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Chico de Gois

BRASÍLIA – Depois de ter anunciado o plano de industrialização, chamado Brasil Maior, na terça-feira, enfrentando a resistência das centrais sindicais, que se recusaram a participar da cerimônia por se sentirem preteridos na discussão do projeto, a presidente Dilma Rousseff apareceu de surpresa, nesta quinta-feira, numa reunião das centrais na Secretaria Geral da Presidência e desculpou-se pela atitude do governo, segundo disseram os sindicalistas em entrevista coletiva. Ela fez um mea-culpa pelo que considerou um erro. As centrais aceitaram o pedido de desculpas, mas querem que o governo coloque em prática a sugestão apresentada por elas, de manter câmaras setoriais, com participação paritária, nas 25 cadeias de produção. Dilma prometeu atender o pedido.

– Foi uma surpresa o aparecimento da presidente na reunião – disse o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força Sindical.

– Ela desculpou-se da relação com as centrais e disse que o governo cometeu um erro de não ter discutido a proposta do plano com as centrais. A presidente também garantiu uma mudança no tratamento às centrais – complementou.

Dilma participou do final da reunião, na qual estava presente também o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Ela permaneceu cerca de 40 minutos no encontro e expôs, em linhas gerais, o plano Brasil Maior. Mantega também anunciou que o Supersimples, regime tributário simplificado para micro e pequenas empresas, será corrigido acima da inflação. No caso das microempresas, segundo Paulinho, a correção será “bem acima” da inflação. Dilma deverá enviar ao Congresso Nacional um Projeto de Lei Complementar sobre o tema na próxima semana.

De acordo com Wagner Freitas, tesoureiro da CUT, Dilma disse que o governo lutará pela industrialização do país. Os sindicalistas criticaram a medida do governo de taxar em 1% o IOF para capitais especulativos. Na opinião deles, esse percentual é pouco. Dilma não concordou.

Os sindicalistas também propuseram que, a exemplo da disposição do Palácio do Planalto de manter até 25% de conteúdo nacional nas compras governamentais, essa prática seja extensiva à cadeia produtiva como um todo. Dilma apenas anotou.

– Continuamos achando que o plano ainda não atende nossas expectativas, embora tenha pontos positivos – resumiu Paulinho.

Paulinho também afirmou que para facilitar a exportação de produtos nacionais, o governo pode adotar um sistema de especialização dos portos. Se isso for feito, o porto de Santos, por exemplo, ficaria responsável por atender determinados produtos, o do Rio, outros. Mas ainda não há nada definido nesse assunto.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/economia/mat/2011/08/04/dilma-aparece-de-surpresa-em-reuniao-para-pedir-desculpas-sindicalistas-por-nao-ter-negociado-politica-industrial-925061969.asp#ixzz1U5P4ufsS
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A maior bancada da Câmara dos Deputados, a do Partido dos Trabalhadores (PT), escolheu as reformas política e tributária como os dois grandes temas para o segundo semestre. A informação é do líder Paulo Teixeira (SP), que coordenou encontro da bancada no início da semana, para planejar e definir as prioridades do semestre.

O principal ponto da reforma eleitoral defendida pelo PT é o financiamento público de campanha. “Essa medida evitará que a política seja capturada pelo poder econômico, democratizando as disputas”. O líder lembrou que, numa trajetória crescente, desde a redemocratização, o sistema tem sido tolerante com o uso e abuso do grande capital em eleições.

“Uma das consequências é que as campanhas eleitorais têm ficado cada vez mais caras, afastando o povo e lideranças populares da atividade política”, comentou Paulo Teixeira. “Somos uma sociedade desigual e cada dia mais o financiamento de campanha requer uma arquitetura financeira que afasta pessoas comuns, sindicalistas, intelectuais e grandes personalidades da política, por conta do custo da campanha”.

Quanto à reforma tributária, Paulo Teixeira a considera essencial para impulsionar o crescimento econômico do país, gerando mais emprego e renda. Na proposta do governo, um dos pontos principais é a desoneração das empresas que geram mais empregos. O processo já começou com o Plano Brasil Maior, lançado dia 2. Uma das medidas desonera a folha de pagamento dos setores que empregam grande volume de mão de obra, como confecção, calçados, móveis e software, sem afetar a Previdência, já que o Tesouro irá cobrir os gastos. Também faz parte o projeto do Super Simples Nacional, que atualiza as faixas que se enquadram no regime tributário simplificado.

Saúde, Segurança, Comissão da Memória e Vale Cultura

A saúde é outro destaque. “Achamos que o Parlamento deve dialogar com os governos estaduais e municipais para encaminharmos de forma adequada a melhoria da saúde no Brasil, sobretudo com a regulamentação da emenda constitucional 29, que precisa ser pactuada entre todos estes atores”, disse o líder petista.

Paulo Teixeira citou também outros pontos importantes destacados pela Bancada do PT, como a criação da Comissão da Memória e da Verdade, Emenda Constitucional que combate o Trabalho Escravo e a redução da jornada de trabalho para quarenta horas semanais, o que favorece a geração de empregos. “Além disso, precisamos votar o Plano Nacional de Educação (PNE) que vai melhorar a nossa educação, o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) que amplia as vagas e leva para o interior novas oportunidades de estudo, o Programa de Incentivo à Cultura (Procultura), que vai distribuir melhor os recursos para a área ”, acrescentou.