudad 25 km al sur de Misrata, habitado mayoritariamente por negros libios, un legado de sus orígenes del siglo XIX como una ciudad de tránsito en el comercio de esclavos:

Ibrahim al-Halbous, un comandante rebelde que lidera la lucha cerca de Tawergha, dice que todos los residentes que aún quedan deben desalojar la ciudad si sus combatientes la capturan. “Deben empaquetar” dijo el Sr. Halbous.“Tawergha ya no existe, sólo Misrata.” Otros líderes rebeldes piden medidas drásticas como la prohibición a los nativos de Tawergha de trabajar, vivir o enviar a sus hijos a las escuelas en Misrata.

“Casi cuatro quintas partes de los residentes del barrio de Ghoushi de Misrata eran nativos de Tawergha. Ellos han desaparecido o están en la clandestinidad, temiendo la venganza y ataques de Misrateños, en medio de informes de recompensas por su captura”.”Algunos de los odios de Tawergha tiene connotaciones racistas y estaban en su mayoría latentes antes del conflicto actual. En la carretera entre Misrata y Tawergha, consignas rebeldes como ‘la Brigada para purgar esclavos, piel negra’ han suplantado a un mural pro-Gadhafi garabateado”.

Bueno es recordar que existen cantidad de vídeos en la red, sobre todo en Youtube, con verdaderas atrocidades de este tipo tanto en Misrata como en Benghazi.

El mito de los mercenarios negros, difundido por los medios de comunicación occidentales y la portavoz de la OTAN Oana Longescu, como decíamos al inicio de este artículo, parece haber sido desmontado por los trabajadores de Amnistía Internacional en Libia.La investigadora de Amnistía Internacional, Donatella Rovera que estuvo entre el 27 de febrero y el 29 de mayo en Misrata, Benghazi, Ajabiya y Ras Lanouf, fue entrevistada por “The Standard” y dijo sobre el tema:

“Examiné esta cuestión en profundidad y no encontré pruebas. Los rebeldes difundieron estos rumores por todas partes, y tuvieron consecuencias terribles para trabajadores inmigrantes africanos: hubo una caza sistemática de los migrantes, algunos fueron linchados y muchos detenidos. Desde entonces, incluso los rebeldes han admitido que no había mercenarios; casi todos han sido liberados y han regresado a sus países de origen, como revelaron las investigaciones que sobre ellos se llevaron a cabo.”

Con respecto al tema del viagra, armado por el fiscal del CPI, Luis Moreno Ocampo, Donatella Rovera dijo:

“Nadie realmente llegó a tomarse esto en serio”. El 21 de marzo, después de los primeros ataques aéreos sobre tropas de Gadaffi fuera de Benghazi, un joven que trabajaba en el centro de medios de comunicación nos presentó muchos cuadros clínicos de la droga que afirmó haber encontrado en los tanques destruidos. Los vehículos habían sido completamente destruidos, pero no así las cajas con la viagra. No puedo creer que nadie le tomara en serio”

En estos días pudimos presenciar la toma de Trípoli por parte de las fuerzas Rebeldes y el asalto a la residencia de Gadafi. The Associated Press anunció que asesinaron a un grupo de libios negros en un campamento establecido en frente de la Jamahiriya de la residencia presidencial. Decenas de cadáveres fueron encontrados con las manos atadas a la espalda. La agencia dijo que no eran combatientes. Michel Collon y una delegación investigadora estuvieron en el lugar en julio y cuando se enteraron de lo sucedido declararon:

“Me encontré con esta gente durante mi investigación en Trípoli. Pude hablar con algunas personas. Que no eran “mercenarios”, como dicen los rebeldes y los medios de comunicación. Algunos eran de piel oscura y libios (gran parte de la población es de tipo africano, de hecho), los demás eran civiles negros de los países africanos que se quedaron en Libia desde hace mucho tiempo. Todos apoyan a Gaddafi precisamente porque se oponía al racismo y los trató como árabes y africanos en igualdad de condiciones. A diferencia de los rebeldes en Benghazi, conocidos por su racismo y los negros fueron víctimas de terribles atrocidades y sistemáticas en los primeros días de la guerra. La paradoja es que la OTAN pretende llevar la democracia con una sección libia de Al Qaeda y racistas de tipo Ku Klux Klan”

Simon de Beer, historiador e investigador que formó parte de esta delegación con Michel Collon dijo:

“Miles de africanos que viven en Libia son negros. Tuve la oportunidad de hablar con muchos de ellos, incluido el campamento de Bab al-Aziziya. Para la mayoría Gadafi es uno de los padres de África. No dudan en compararlo a Lumumba y Sankara. Esto puede parecer sorprendente, desde el extranjero, pero nunca debemos olvidar que en el continente más pobre, Libia es una excepción: con una expectativa de vida de 75 años, agua, electricidad, atención de la salud y educación gratuitos, incluyendo el costo total de poco más de un dólar … Es por eso que gran parte de los millones de africanos apoyan a Gaddafi. Me quedé perplejo al saber de la muerte brutal de los que, en solidaridad con el régimen, pacíficamente acamparon fuera de la residencia de Gadafi. Su asesinato es un acto de barbarie y de forma gratuita. ¿Cómo podemos siquiera atrevernos a describir a las fuerzas rebeldes como “democráticas”?

