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Enviado por luisnassif

Cantei esse movimento no ano passado. O governo Serra era amplamente vulnerável, sem noção de gestão, de planejamento, um grande ausente do dia a dia da administração, preocupado apenas em operar politicamente. Em suma, havia material amplo para uma reavaliação da velha mídia, sobre o “grande gestor” Serra.

Esse processo – alertava no ano passado – teria início passadas as eleições. Haveria, de um lado, o desencanto da velha mídia por ter apostado todas suas fichas, empenhado sua credibilidade em um cavalo manco. Depois, a necessidade de derrubar o empecilho para abrir espaço para os novos futuros candidatos.

É o que está ocorrendo a olhos vistos. A Folha traz a matéria da WikiLeaks sobre as conversas entre Serra e a Chevron.

Hoje, no Estadão, duas matérias fortes. A primeira, sobre os gastos de saúde de Serra no último ano, com as tais policlínicas alardeadas por ele nos debates políticos – comentei inúmeras vezes que, por seu custo, era experiência que não podia ser massificada e, portanto, se transformar em política de saúde.

A matéria do Estadão (de Julia Duailibi e Daniel Bramatt) é completa, um jornalismo que ficou ausente no período eleitoral. Fala dos aumentos desmedido dos gastos em saúde. Ora, mas aumentar gastos em saúde não é uma prática socialmente responsável? Não, foi politiqueiro. Segundo a matéria, o próprio Secretário de Saúde, Luiz Roberto Barradas (grande sanitarista) ameaçou pedir demissão, em razão da explosão de custos do setor.

Dado importante é que de outubro de 2009 a outubro de 2010 – em pleno período eleitoral – houve crescimento de 37% nos repasses para as organizações sociais que administram unidades de saúde do Estado.

Gastos na Saúde estouram e viram problema para novo governo paulista – brasil – Estadao.com.br 

Gastos na Saúde estouram e viram problema para novo governo paulista

Se previsões orçamentárias para 2010 forem alcançadas, despesas com o setor da Saúde chegarão a R12,5 bilhões, provocando aumento real de 22%, recorde para a área durante as gestões dos governadores José Serra e Alberto Goldman

13 de dezembro de 2010 | 0h 00
  • Julia Duailibi e Daniel Bramatti – O Estado de S.Paulo

O estouro dos gastos na área da saúde tornou-se a principal preocupação para a equipe de transição do governador eleito de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB). A abertura de Ambulatórios Médicos de Especialidades (AMEs) e unidades da Rede Lucy Montoro, entre outras medidas que serviram de vitrine na campanha do ex-presidenciável José Serra, levaram a um salto nas despesas em 2010.

Neste ano eleitoral, se as previsões orçamentárias da Secretaria da Saúde forem atingidas, as despesas correntes – com pessoal, material de consumo e repasses para organizações sociais, entre outras – chegarão a quase R$ 12,5 bilhões. Em comparação ao que foi desembolsado em 2009, será um aumento real – já descontada a inflação – de 22%, a maior variação anual da gestão Serra-Alberto Goldman.

A fatia referente à Saúde no bolo das despesas totais do governo vem aumentando ano a ano – era de 11% em 2006, chegou a 11,8% em 2009 e caminha para um recorde em 2010.

Para arcar com o crescimento dos custos, o Tesouro estadual liberou neste ano mais de R$ 1 bilhão em créditos suplementares para a pasta. Pesquisa no Diário Oficial mostra que, somente no último mês, foram enviados R$ 369 milhões.

Parte dos gastos foi coberta pelo crescimento da receita acima do previsto, na proporção do peso orçamentário da Secretaria da Saúde. Ainda assim, o Tesouro teve de enviar recursos extras para cobrir as despesas de 2010, segundo informações obtidas pelo Estado.

Ao analisar o crescimento das despesas, a equipe de transição deu o aval para o projeto de lei enviado para a Assembleia pelo governador Alberto Goldman (PSDB), no começo do mês, segundo o qual até 25% das internações na rede pública do Estado serão destinadas a pacientes com planos de saúde, que terão de ressarcir os cofres públicos pelo atendimento. Para integrantes do novo governo, a medida ajudará a financiar o crescimento dos gastos com a máquina.

Uma iniciativa parecida foi vetada por Serra, enquanto governador, em 2009. Na época, entre outros pontos, alegou-se que já havia legislação estadual e federal prevendo a cobrança dos usuários com planos de saúde. Mas integrantes do governo achavam que a aprovação da medida poderia ser um tiro no pé do ponto de vista político. Potencial candidato à Presidência, Serra seria acusado de ter promovido a privatização da saúde durante a campanha, avaliaram aliados do ex-governador.

