Posts Tagged ‘Ouvidoria na Escola’

Cremilda Teixeira

Uma faculdade não forma um educador. Ela forma um professor. Um educador nasce feito.
Educador é uma vocação. Um professor com vocação é um educador. Imaginemos um radialista formado na melhor escola de comunicação do mundo e que não goste de falar. Um engenheiro formado na melhor escola do mundo que não goste de cálculos. Um médico que não goste de ver sangue.
Nenhuma função triunfa sem que haja a vocação. Exceto a profissão de professor. A profissão de professor é a segunda melhor avaliada pelo povo. Envolta num manto, no mito que professor é santo,  junta com a importância de sua função, mais a fraqueza dos últimos governantes a profissão mais importante do planeta se tornou inimputável.
A escola pública puxou a qualidade da escola particular para baixo e a violência e a corrupção para cima.
O único mecanismo que manteria a escola pública no patamar que ela merece não existe.
Ninguém ousa fiscalizar a escola e toda vez que um professor é acusado de algo sério tem a operação abafa, aparecem milhares de pessoas para defende-lo. Os poucos casos que chegam até a imprensa é a parte ínfima no cotidiano das escolas.
O caso do professor acusado de bullying e de comandar um espancamento de um aluno que segundo o professor rebolava feito bicha é um caso exemplar. Ao invéz se ser punido ele foi promovido e efetivado como Coordenador Pedagógico na E.E.Adelaide Ferraz de Oliveira zona leste de São Paulo. Casos como este contaminaram a rede e inverteram valores importantes na escola pública.
O governo paga mal os professores temporarios que seguram a escola nas costas. Verdade. Sem vínculo eles trabalham além do limite da resistência para manter o emprego enquanto milhares de felizardos concursados ganham sem fazer nada quando não se aboletam em algum gabinete onde ficam esperando a aposentadoria.
Temos verba suficiente para termos uma escola de primeiro mundo. Verba que não chega nem nos alunos e nem nos professores que trabalham.
Concurso público não é garantia que o professor será um educador, uma vez que o concurso avalia o conhecimento do professor e não avalia o seu talento.
Provinhas, provas e provões também não.
Um professor que está cursando ou terminou o curso superior,  já está avaliado pela faculdade onde faz ou fez o curso.
O que precisa mesmo é a avaliação continua desse professor na sala de aula.
Não adianta ter um monte de títulos e cursos se não tiver vocação.
O professor tem que ser bem pago, mas tem que ser avaliado por quem usa os seus servços.
Quem sabe qual o professor que ensina bem, qual o professor que dá bons exemplos e respeita a todos é o aluno e seu pai. Justamente os alijados do processo de avaliação do professor.
O pai que reclamar de um professor pode ter certeza que seu filho caiu em desgraça e tudo que acontecer na escola, de ruim é culpa do seu filho….
Então vem mais uma prova domingo para avaliar o conhecimento do professor temporário que ganha sete reais por aula.
Nessa prova pede-se conhecimento de nível doutorando na matéria, para professores que nem sequer terminaram a faculdade.
A escola tem apostila que ampara e ajuda o professor a elaborar aula. Ponto. Palmas. O professor criativo enriquece aquela aula do jeito que ele quer.
Nenhuma diretora vai impedir o professor de dar uma aula criativa nem que acrescentou dados da apostila que tem que seguir. Ele fica desistimulado, quando vai ganhar uma merreca ao lado de professor concursado e imexivel que enrola e ganha dez vêzes mais que ele. Amanhã esse educador sonhador, faz o concurso e se encosta apodrecido pelo sistema e espera a aposentadoria sem fazer nada.
Não basta ter o domínio da matéria que vai ensinar. O Secretário de Educação quer que os temporários saibam o mesmo que um doutor na matéria.
Não se preocupa se o professor sabe ensinar, se é um educador, se a sua jornada de trabalho é cruel e desumana
Não se preocupa com o enorme contingente de concursados que não fazem nada.
Não se preocupa em criar um mecanismo onde os pais denunciem os abusos.
Não se preocupa em dar uma olhadinha de leve na folha de pagamento para ver quantos estão fora da escola ou de licença médica. Muitos estão de licença no estado e trabalhando fora. Estão doentes para a escola pública mas estão saudáveis para a escola particular ou para passearem nos shoppins da vida. Outros estão trabalhando doentes.
Então é hora de fazer uma reflexão. Hora de ouvir quem paga a conta e usa o serviço
Hora de criar uma Ouvidoria dos pais.  Todos ganharemos com isso