Tony Busselen, un periodista del semanario Solidaridad, asistió a la misma misión y agregó:

“Nuestras fotos muestran que estas personas eran civiles desarmados, había muchas mujeres y niños. Me dijeron que se movilizaron muy en contra de la guerra y no entendían lo que Europa quería. Ellos me dijeron: “Pero aquí es un país que funciona, los logros son mucho mejores que en África, es muy bueno para nosotros, y Europa está bombardeando! es incomprensible. “Ellos estaban muy motivados por defender Libia, ya que pueden comparar con sus países de origen. En realmente una barbarie esta masacre y atarles las manos a la espalda, eran personas simples, trabajadores que llegaron espontáneamente a defender su nueva patria. Es realmente de miedo y vi fotos de los mismos actos cometidos en Benghazi por los “rebeldes”, el terror es real. Así que cuando veo a la gente en Trípoli “aplaudir” a los rebeldes, creo que están aterrorizados. La OTAN trae el terror”.

Ilse Grieten de INTAL, dijo:

“Cuando lo veo, no me lo puedo creer. Ya habíamos escuchado tantas historias de las atrocidades cometidas por los rebeldes, y son ellos los que apoyamos y armamos? Estoy enfadado de nuevo, y todos los días! Estas personas eran tan honestos, cientos representan a muchos países africanos, todos ellos dentro y alrededor de sus tiendas de campaña durante meses, convencidos de que debían apoyar a Gaddafi y Libia como un ejemplo para África. Todavía puedo oír decir: “Libia es la madre de África.” Ellos nos mostraron en la práctica la unidad africana. Todos querían hablar con nosotros y entender de qué se trataba de un ataque en contra de África y sus materias primas. Libia es la puerta de África. Espero que sus voces sean escuchadas finalmente. ¿Por qué la OTAN y los rebeldes se negaban a las propuesta de paz de la Unión Africana (53 países)? ¿Por qué nunca hemos oído hablar de esto? Para ellos, Gaddafi es un símbolo de la Unidad Africana, el hombre que protege del pillaje neocolonial contra el saqueo. El hombre que ha hecho más por África que sus propios líderes”

Video: http://www.youtube.com/watch?v=r4oOAjCbXUg&feature=player_embedded

http://rompiendo-muros.blogspot.com/2011/08/limpieza-etnica-y-racismo-en-las-filas.html

Kadafi resiste: “Vitória ou martírio”