“Houve uma tentativa de fazer e inaugurar obras muito rápido e com claro viés eleitoral. O crescimento é desproporcional de um ano para outro”, diz o deputado estadual Fausto Figueira (PT), que atua na área da saúde. “Um projeto como esse já havia sido aprovado pela Assembleia a pedido do governo, mas acabou vetado porque seria um desastre do ponto de vista eleitoral.”

“São Paulo ampliou bem o atendimento, com AMEs e novos hospitais. Isso justifica o aumento dos gastos. E o projeto de lei faz justiça nesta área: o seguro saúde vai ressarcir as despesas de quem paga convênio e foi atendido na rede pública”, afirmou o líder do governo na Assembleia, Vaz de Lima (PSDB).

Integrantes do governo e parlamentares tucanos revelaram ao Estado que Luiz Roberto Barradas, ex-secretário de Saúde da gestão Serra, que morreu neste ano, ameaçou pedir demissão em razão do crescimento dos custos do setor.

Desafio. Neste ano foram inaugurados 15 AMEs e 4 unidades da Rede de Reabilitação Lucy Montoro, carros-chefe da gestão social do PSDB no Estado e que constavam do programa de governo tucano na eleição presidencial. “O desafio para o ano que vem é continuar investindo e pagar a conta”, afirmou um integrante do governo.

Especialistas apontam que o custeio na área da saúde é um dos mais altos entre todos os órgãos públicos. Além da compra de medicamentos, há avanços tecnológicos que, diferentemente de outros setores, encarecem os produtos.

“A construção de um hospital, por exemplo, pode custar R$ 100 milhões. Em um ano de uso, serão gastos outros R$ 100 milhões só para o funcionamento e manutenção”, afirmou o deputado estadual Pedro Tobias (PSDB). “Sempre vai faltar dinheiro na saúde. Essa é uma discussão feita no mundo inteiro. O caro é a manutenção. Mas temos que ficar atentos aos gastos altos. São Paulo não fabrica dinheiro.”

“Não percebemos nenhuma melhora na compra de medicamentos ou pagamento de salários nas unidades hospitalares que justifique esse crescimento dos gastos. O que houve foi o crescimento dos repasses para as organizações sociais e aumento do processo de terceirização”, afirmou Hélcio Marcelino, secretário-geral do Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Saúde no Estado de São Paulo.

As Organizações Sociais de Saúde (OSS), que administram hospitais de São Paulo, recebem grande parte da verba do setor no Estado. Levantamento feito pela assessoria técnica do PT na Assembleia mostra que, entre outubro de 2009 e outubro de 2010 houve um crescimento de 37% nos repasses do Estado para as organizações sociais, chegando a R$ 2,1 bilhões.

 

Serra tem escolta 3 vezes maior que antecessor – politica – Estadao.com.br

Serra tem escolta 3 vezes maior que antecessor

Ex-governador Lembo diz que tucano dispõe de 30 homens para segurança, mais que ele e Alckmin; Casa Militar define número, diz ex-secretário

10 de dezembro de 2010 | 23h 01

Marcelo Godoy, de O Estado de S.Paulo

SÃO PAULO – O ex-governador José Sera (PSDB) tem à disposição 30 homens da Casa Militar (CM) de São Paulo. O número é um pouco mais do que o triplo do contingente de policiais que servem os ex-governadores Geraldo Alckmin (PSDB) e Claudio Lembo (DEM). Quem conta essa história é Lembo. “Ele tem 30 homens. Esse é um número público”, disse.

O Estado procurou Serra por meio de sua assessoria, mas não obteve resposta. O senador eleito Aloysio Nunes Ferreira (PSDB), que foi seu secretário-chefe da Casa Civil, afirmou que quem fixa os efetivos da escolta é a Casa Militar. “O governador não diz quantos soldados devem compor sua escolta.”

Segundo ele, o que define o número de PMs são critérios técnicos. “Não é o capricho do governador. Isso é definido segundo as características de cada governador. O chefe da Casa Militar fixa o efetivo necessário. Não sei quantos, e ela (CM) não divulga por razões de segurança.”

O aumento da escolta teria ocorrido enquanto Serra ainda era governador. Depois que deixou o Palácio dos Bandeirantes, ele manteve a segurança, a exemplo dos ex-governadores, com base no decreto 48.526, de 2004. Este define que ex-ocupantes do cargo têm direito a escolta no período do mandato subsequente ao seu, mas não diz o tamanho da proteção – ex-presidentes da República têm o mesmo direito.

Alckmin manteve à sua disposição quatro soldados e um capitão e Lembo, um oficial e oito soldados. Atual secretário de Negócios Jurídicos da Prefeitura de São Paulo, Lembo governou o Estado em 2006, quando assumiu o cargo em substituição a Alckmin, que se afastara para concorrer à Presidência da República.

