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“Essa nega fede, fede de lascar/ Bicha fedorenta, fede mais que gambá”. Os versos da música “Veja os Cabelos Dela”, lançada em 1997 pelo comediante e atual deputado federal Francisco Everardo Oliveira Silva, o Tiririca, renderam uma multa milionária à gravadora Sony. A empresa terá de pagar R$ 1,2 milhão à justiça brasileira porque a letra da canção foi considerada racista; essa é a maior indenização paga por um crime de racismo no Brasil. As informações são do Huffington Post.

O processo foi movido por 10 ONGs que lutam contra o racismo. O advogado contratado pelas ONGs, Humberto Adami, afirma que as mulheres negras foram ofendidas, expostas ao ridículo e sentiram-se violadas pela letra da canção. “A decisão é uma mensagem direta para mostrar como a questão da inequidade racial deve ser tratada. É um momento para celebrar”, comenta.

A Sony defende-se dizendo que “a canção não tem a intenção de ofender as mulheres, Tiririca estava se referindo à sua esposa e a terminologia usada na música é usada pelos brasileiros não apenas em referência a mulheres negras, mas às brancas também”.

A indenização irá para um fundo do Ministério da Justiça de direitos humanos.

Conheça a letra da música “Veja os cabelos dela”:
Veja veja veja veja veja os cabelos dela
Veja veja veja veja veja os cabelos dela
Veja veja veja veja veja os cabelos dela
Veja veja veja veja veja os cabelos dela

Parece bom-bril, de ariá panela
Parece bom-bril, de ariá panela

Quando ela passa, me chama atenção
Mas os seus cabelos, não tem jeito não
A sua caatinga quase me desmaiou
Olha eu não aguento, é grande o seu fedor

Veja veja veja veja veja os cabelos dela
Veja veja veja veja veja os cabelos dela
Veja veja veja veja veja os cabelos dela
Veja veja veja veja veja os cabelos dela

Parece bom-bril, de ariá panela
Parece bom-bril, de ariá panela

Eu já mandei, ela se lavar
Mas ela teimo, e não quis me escutar
Essa nega fede, fede de lascar
Bicha fedorenta, fede mais que gambá

Veja veja veja veja veja os cabelos dela (12x)

O internacional Ivan Lins completa 65 anos

Cantor e compositor carioca largou a engenharia para ser famoso mundialmente

DivulgaçãoFoto Divulgação

Ivan Lins fez sucesso pela primeira vez com Madalena, em 1970

Ivan Lins poderia ter sido um bem-sucedido engenheiro químico. No entanto, a música falou mais alto, e o mundo ganhou um cantor, compositor e tecladista que ultrapassou as fronteiras do Brasil, tornando-se conhecido mundialmente. Ele faz 65 anos nesta quarta (16).

A carreira musical deste músico se iniciou informalmente como seguidor da bossa nossa. Ao participar de eventos musicais universitários, ele conheceu outros iniciantes de talento como Gonzaguinha, Aldyr Blanc e Cesar Costa Filho e começou a participar de festivais.

Em 1970, ele se tornou nacionalmente conhecido quando Elis Regina gravou uma de suas composições, Madalena, que estourou no Brasil e também no exterior, gravada pela diva do jazz Ella Fitzgerald, entre outras.

Como cantor, seu primeiro grande sucesso foi O Amor é o Meu País. A partir daí, a coisa se acelerou: apresentou programa na TV ao lado de Gonzaguinha, conseguiu outros sucessos como Quero de Volta o Meu Pandeiro e viveu um curto período de ostracismo por ter sido considerado alienado pela rigorosa crítica musical

Esse clima mudou em 1974 quando lançou a sublime Abre Alas, a primeira de inúmeras parcerias com o inspirado letrista paulista Vitor Martins. Juntos, escreveram clássicos da MPB como Começar de Novo, Somos Todos Iguais Nesta Noite, Antes Que Seja Tarde, Vitoriosa e inúmeras outras.

Com o tempo, a carreira internacional de Ivan Lins se tornou ainda mais bem-sucedida do que a nacional. Nos anos 80, por exemplo, George Benson gravou Dinorah Dinorah, da dupla Lins-Martins, em seu álbum Give Me The Night. O consagrado produtor Quincy Jones revelou ser seu fã, assim como inúmeros outros astros.

Nos anos 2000, Sting ganhou um Grammy ao gravar uma versão em inglês para Lua Soberana (She Walks This Earth). Com sua mistura de música brasileira, latinidade, jazz, pop e bossa nova, Ivan Lins é hoje um desses mestres da MPB culturados por quem tem bom gosto. Caetano Veloso, por exemplo, acha um luxo o Brasil ter um músico do gabarito de Ivan Lins. Não precisa falar mais nada.

Composição: Ivan Lins/Vítor Martins

Com força e com vontade, a felicidade
Há de se espalhar com toda a intensidade
Há de molhar o seco, de enxugar os olhos
De iluminar os becos
Antes que seja tarde
Há de assaltar os bares, e retomar as ruas
E visitar os lares
Antes que seja tarde
Há de rasgar as trevas e abençoar o dia
E de guardar as pedras,
Antes que seja tarde
Com força e com vontade, a felicidade
Há de se espalhar com toda a intensidade
Há de deixar sementes do mais bendito fruto
Na terra e no ventre,
Antes que seja tarde
Há de fazer alarde e libertar os sonhos
Da nossa mocidade,
Antes que seja tarde
Há de mudar os homens antes que a chama apague
Antes que a fé se acabe,
Antes que seja tarde
Com força e com vontade, a felicidade
Há de se espalhar com toda a intensidade