Otan registra mais de 7.500 ataques aéreos para derrubar governo
Sarkozy fez seu anúncio depois de reunir-se com um certo Mahmoud Jibril, um agente notório da CIA, com pós-graduação e longos anos nos EUA. Jibril é o candidato dos EUA a ditador-fantoche na Líbia. Que Sarkozy seja um colaboracionista dos EUA contra os interesses da própria França, faz parte do seu perfil – não fez outra coisa na vida, senão seguir o caminho dos Laval e Pétain. Assim, eles pretendem que o “futuro da Líbia” – isto é, a partilha do petróleo do povo líbio – seja decidido em Paris, referendando o já decidido em Washington, e querem nos tanger a apoiar semelhante lição de democracia.
EUA/Otan lançaram 7.500 ataques aéreos para derrubar governo líbio
O que Sarkozy chama de reunião para discutir o “futuro da Líbia” é só a partilha do petróleo do povo líbio, já decidido em Washington, e que o colaboracionista quer aprovar como farsa em Paris
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, anunciou a convocação de uma “conferência” sobre o “futuro da Líbia” no dia 1º de setembro, em Paris – e citou o Brasil, além da Rússia, China e Índia (isto é, o grupo dos BRICs) como “países convidados”.
A França, país de gloriosas tradições, tem também outras que não são assim tão gloriosas: entre as últimas está a de ter presidentes – o general De Gaulle à parte – perfeitamente medíocres, alguns, até mesmo, traidores do seu próprio país.
Sarkozy fez seu anúncio depois de reunir-se com um certo Mahmoud Jibril, um agente notório da CIA, com pós-graduação e longos anos nos EUA, mais conhecido na Líbia pelas privatizações e “desregulamentações” que promoveu durante o tempo em que fez parte do governo – se algo poder-se-ia reprovar a Kadafi e seus companheiros foi a excessiva tolerância com certos elementos.
COLABORACIONISTA
Jibril é o candidato dos EUA a ditador-fantoche na Líbia. Que Sarkozy seja um colaboracionista dos EUA contra os interesses da própria França, faz parte do seu perfil – não fez outra coisa na vida, senão seguir o caminho dos Laval e Pétain.
Assim, eles pretendem que o “futuro da Líbia” – isto é, a partilha do petróleo do povo líbio – seja decidido em Paris, referendando o já decidido em Washington, e querem nos tanger a apoiar semelhante lição de democracia. Houve época em que Paris valia uma missa. Com Sarkozy, vale uma farsa.
Os nazistas pretenderam decidir o destino da Tchecoslováquia em Munique. No entanto, lá não foi decidido apenas o destino – aliás, bem temporário – desse pequeno país eslavo, mas, sobretudo, o da própria França, que pagou muito caro pela colaboração de Daladier com Hitler.
Com a Otan reconhecendo à CNN – nesse caso, insuspeita – que a agressão terrestre a Trípoli é feita por “tropas especiais” do “Reino Unido, França, Jordânia e Catar” (citadas nessa ordem), não é possível ignorar que aqueles marginais que aparecem na TV depois que a aviação dos EUA e satélites destruíram bairros inteiros da cidade são apenas isso mesmo – alguns vagabundos, rufiões, ladrões e assassinos, contratados para a figuração de que existiria algo “líbio” nessa agressão a um governo legítimo, eleito e constituído de acordo com leis nacionais. Essa é a “base” – a única – de Jibril, dos EUA e de Sarkozy na Líbia.
Dificilmente houve uma malta de desclassificados como esta, que assassinou até o seu suposto comandante, Younis, que tortura nas ruas de Misrata, desfigura cadáveres que são jogados nas praças, saqueia a casa da filha de Kadafi – e tira fotos exibindo o roubo -, invade, pilha e ateia fogo às embaixadas da Argélia, Bulgária, Coreia, e ataca as casas dos embaixadores da Venezuela e da China.
É a essa ralé que o porta-voz do Itamaraty, Tovar Nunes, se referiu ao declarar que “com mais democracia, haverá mais diálogo e isso levará a um relacionamento mais aprofundado”. Cada um pode desejar a “democracia” que prefere, assim como os seus parceiros de “diálogo” e, até, com quem ter um “relacionamento mais aprofun-dado”. Mas o Brasil não tem nada a ver com esses desejos pervertidos.
No entanto, o sr. Patriota lembrou-se, finalmente, dos interesses do Brasil na Líbia – não, infelizmente, da autodeterminação dos povos, centro de nossa diplomacia desde Rio Branco, há 109 anos, mas dos interesses mais imediatos, o que já é alguma coisa.
O Brasil tem mais de US$ 5 bilhões na Líbia, com empresas que vão da Petrobrás até a Andrade Gutierrez e Norberto Odebrecht, financiadas inteiramente pelo governo líbio. Nossas exportações para o país de Kadafi, em relação ao ano anterior, aumentaram 77,04% em 2003; 121,47% em 2004; 83,14% em 2005; 56,25% em 2008; e 122,85% em 2010 (cf. MDIC, Secex, “Intercâmbio comercial brasileiro – Líbia”, 04/07/2011).
Evidentemente, nossas relações com a Líbia, estabelecidas pelo presidente Lula no início de seu primeiro mandato, jamais foram do agrado de Washington. Agora, através de seu boy europeu, Sarkozy, claramente nos chantageiam – ou aderimos de mala e cuia aos bandidos que os EUA pagam na Líbia ou nossos interesses econômicos serão, para usar uma palavra suavíssima, prejudicados.
Mas é significativo que, apesar de berrarem vitória pelas suas Tvs e jornais – a tralha mais repugnantemente servil que já houve – queiram nos chantagear para que nós apoiemos os seus esbirros. Se estão vitoriosos, para que precisam do nosso apoio, ou dos outros BRICs?
Antes de tudo, porque essa vitória está na sua mídia, e não na realidade (v. o discurso de Muammar Kadafi nesta página).
O que estão fazendo é destruir o que os líbios construíram durante 42 anos, exatamente porque não conseguem submeter o povo líbio. Os bombardeios sobre civis em Trípoli e outras cidades só se diferenciam dos de Hitler na Holanda, Bélgica, França, Inglaterra e URSS porque são muito maiores, muito mais intensos, muito mais covardes e muito mais criminosos.
ARRUAÇAS
O povo líbio percebe, como disse o presidente norte-americano Franklin D. Roosevelt – repetindo uma frase de Emiliano Zapata – que é melhor morrer de pé do que viver ajoelhado. As “tropas especiais” estrangeiras desembarcaram em cima de escombros, os mesmos em que os marginais promovem sua arruaça.
Segundo a Otan, até o dia 22 de agosto, houve 19.877 operações aéreas sobre a Líbia, com 7.505 bombardeios – sobre hospitais, mercados públicos, TVs, rádios, estradas, aeroportos e, sobretudo, residências. Somente sobre Bab El Azzizia – apelidada pela mídia de “QG de Kadafi” – foram 64 bombardeios.
Diante disso, o norte-americano Stephen Lendman lembrou que em Nuremberg houve quem foi enforcado por menos. Com efeito, Goering era amador, perto dos mandantes e executores dos crimes atuais.
Mussolini assassinou metade da população da Líbia, em revolta contra a invasão fascista, inclusive o herói da resistência, Omar Mukhtar. Nem por isso conseguiu submeter os líbios. Mas é inútil esperar que o imperialismo aprenda alguma coisa com a História. Por isso mesmo, ele está condenado a tentar repeti-la – até o seu próprio fim.
NATHANIEL BRAIA