Ele disse que sua escolta era franciscana mesmo enquanto era governador. “Eu só tinha motorista e um ajudante de ordens (um capitão da PM). E eu enfrentei os ataques do PCC (Primeiro Comando da Capital). Um governador não pode ter medo.” O democrata se refere aos ataques, em maio de 2006, que deixaram 47 agentes públicos mortos.

Austero

Lembo afirmou que procurava “ser austero”. “O Geraldo (Alckmin) também tinha muita austeridade.” O ex-governador afirmou não se lembrar quanto gastava em média por mês no palácio, mas disse que só despendia o essencial. “Tinha um cuidado miserável.” E criticou Serra, seu sucessor, dizendo que os gastos cresceram depois que ele saiu. “No meu tempo tinha vinha de São Roque”, disse.

Lembo diz que não fez grandes gastos. Depois que deixou o cargo, afirmou que foram construídos um restaurante para os funcionários no palácio. Este teria passado ainda por outras mudanças, como a saída das instalações da CM do andar superior do prédio, perto da ala residencial.

“Até hoje os PMs estão tristes. Ele (Serra) os pôs no subsolo”, afirmou. Além disso, Lembo lembrou que seu sucessor criou um jardim de inverno na ala residencial do palácio, onde antes “não havia nada”. “O Geraldo deixava os cachorros dele lá”. Lembo disse não saber se o “jardim é bonito”, “Mas a vista é muito bonita.”

Aloysio Nunes afirmou que as obras no palácio foram necessárias. Havia infiltração no prédio e a reforma do restaurante, além da garantir mais conforto aos funcionários, serviu para proteger obras de arte dos Bandeirantes que eram afetadas pela fumaça da cozinha. “Estranho que ele (Lembo) tenha esperado Serra deixar o governo para fazer essas declarações”, afirmou.

Candidato garantiu a executiva da Chevron que sistema de partilha seria derrubado e empresas retomariam a posse exclusiva dos lucros


Por: Fábio M. Michel, Rede Brasil Atual

São Paulo – Matéria da Folha de S.Paulo desta segunda-feira (13), a partir de conteúdo publicado pelo Wikileaks, mostra que o candidato derrotado à Presidência da República, José Serra (PSDB), prometeu que tomaria medidas para satisfazer os interesses das petroleiras americanas em relação ao marco exploratório do pré-sal.

“Deixa esses caras (do PT) fazerem o que eles quiserem. As rodadas de licitações não não acontecer, e aí nós vamos mostrar a todos que o modelo antigo funcionava… E nós mudaremos de volta”, disse Serra a uma diretora da Chevron, relata um dos telegramas obtidos pelo Wikileaks junto ao serviço diplimático norte-americano.

Patricia Pradal, diretora de Desenvolvimento de Negócios e Relações com o Governo da petroleira norte-americana relatou a conversa ao consulado dos EUA no Rio.
A troca de telegramas cita ainda que a previsão de que o Brasil se tornará um grande “player” no mercado de petróleo, a partir das descobertas dos campos do pré-sal.

O jornal diz também que um dos responsáveis pelo programa de governo do candidato tucano, o economista Geraldo Biasoto, confirmou que a proposta do PSDB previa a reedição do modelo anterior.

A mudança que desagradou às petroleiras foi aprovada pelo governo na Câmara no começo deste mês. Até então, a exploração de campos petrolíferos obedeceu a um modelo de concessão, em que a empresa vencedora da licitação era considerada proprietária do petróleo extraído e pagava royalties ao Brasil.

Mas com a descoberta dos campos na camada do pré-sal, o governo alterou o modelo para o de partilha, o que obriga o vencedor a dividir o óleo com a União. Além disso, a Petrobras será a única a operar o pré-sal e, em caso de formação de consórcios com outras empresas, sua participação mínima será de 30%.

Leia a matéria completa da Folha de S.Paulo sobre os planos de Serra de entregar o pré-sal para as empresas estrangeiras.http://www1.folha.uol.com.br/poder/844645-petroleiras-americanas-eram-contra-novas-regras-para-pre-sal.shtml

“Não se larga um líder ferido na estrada a troco de nada. Não cometam esse erro” (PRETO, Paulo. 2010)

 

Publicado no blog do Nassif:

A indignação de Paulo Preto

Do Estadão
E-mail de Paulo Preto cita ”ingratos e incompetentes”

Em mensagem a tucanos, ex-diretor da Dersa critica tratamento recebido na campanha

Julia Duailibi – O Estado de S.Paulo

Mensagem atribuída ao ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza e enviada por e-mail a dirigentes tucanos classifica de “ingratos” e “incompetentes” integrantes do governo estadual e os envolvidos na eleição deste ano.

