Posts Tagged ‘Salvador Allende’

 

Há duas efemérides marcantes neste domingo, 11 de setembro.

A menos relevante para nós  é aquela que a mídia colonizada trombeteia ad nauseam: o décimo aniversário de um atentado nebuloso nos EUA, com grande possibilidade de ter sido urdido ou, ao menos, consentido pelos que depois surfaram na onda da indignação provocada. Algo como uma versão atualizada do incêndio do Reichstag.
O certo é que deu pretexto para o desencadeamento de uma escalada repressiva/intervencionista que fez lembrar a intolerante e paranóica década de 1950 — aqueles anos terríveis do macartismo e da guerra fria.
Os efeitos da pirotecnia atribuída a Osama Bin Laden, contudo, pouco se fizeram sentir no Brasil — ao contrário dos de um atentado que golpeou duramente as aspirações dos povos latino-americanos, destruindo um dos mais generosos experimentos socialistas do século passado.

Deixando de lado a pauta da imprensa espiritualmente satelizada pelo Império (*), eu quero mesmo é reverenciar um dos maiores heróis da nossa sofrida América Latina: Salvador Allende, o  compañero presidente.

Que nunca pretendeu, no poder, ser nada além de outro militante revolucionário, como todos os seus companheiros de jornada na luta por um Chile com liberdade e justiça social.
E que, naquele terrível 11 de setembro de 1973, não aceitou curvar-se aos tiranos, preferindo a morte digna à fuga indigna que lhe ofereceram.
Então, as palavras que endereçou ao povo pelo rádio, na iminência do martírio, inspirarão para sempre os combatentes por um mundo redimido do pesadelo capitalista:

Colocado numa transição histórica, pagarei com minha vida a lealdade do povo. E lhes digo: tenho certeza de que a semente que entregaremos à consciência de milhares e milhares de chilenos não poderá ser extirpada definitivamente. Trabalhadores de minha Pátria! Tenho fé no Chile e em seu destino. Outros homens se levantarão depois deste momento cinza e amargo em que a traição pretende se impor. Sigam vocês sabendo que, bem mais cedo do que tarde, vão abrir-se de novo as grandes alamedas por onde passará o homem livre, para construir uma sociedade melhor.

* E que ninguém venha me falar em números redondos e quebrados: aposto até meu último centavo que, em 11 de setembro de 2013, a mídia servil dará muito mais destaque aos 12 anos do atentado ao WTC do que aos 40 anos da morte de Allende.

 

Por: Redação da Rede Brasil Atual

São Paulo – O presidente do Chile, Sebastián Piñera, recebeu, nesta semana, relatos sobre 32 mil novos casos de violações de direitos humanos ocorridos durante o governo militar de Augusto Pinochet (1973-90).

O relatório é fruto de um desdobramento da Comissão da Verdade e Reconciliação daquele país, iniciada logo após o fim do regime repressivo, e ao mesmo tempo simboliza o fim dos trabalhados inaugurados há mais de duas décadas, com o estabelecimento de um total de 2.279 casos de desaparecidos e executados políticos.

A atual etapa, chamada de Comissão Valech, teve um período de duração de 18 meses e obteve relatos sobre 9,8 mil novos casos de tortura e 30 sobre desaparições ou execuções. Segundo a vice-presidenta executiva da comissão, Maria Luisa Sepúlveda, o presidente Piñera se comprometeu a fazer uma avaliação do material antes de torná-lo disponível a todo o país. “Não nos resta dúvida de que este é um passo na abordagem em políticas públicas que o Estado do Chile teve em relação às violações dos direitos humanos”, agregou a ex-secretária nacional de Direitos Humanos.

A nova apuração foi aberta durante o governo de Michelle Bachelet para abarcar casos que não foram investigados no período anterior, encerrado em 2005. Houve uma série de situações em que não foi possível provar uma motivação política direta por falta de provas. Mireya García, dirigente da Agrupação de Familiares de Detidos Desaparecidos, considerou muito alto o número de mortes que não foram esclarecidas. “São cifras aberradoras. Pode haver casos que não cumprem com os requisitos, mas que sejam quase 70% do total. É um absurdo, é ilógico.”

Leia também: