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LULA PB

Autor(es): PAULO DE TARSO LYRA

Correio Braziliense

Dilma vai se reunir com o ex-presidente para traçar a estratégia da segunda metade do mandato. Entre os temas em pauta, estão o relacionamento com a base aliada no Congresso e as medidas para aquecer a economia

Depois de apontar os rumos da administração de Fernando Haddad em São Paulo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva estará com Dilma Rousseff até o fim do mês para afinar o ritmo do governo federal nesta segunda metade do mandato presidencial. Com um Produto Interno Bruto (PIB) claudicante; obras do PAC e da Copa do Mundo em ritmo sofrível; empresários receosos de investir; e uma classe política ressentida de maior atenção, Dilma ainda surfa nos altos índices de popularidade, mas, segundo aliados, é preciso adotar medidas preventivas para evitar problemas futuros. “Não podemos deixar que o discurso da oposição de desconstrução da gerentona cole no imaginário da população”, disse um petista com bom trânsito no governo.

Neste ponto, Lula, que voltou à cena depois de um mergulho no fim do ano passado — provocado, principalmente, pelos desdobramentos do julgamento do mensalão e pela deflagração da Operação Porto Seguro —, poderá dar dicas preciosas à presidente, segundo pessoas próximas a ele. “Lula conversava, tentava convencer no debate de ideias. Não há nada mais afrodisíaco para um político do que saber que tem a atenção do presidente da República”, declarou um dirigente partidário. Ele lembra que, durante o governo Lula, muitos parlamentares chegavam a tuitar os encontros presidenciais. “Essa mensagem, na base eleitoral dos parlamentares, valia ouro. Hoje, essa relação é inexistente”, lamentou o dirigente político.
O encontro de ambos deve ocorrer provavelmente em São Paulo. Lula sempre deixou claro que é conselheiro da presidente, mas que não iria se intrometer nas decisões que ela tomava na administração. A presidente costuma recorrer a ele com frequência. “Essa parceria vem desde os tempos da campanha. A pessoa com quem a presidente mais conversa é o Lula. Por que mudaria isso agora?”, afirmou o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), que foi líder do governo de ambos.
Lula também tem sido, nas últimas semanas, confidente do empresariado, que tem reclamado do excesso de intervencionismo da presidente Dilma. A pressão dos representantes do PIB surtiu efeito e a presidente iniciou o ano recebendo-os em audiências individuais. “No ano passado, ela estava muito concentrada na conclusão dos pacotes de infraestrutura. Agora, que está com mais tempo, poderá ter essas conversas reservadas, que deverão se intensificar até 2014”, garantiu um aliado da presidente.

Os políticos estão preocupados, contudo, com o ritmo do governo. A avaliação é de que as obras de infraestrutura — incluindo as que servirão para a Copa do Mundo — estão em um ritmo aquém do necessário. Não será uma simples conversa, concordam eles, que terá o poder de destravar canteiros de obras. “Mas a burocracia está paralisando o governo”, reclamou um petista, lembrando que Lula sempre reclamou da inércia da máquina pública na hora de acelerar investimentos e projetos. “Nunca as palavras do ex-presidente foram tão atuais”, reforçou.

Excesso de zelo

Ainda está viva na memória dos parceiros a imagem traçada pelo atual ministro da Educação, Aloizio Mercadante, ao assumir a vaga no lugar de Fernando Haddad. Ele aconselhou seu sucessor, Marco Antonio Raupp, no Ministério da Ciência e Tecnologia, a se acostumar com a presidente, porque ela costumava “espancar os projetos”. Na opiniões de políticos, esse excesso de zeloemperra as ações governamentais.

Para o deputado Carlos Zarattini (PT-SP), Dilma tem se esforçado para apresentar as condições ideais para aumentar o nível de investimentos no país. “Ela tem apresentado grandes projetos, estimulado as parcerias com a iniciativa privada e reduzido a taxa de juros”, disse Zarattini. “Essas conversas individualizadas são importantes para afastar os temores”, completou o parlamentar petista.

Dilma também tem problemas na condução política. Se nos dois primeiros anos de mandato ela conseguiu blindar-se das queixas parlamentares, nesta reta final até 2014, ela deverá ter mais atenção com os deputados e senadores, seus grandes cabos eleitorais no caminho da reeleição. “Dilma afastou do Palácio do Planalto os políticos, colocando-os nos ministérios distantes, como Saúde, Educação e Comunicações (Alexandre Padilha, Aloizio Mercadante e Paulo Bernardo, respectivamente) e encheu seu entorno de técnicos. A base não tem interlocução com o Palácio”, reclamou um integrante do grupo governista no Congresso.

Outra queixa de aliados é a falta de politização das ações governamentais. Algo que, durante o governo Lula, era comum, alvo inclusive de ataques da oposição: o famoso “bater o bumbo”. “Passamos oito anos do governo Lula sofrendo com Meirelles (Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central) segurando os juros lá no alto. Dilma baixou as taxas, fez uma intervenção branca nos bancos para que eles ampliassem o crédito, e isso não é celebrado”, reclamou um aliado do Planalto. “Isso não é economia, é política”, exasperou-se o parlamentar.