“De uma hora para outra, com a força de ambições e covardias, vi minha vida profissional de mais de 40 anos ser apresentada ao País de forma distorcida e mentirosa. Não guardo rancor, nem mágoas. Tenho a indignação dos que se sentem injustiçados”, diz a mensagem, cujo título é “Esclarecimentos”.

Souza, conhecido por Paulo Preto, tornou-se um personagem da disputa presidencial de 2010. Responsável por uma das maiores vitrines do PSDB em São Paulo, o Rodoanel, orçado em R$ 5 bilhões, o engenheiro foi acusado pela revista IstoÉ de ter sumido com R$ 4 milhões, que teriam sido arrecadados em nome do partido.

Diante do silêncio de tucanos a respeito das acusações, no decorrer da campanha, o ex-diretor da Dersa chegou a dar entrevista na qual ameaçou dirigentes do PSDB. Na ocasião, ele disse: “Não se larga um líder ferido na estrada a troco de nada”.

No e-mail, que classifica o período eleitoral de “festival de bobagens e inverdades”, estão descritos os nomes de tucanos que negaram a “acusação” dos R$ 4 milhões. São citados o ex-candidato à Presidência pelo PSDB, José Serra, o presidente nacional do partido, Sérgio Guerra, o presidente do PSDB municipal, José Henrique Reis Lobo, e o presidente do comitê financeiro da campanha, José Gregori.

No caso de Serra, é destacado que o tucano negou a versão numa “coletiva em Aparecida”. Em viagem à cidade paulista, o então candidato comentou as declarações em tom de ameaça de Souza e afirmou que as acusações contra ele eram “falsas” e “injustas”.

Na mensagem também são citadas pessoas, jornalistas e políticos que o ex-diretor da Dersa processa por danos morais, como o vice-presidente-executivo do PSDB, Eduardo Jorge.

O texto também enumera mais de dez obras que tiveram o envolvimento de Souza. Segundo ele, “fatos positivos realizados sob minha coordenação”. “Infelizmente nosso País tem muito a melhorar com relação à forma como os seres humanos tomam atitudes sem escrúpulos com a verdade”, acrescenta.

“Os empreendimentos acima ficaram no esquecimento e a desinformação da população brasileira foi fruto da conduta equivocada dos ingratos, ciumentos e incompetentes da área privada ou pública, candidatos ou não à cargos eletivos”, continua o texto. No final da mensagem, um aviso: “Serenamente, irei buscar as reparações para o mal que me imputaram nos fóruns competentes e não descansarei enquanto não condenar e punir àqueles que me caluniaram”.

Marcos Coimbra

Quase toda a imprensa usou mapas coloridos nas representações dos resultados da eleição presidencial. E, por razões evidentes, foi consenso pintar de vermelho os estados onde Dilma Rousseff ganhou e de azul aqueles em que José Serra se saiu melhor.

É um procedimento que ajuda a visualizar o que aconteceu, mas que leva a diversos equívocos. O mais grave é dar a impressão de que fomos “dois Brasis” na eleição: na metade- de baixo (Sul, Sudeste e Centro-Oeste), predominando o azul e, na de cima (Nordeste e Norte), o vermelho.

Como todo mundo sabe que a parte azul é mais rica e moderna e a vermelha mais pobre e atrasada, a impressão provocada por mapas desse tipo é de que o Brasil desenvolvido foi derrotado pelo subdesenvolvido. Se dependesse do primeiro, Serra seria o presidente. Inversamente, dos mapas emerge a conclusão de que Dilma venceu à custa da pobreza.

Mas é possível ir adiante nessa cartografia, buscando os matizes de cada cor. Por meio deles podemos identificar os nichos mais típicos de cada candidato, os lugares onde o azul é mais azul e o vermelho mais vermelho. É neles que o serrismo e o dilmismo atingiram seu auge e sua essência ficou mais clara.

Os da presidente eleita são fáceis de antecipar: Dilma alcançou seu máximo nos bolsões de extrema pobreza do interior do Nordeste. Lá, onde o Bolsa Família cobre quase toda a população, ela ultrapassou 90% dos votos, esmagando o adversário.

Que bela e convincente maneira de demonstrar que, quanto maior a pobreza, maior a derrota de Serra, maior a vitória do “paternalismo” sobre a “modernidade”, do analfabeto sobre o educado. O que deixa o quadro menos arrumado e complica a versão fácil que empolga os setores conservadores é que o serrismo tem uma geografia que desafia essa explicação. Pois, se o vermelho se acentua de forma previsível, o azul fica mais carregado em lugares inesperados. Em outras palavras, o voto Serra chegou ao ápice em municípios e regiões que de modernos e educados não têm nada.

