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Vagner Magalhães
Direto de São Paulo

Desde a última segunda-feira, quando se encontrou com engenheiros em São Paulo, o candidato do PT, Aloizio Mercadante, procura trazer para o debate político o atual modelo de gestão da Sabesp, que em sua opinião tem priorizado os acionistas da empresa, em detrimento de investimentos mais pesados, notadamente na área de saneamento básico.

Segundo ele, a Sabesp precisa de uma mudança clara em sua gestão. “É preciso ser mais exigente no investimento para o tratamento de esgoto e no combate ao desperdício, que hoje chega a 25% da água que é produzida. São investimentos pesados, que diminuiríam o lucro da empresa. Porém, é preciso lembrar que a Sabesp precisa cumprir o seu papel social”.

Questionado pelo Terra sobre o tema no mesmo dia, Alckmin afirmou que Mercadante estava mal informado. “O grande problema são grandes municípios não operados pela Sabesp e que tem tratamento de esgoto de quase 0%. Você tem grandes municípios quase sem tratamento de esgoto. Pela Sabesp nenhum. A Sabesp universalizou praticamente o tratamento de água, aumentou muito a coleta de esgoto e agora o tratamento”, disse Alckmin.

Mercadante voltou ao tema. “Esse argumento não é verdadeiro. Cidades grandes como Osasco tem apenas 15% de tratamento de esgoto. Carapicuíba tem 8%, Itapevi, 5%. Vargem Grande Paulista não tem tratamento”, disse. Segundo o candidato petista, cidades como Campinas, e Santo André, que contam com o serviço de empresas municipais, tem 85% e 60% do esgoto tratado.

Em uma posição confortável nas pequisas, Alckmin tem evitado citar Mercadante ou o PT nas entrevistas e procura não se envolver em polêmicas.

O PSDB delegou a Sydney Beraldo, coordenador da campanha, a tarefa de defender a gestão empresa pública. Segundo ele, a Sabesp realiza hoje a maior iniciativa de saneamento do País e uma das maiores, em termos ambientais, em todo o mundo.

Beraldo diz que para a terceira fase do Projeto Tietê, em andamento, estão previstos investimentos de cerca de R$ 1 bilhão em toda a região Metropolitana de São Paulo. O projeto foi iniciado em 1992 e a terceira fase está prevista para ser concluída em 2015.

“Nas duas primeiras fases já foi investido US$ 1,6 bilhão. Ao todo, serão mais de U$ 2,5 bilhões em ações para melhorar a qualidade de vida dos moradores da região”, disse.

Segundo Beraldo, na terceira etapa, serão construídos 580 km de coletores e interceptores, 1.250 km de redes coletoras e efetivadas 200 mil ligações domiciliares. As estações de tratamento de esgotos também terão sua capacidade de tratamento ampliada, em média, em 7,4 m³/s.

“Afirmar que a Sabesp não prioriza investimento em saneamento demonstra desconhecimento do assunto e do trabalho da companhia no Estado”, diz Beraldo.

Procurada, a Sabesp preferiu não se manifestar, sob a alegação de não se envolver em questões político-eleitorais.

Colaborou Marina Gama