Os pecados

Confira quais são os sete problemas do governo apontados

1. Ritmo lento das obras do PAC
2. Crescimento pífio do PIB somado ao retorno do fantasma da inflação
3. Ausência de uma interlocução mais presente com o Congresso
4. Afagos raros aos aliados
5. Dificuldades em convencer o empresariado a investir
6. Burocracia reinante na máquina pública
7. Não politização das vitórias do governo (famoso bater o bumbo)

Cabe ao nosso território e ao nosso povo trabalhar apenas para fornecer matérias-primas baratas para o centro do capital. Essa é a lógica dominante        

*Editorial da edição impressa 507 do Brasil de Fato 

Há um consenso entre as correntes de pensamento econômico, movimentos sociais e partidos políticos de todo o mundo, que a partir da década de 1990 o capitalismo ingressou numa nova fase hegemonizada pelo capital financeiro e pelas grandes corporações internacionais que passaram a dominar o mercado mundial. Assim, o capitalismo globalizou-se e domina toda a economia global; porém sob o comando do capital financeiro e das grandes corporações. As estatísticas mais conservadoras revelam que, passados vinte anos dessa hegemonia, o capital financeiro circulante saltou de 17 trilhões de dólares, em 1980, para 155 trilhões em 2010, enquanto o volume de produção de mercadorias medidas pelo PIB mundial passou de 15 trilhões de dólares para 55 trilhões. Por outro lado, as 500 maiores empresas internacionais controlam 58% de todo PIB mundial, embora empreguem menos de 5% da mão de obra disponível.

Essa força do capital em sua nova fase atingiu e submeteu a todas as economias do hemisfério sul, entre elas o Brasil. Mais do que nunca a economia brasileira é cada vez mais dependente do capitalismo internacional, ao ponto de nos transformarmos novamente em país agro-mineral exportador e provocar uma desindustrialização da economia, que chegou a pesar 38% do PIB na década de 1980. Hoje pesa apenas 15% da economia nacional.

Sofremos com essa redivisão internacional da produção e do trabalho. Cabe ao nosso território e ao nosso povo trabalhar apenas para fornecer matérias-primas baratas para o centro do capital. Essa é a lógica dominante.

Já a burguesia brasileira, interna, continua com o mesmo comportamento histórico denunciado por todos os pesquisadores, em especial Florestan Fernandes. Segundo ele, essa burguesia nunca teve interesses nacionais e muito menos de desenvolver nosso país. Pensa e age apenas em torno do lucro imediato, e para isso, se apropria de recursos públicos ou se alia subalternamente aos interesses da burguesia internacional.

Há alguns meses, os jornais revelaram que haveria 580 bilhões de dólares de capitalistas brasileiros depositados em paraísos fiscais no exterior. A maior parte dessa fortuna sai do país sem pagar impostos, e parte dela às vezes retorna para esquentar investimentos estratégicos, ou mesmo apenas para limpar sua origem, como revelou o livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr., A privataria Tucana onde descreve esse movimento com detalhes e nomes.

Por isso, os movimentos sociais e a esquerda de todo o mundo precisam urgentemente levantar a bandeira da luta contra os paraísos fiscais, suas isenções e sigilos. Eles são a verdadeira “lavanderia” secreta da maior parte dos capitalistas financeiros do mundo. Por aí passam também os verdadeiros ganhadores com o comércio de drogas e armas.

Agora, começam a surgir notícias e estudos revelando um grave processo de desnacionalização das empresas brasileiras. O Brasil de Fato soma-se a essa preocupação. Por isso, publicaremos em nossas páginas análises e matérias para subsidiar esse debate. Parece que a crise que se abateu sobre o capitalismo financeiro internacional gerou para o Brasil um efeito contraditório, pois um grande volume daquele capital fictício, para evitar o risco de perder-se corre para afugentar-se no Brasil. Chegaram aqui, de 2008 para cá, ao em torno de 200 bilhões de dólares por ano. E aqui, compraram terras, usinas, etanol, hidrelétricas, poços de petróleo, empresas industriais, e até a empresa de serviços de saúde como a Amil. Com um cadastro de 8 milhões de brasileiros, a empresa foi desnacionalizada e passada para um grupo de empresários estadunidenses. No setor sucroalcooleiro, o movimento foi ainda mais violento. Em apenas três anos, o capital estrangeiro passou a controlar 58% de todas as terras de cana, usinas de açúcar e etanol. Hoje, três empresas controlem verdadeiramente o setor: Bunge, Cargill e Shell! E todos os dias os jornais da burguesia anunciam novas compra de empresas pelo capital estrangeiro.