São várias as explicações para o fato de o Acre ter sido o paraíso do serrismo. Não foi em São Paulo, onde ninguém estranharia que vencesse por larga margem, nem nas partes mais tradicionais do País que ele teve sua melhor performance. Foi lá, longe do “Sul Maravilha”, que Serra obteve mais que o dobro dos votos da petista, venceu em todos os municípios (salvo em Feijó) e está o município mais serrista do Brasil, Porto Acre, cidade miserável e de baixos níveis de escolaridade, onde suplantou Dilma por uma vantagem amazônica. 

A versão mais corrente é que o petismo acriano seria responsável pela catástrofe. Depois de 12 anos no poder, o eleitorado teria mostrado, pelo voto em Serra, sua insatisfação com os irmãos Viana e seu grupo. Hipotéticas evidências são arroladas para sustentar a tese, desde desgastes com o funcionalismo público estadual a críticas ao modo como dialogam com a mídia.  

O problema desse raciocínio é que tanto Tião Viana se elegeu governador quanto Jorge Viana senador. Ou seja, os acrianos teriam se comportado de maneira totalmente esdrúxula: para protestar contra os dois, os elegeram, mas derrotaram a candidata a presidente que apoiavam. Não seria muito mais lógico impedir que continuassem a administrar o estado?  

Para complicar o “mistério acriano” e colocar sob suspeita as explicações localistas, Marina Silva também perdeu para Serra, apesar de “filha da terra”. E, em outros estados do “corredor do agronegócio”, houve vários resultados que sugerem que a avaliação de quem apoiava Dilma não teve efeito no voto que ela recebeu. Blairo Maggi, por exemplo, foi um dos campeões de voto para o Senado, elegeu seu candidato ao governo do Mato Grosso, mas viu Dilma perder.

Não foram fatos locais que explicaram o que aconteceu no Acre e nos demais estados vencidos pelo tucano. Também não foi uma oposição “Brasil moderno” vs. “Brasil arcaico”, como ilustram amplamente os casos do Acre e de Porto Acre. Não foi a educação que deu votos a Serra e a ignorância a Dilma.

Serra venceu onde venceu por fatores ideológicos (exceção de São Paulo, onde o bairrismo teve influência). Não foi um voto explicado pela sociologia (ou a geografia), mas pela política.

No Brasil inteiro, foi basicamente o eleitor antipetista, em mui-tos casos anticonservacionista, anti-indigenista e “antimovimentos sociais”, a favor da “agenda moral” e dos “valores tradicionais” que votou em Serra. Foi o eleitor de direita. No Sul e no Centro-Oeste, chegando ao Acre e a Roraima, ele era maioria, ainda que pequena. Por isso, Serra venceu nessas regiões. E perdeu no País, onde esse voto é minoria.

O predomínio do voto de direita no Acre é algo que merece estudo. Mas o certo é que Tião e Jorge Viana estão de parabéns pela vitória que tiveram em um estado que se inclinou tanto nessa direção. Sua votação mostra que, apesar disso, o eleitorado do Acre reconhece o trabalho que fizeram em benefício do estado.

Marcos Coimbra

Marcos Coimbra é sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi. Também é colunista do Correio Braziliense.

 

         A vitória de Dilma não só representa um fato histórico na política brasileira, mas a vontade de um povo em continuar as mudanças implementadas no governo do Presidente Lula.  Lula que chegou ao governo sobre as asas de uma trajetória de vida na qual poucos acreditaram e se tornou o brasileiro mais famoso da história.

         O povo barrou o retrocesso político ao eleger a primeira mulher para governar o nosso país. Mais uma vez – esse povo – disse NÃO ao projeto político de um grupo que depredaram, saquearam e venderam o nosso patrimônio, e tentavam voltar – disfarçadamente – para acabar com o resto das nossas riquezas nacionais, mas esse mal foi afastado democraticamente.

         A campanha do candidato derrotado teve como ponto central o ódio e a mentira. Como não tinha proposta e tampouco um programa de avanço social e econômico que pudesse sobrepor as conquistas do Governo Lula, sem rumo, apelou para o estilo mais baixo que pode existir no embate político, qual seja a baixaria, e a partir daí passou a propagar o ódio e acusar a candidata Dilma de intolerante quanto à religião e de terrorista.  

A direita raivosa assumiu o comando da campanha de Serra, cujas informações eram obtidas por meio do consórcio midiático: Folha de São Paulo, Estadão, o Globo, a Globo, a Época, Veja. Esses órgãos da imprensa nativa sedimentados no eixo Rio-São Paulo, que representam uma parte das elites paulista e carioca, sobretudo a paulista, que odeia o nordestino, e que há muito tempo tentam pautar os destinos do país foram desmoralizados. Não forma mais opinião. O povo se libertou dessa matula de jornais e revistas que prestam um desserviço à nação. Ou seja, a manipulação desinformativa sobre a candidata Dilma, desequilibrando a disputa em favor do candidato Serra foi vergonhosa. A sociedade política sempre espera uma mídia que tivesse o dever de zelar pela imparcialidade da notícia e não ser vanguarda de uma candidatura em detrimento de outra.  

A liberdade de imprensa deve ser preservada em todo sentido. Entretanto, não pode ser um passaporte para a irresponsabilidade com a notícia e a informação. A mentira, a falsidade, a difamação, a calúnia e a distorção dos fatos são atentados à democracia e ao estado democrático de direito. Ferir esses direitos é ir de encontro aos princípios que norteiam a Constituição da República. O que se presenciou nessas eleições foi um desrespeito ao eleitor em razão da falta de isonomia de como os fatos eram noticiados. Houve um abuso sem precedência na mídia brasileira, jamais se viu tamanha desfaçatez para favorecer o candidato derrotado. Esses abutres da imprensa tentaram subtrair a consciência livre do povo. Não obstante, o povo deu uma resposta a altura que mereciam, elegendo Dilma, quer dizer: a fúria da mídia foi combatida com a fúria humilde e silenciosa do povo. Povo que fez opção pela continuidade de um Governo que está dando certo, avançando nos projetos econômicos, sociais e culturais. Esses avanços não poderiam ser interrompidos por um ideário político que não tem sentimento social, haja vista que ficaram oito anos no poder e não responderam ao anseio popular.

A vitória de Dilma frise-se, é o coroamento de um Presidente de origem humilde, que conseguiu quebrar barreiras até então intransponíveis. Lula rompeu o cerco arquitetado por essa elite perversa, atrasada e inconseqüente. Deu dignidade e autoestima às pessoas. Portanto, essa vitória tem um significado extraordinário para ele. Nesses oito anos de governo sofreu os mais odiosos preconceitos e aí está a resposta aos seus áulicos algozes que à espreita o aguardava para derrubá-lo. O povo respondeu ao chamado do seu líder maior, e disse NÃO aos saudosistas do regime totalitário, representados, sobretudo, nas famílias Frias, Mesquita, Civita e Marinho.

A elite e alguns párias sociais e políticos não aceitam, não admitem e tampouco toleram o maior Presidente que este país já teve, porque queria um Lula como o negrinho do pastoreio obrigado a abaixar a cabeça quando ameaçado pelo chicote de couro.

Em 2002 a esperança venceu o medo. Em 2010 a verdade venceu o ódio,  a mentira e farsa. A tentativa de frear a marcha das mudanças que o Brasil está experimentado restou frustrada. O povo repudiou a elite, a extrema direita e mídia conservadora.

Viva Dilma! Viva Lula! Viva o Povo! Viva a Democracia! Viva a verdade! Viva o Brasil.

 

ANTONIO EDMILSON CRUZ CARINHANHA – ADVOGADO

 

novembro 7th, 2010 by mariafro

Por: Regina Helena Alves da Silva, na Carta Capital
30 de outubro de 2010

Depois das semanas finais do primeiro turno das eleições presidenciais, quando vimos uma intensa produção e divulgação de vídeos no YouTube que compunham o cenário de divulgação de temas polêmicos com tom religioso como foco principal da campanha, agora temos novas ações na internet.

O momento que ficou conhecido como “bolinhagate” mostrou novamente a imensa batalha de imagens em nome de uma pretensa “verdade” que estas eleições trouxeram. Inicialmente temos uma reportagem no Jornal Nacional da Rede Globo, onde as imagens de um cinegrafista mostram cenas que foram interpretadas como uma grave agressão ao candidato José Serra. A reportagem acompanhava o candidato em uma caminhada em uma região da cidade do Rio de Janeiro. Em meio a um tumulto de pessoas andando em torno de José Serra, vemos cenas de pessoas com bandeiras vermelhas do PT e bandeiras com o nome da candidata Dilma Rousseff. As imagens mostram momentos de tensão entre as duas correntes de apoiadores. De repente vemos uma pequena bolinha de papel atravessar nossa tela e atingir a cabeça de José Serra. Ele passa a mão na cabeça e continua a andar. As cenas mostradas apresentam apenas uma bolinha de papel atingindo a cabeça do candidato, mas uma voz em off diz que, momentos depois, o candidato foi atingido por um objeto e teve que recorrer a um socorro médico.