Mas a galinha de ovos de ouro dos capitalistas estrangeiros são as reservas do pré-sal. Essa é a verdadeira pressão que Obama e o primeiro-ministro da Inglaterra fizeram sobre a presidenta Dilma: exigem que o Brasil faça leilões do pré-sal, para que suas empresas possam explorá-los. Todos sabemos que o petróleo, pelas circunstâncias econômicas atuais e pelo mercado garantido, gera a maior renda extraordinária que um capitalista pode sonhar. Pois enquanto o preço de mercado do barril está ao redor de 120 dólares, o custo de extração do pré-sal é de apenas 16 dólares. A diferença deve ser apropriada pelo Estado e não pelos interesses do lucro capitalista. Fez bem a presidenta em anunciar que o governo brasileiro se comprometeria a aplicar todos os recursos advindos dos royalties do petróleo em educação. Medida sábia e necessária. Porém, sofreu boicote de sua própria base parlamentar e a proposta sofreu a primeira derrota no Congresso. Ou seja, a disputa dos recursos naturais com o capital só será vencida pelo povo, se houver mobilização de massa. Caso contrário, as empresas petrolíferas garantirão com muita facilidade seus interesses.

Brasília – O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) comemora hoje (27) 60 anos de fundação tendo como perspectiva a necessidade de atender à demanda de crescimento econômico ao apoiar e fomentar a formação de cientistas, técnicos e, especialmente, engenheiros.“Não há como o país avançar para a quinta posição entre as economias do planeta se não provermos educação básica de qualidade e, em particular, em matemática e ciências”, avaliou, em entrevista à Agência Brasil, o presidente do CNPq, Glaucius Oliva, que é professor do Instituto de Física de São Carlos (SP).

O Brasil ocupa hoje a oitava posição em valor nominal do Produto Interno Bruto (PIB), segundo classificação do Fundo Monetário Internacional (FMI), e tem, de acordo com o Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea), um déficit anual de formação de 20 mil novos engenheiros.

O temor do apagão de mão de obra qualificada levou o CNPq a elaborar um programa para dobrar a formação de engenheiros em cinco anos. Segundo Oliva, a proposta está sendo formatada e visa a garantir a permanência dos alunos nos cursos de engenharia e evitar a evasão. Além do Confea, participam da elaboração do programa a Associação Brasileira de Engenharia, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Além de mais engenheiros, o desenvolvimento econômico vai exigir mais investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D). O Plano de Ação Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Nacional prevê que o investimento salte do atual índice de 1,13% do PIB para 1,9%, até 2014. Nos Estados Unidos, o gasto com P&D é cerca de 2,7% do PIB e na China, 1,5% do PIB. O Brasil é o 12º no ranking de produção científica e produz cerca de 3% do conhecimento científico no mundo, sendo que um quarto dessa produção é na área de saúde.

O aumento do investimento em P&D vai depender do setor público e mais ainda da iniciativa privada, conforme analisa o presidente do CNPq. O plano de ação estabelece que as empresas invistam 1% do PIB (mais do que o dobro do percentual atual, 0,48%) e o Estado passe dos atuais 0,65% para 0,9% do PIB.

De acordo com Oliva, a expectativa é que o Plano de Ação C,T & I tenha suas metas atingidas também por empresas de setores em que o Brasil é competitivo (como o aeroespacial, o de produção de energia, o agronegócio e a mineração), com a instalação de unidades de P&D de grandes companhias estrangeiras (como as americanas GE, IBM e a chinesa Foxconn) e de empresas da cadeia produtiva da exploração de petróleo na camada pré-sal.

No setor público, o desafio é driblar os efeitos do contingenciamento do Orçamento da União de 2011, que atingiu o Ministério de Ciência e Tecnologia e as agências vinculadas, entre elas o CNPq. Cerca de 25% dos recursos de investimento do CNPq estão bloqueados. O ministério não informou o valor absoluto.

Segundo Oliva, o corte não afetou o pagamento de pesquisas em andamento e nem os programas de bolsa regulares. Nesses programas, há mais de 14 mil pesquisadores de produtividade em pesquisa financiados, cerca de 20 mil bolsistas de mestrado e doutorado e 7 mil bolsistas apoiados nas diferentes modalidades de fomento tecnológico.

O corte pesou sobre os editais temáticos adicionais dos 17 fundos setoriais, como, por exemplo, a qualificação e formação de pessoas para a área de tecnologia da informação e produção de energia alternativa renovável. “O mais importante, nesse momento, é que a gente cumpra os compromissos assumidos em anos anteriores”, disse o presidente do CNPq.

O CNPq foi instalado no dia 17 de abril, mas a cerimônia de comemoração dos 60 anos ocorrerá amanhã (27), em Brasília, no Teatro Nacional Cláudio Santoro. Na ocasião, serão entregues o título de pesquisador emérito e a menção especial de agradecimento a cientistas que contribuíram para o desenvolvimento científico e tecnológico do país. Os funcionários com mais de 25 anos de casa serão homenageados. A vigésima-quinta edição do Prêmio Jovem Cientista será lançada na cerimônia.

Gilberto Costa
Repórter da Agência BrasiEdição: Lana Cristina