No dia seguinte na internet estava postada e com grande número de acessos uma reportagem do SBT “desmentindo” essa versão dos fatos e apresentando uma outra. Agora tínhamos imagens mostrando que o candidato foi atingido apenas pela bolinha e nas cenas seguintes não havia nada que comprovasse qualquer outra ação com relação a objetos atirados rumo ao candidato.

A reação veio logo depois, quando a Rede Globo mais uma vez diz que não tinha todas as imagens porque seu cinegrafista estava acompanhando outros acontecimentos em torno da caminhada do candidato. Mas a Globo conseguiu imagens de um repórter da Folha de São Paulo feitas com um celular. Assim passamos a assistir a uma edição de imagens entre as feitas pela Globo que foram coladas as registradas pelo celular do repórter da Folha. Nesta edição, aparece em imagens de baixa definição algo enevoado perto da cabeça do candidato. Neste momento a reportagem da Globo lança mão de seu perito para casos polêmicos, Ricardo Molina. Molina confirma “com certeza” que o candidato havia sido atingido por um objeto “transparente”.

Assim a Globo esperava ter restabelecido a “verdade” dos fatos: um discurso técnico autorizado afirmava que existia um objeto e mesmo que não conseguíssemos vê-lo na imagem um perito nos afirmava que não podíamos ver nada porque o objeto era transparente.

Pouco tempo depois a internet já mostrava outra versão: a decodificação da montagem feita pela Globo nos mostrava como as imagens tinham sido “cortadas e coladas” de forma a nos mostrar algo transparente atingindo a cabeça do candidato. Com todos os detalhes alguém que não sabemos quem é mostrava como foi feita a edição falsa pelo Jornal Nacional.

A partir daí o assunto sumiu dos jornais televisivos e a batalha de imagens permaneceu na internet com apoiadores de Serra usando a segunda edição do Jornal Nacional para desqualificar a reportagem do SBT e os apoiadores de Dilma usando a desconstrução da edição da Globo para mostrar como a candidatura Dilma tem sido atacada por determinados órgãos de imprensa e reafirmar que a baixaria vem da campanha de José Serra.

Ainda no calor da batalha das imagens do “bolinhagate” começam a sair pesquisas de intenção de votos apontando o inicio da subida da candidata Dilma Rousseff e as pesquisas mostrando um aumento na popularidade do presidente Lula.

Toda a polêmica em torno da edição dessas imagens acabou por deixar em segundo plano a intenção por detrás da construção deste fato: o reforço nas tentativas de demonização dos militantes petistas. Como não tem sido eficaz atacar toda a candidatura Dilma, passaram a distinguir agora os apoiadores do partido da candidata. É acionado com o “bolinhagate” o eterno medo dos petistas tantas vezes usando nas campanhas de Lula.

O medo passa a ser disseminado em vídeos que satanizam o PT e essas imagens se ligam a propaganda eleitoral na televisão, onde a campanha de José Serra edita imagens de confrontos entre militantes em greves e campanhas políticas. A encenação da bolinha é apenas para trazer à tona a pretensa agressividade, raiva e violência dos petistas.

Aparecem na televisão e no YouTube cenas editadas colocando alguns momentos onde militantes excederam em campanhas junto com cenas de manifestações grevistas formando uma sequência cenográfica atemporal, nas quais a violência é a tonica da atuação política dos militantes petistas.

Durante esta campanha centenas de vídeos foram postados no You Tube como forma de propagar uma campanha de demonização do PT. Um mesmo canal – “Brasil dos Brasileiros” – postou em um dia 6 vídeos com mensagens sobre o perigo do PT. Desde um vídeo que mostra uma maquete branca da esplanada dos ministérios com o Palácio do Planalto e o congresso federal sendo pintados com uma tinta vermelha que escorre como sangue até uma figura masculina com a faixa presidencial segurando seis cães rottweilers nas mãos. Esse último vídeo faz a distinção entre Lula e Dilma. Uma voz em off diz que Lula em seu governo conseguiu conter a ferocidade dos petistas, mas termina a cena com uma pergunta: “se Dilma for eleita, ela conseguirá o mesmo?”. Neste momento as mãos soltam os cães e eles avançam no espectador.

Enquanto a polêmica da bolinha de papel mostrou como podemos editar verdades e tentar impor a idéia do BEM contra o MAL, vemos agora surgir com força total o sequestro final da história.

Voltam a ser disseminadas imagens de punhos erguidos nos moldes dos desenhos do realismo soviético com sangue escorrendo acompanhadas de uma voz em off dizendo de como os comunistas enganaram os russos primeiro oferecendo soluções para a miséria e a pobreza e depois com Stalin dominaram a todos e passaram a perseguir, torturar e matar os inimigos. Os petistas, os vermelhos, são estes que enganam a todos em um primeiro momento e depois mostram sua ferocidade e violência. É neste momento que a campanha de José Serra na internet busca seu caminho final, que é a transformação da adversária em uma pessoa perigosa que trata a todos como inimigos.

Assim é reacendida na cena pública o eterno medo dos brasileiros àquilo que não entendem e que nunca pode ser discutido: o período da ditadura militar. Dilma passa a ser a perigosa guerrilheira assassina e assaltante de bancos que lançara o país em uma ditadura pior que a stalinista.

A campanha de José Serra finaliza nosso período eleitoral com dois vídeos-força: um onde a ditadura aparece como vitima, vitima de uma mulher que espalhou corpos de militares mortos. O vídeo é acompanhado por uma enxurrada de e-mails com termos como

“a senhora e seus comparsas queriam implantar o regime de Cuba no Brasil e estes que estão aí , mortos pelo seu bando , foram alguns dos obstáculos que impediram que alcançasse o seu objetivo de implantar uma DITADURA COMUNISTA NO BRASIL.”

A ditadura militar passa a ser corporificada nesses homens que foram “traídos” por uma mulher que, esta sim, queria uma ditadura.

Assim o passado passa a ser um momento de alerta e a campanha de José Serra apresenta uma nova versão da história: tivemos um “período militar” onde alguns homens se sacrificaram para que uma mulher perigosa não tomasse o poder e transformasse nosso país em uma…. ditadura.

Como ações deste tipo não reverteram as intenções de votos e as pesquisas continuam mostrando o aumento das intenções de voto em Dilma Rousseff, a campanha de José Serra passa a tentar construir nosso futuro.

Postaram e estão disseminando agora um vídeo onde editam o que vai acontecer, uma construção em tons de documentário e referências ao filme 2012- O Ano da Profecia, onde arquitetam a figura de José Serra como o salvador do Brasil após o caos que se instalará com a eleição de uma mulher como Dilma.

As cenas apresentam o argumento de que como ela é a mãe dos dossiês esta será sua primeira ação como presidenta: preparar dossiês para perseguir os apoiadores do candidato derrotado. Perseguido mais uma vez, Serra foge do país e vai se exilar nos EUA. O Brasil vai se transformando lentamente em um país conflagrado e em uma ditadura comandada pela mulher-presidente. Em pouco tempo Lula se volta contra Dilma e comanda a oposição e depois de uma “guerra civil” na qual os parlamentares conseguem destituir Dilma do poder aparece a cena final com a volta do redentor da nação: José Serra desce do avião que o traz de volta ao Brasil e todos agora poderão se redimir do erro de ter votado em Dilma Rousseff.

Assim, depois de reeditar nosso passado colocando uma mulher como responsável pelo mal em um período tenebroso de nossa história que a campanha de Serra chama de “período militar” apontam um futuro de rompimento da nação insuflado por esta mesma mulher.

Nesta “arquitetura da destruição” da historia brasileira a campanha de José Serra usa os mesmos elementos de sempre: a demonização da figura feminina como a grande responsável pela perda do paraíso na terra, como a mãe assassina de seus filhos ainda fetos, como a que sempre trai, como a que a engana e envolve o homem, como aquela que pode nos colocar uns contra os outros.

Como na propaganda nazista, tanto do período de Hitler na Alemanha como o de Bush nos EUA, é importante sempre buscar elementos nos nossos medos mais escondidos e os potencializar até os limites do terror. A campanha de Serra, é claro, não consegue ainda este tipo de acionamento apenas demonizando a figura da mulher Dilma, mas o que se pretende não é mais o presente. O que se pretende agora é plantar um futuro onde o passado arquitetado por esta campanha possa fazer sentido e assim mais uma vez teremos constituída a figura do salvador da pátria que esteve tão perto de nós, mas não conseguimos compreendê-la.

Neste sequestro da história promovido pela campanha de José Serra os inimigos não são só a mulher que agora decide pelo seu corpo, a mulher que “não foge a luta”, mas também os homossexuais que “destroem a família”, os negros que “querem o privilegio da universidade a todo preço”, os pobres “que são vagabundos e vivem as custas do Estado”, enfim esses e muitos outros que já foram chamados de minorias e lutaram por seus direitos neste país.

O alvo principal da campanha de José Serra na internet foi sempre este: os direitos humanos. É isso que o incomoda, é a confirmação de nossos direitos que “atrapalha” o país. É assim que as conquistas da população brasileira são vistas nos vídeos veiculados por esta campanha na internet. Em um destes vídeos aparece uma figura masculina, vestida de padre gritando: “querem transformar crime em direito”.

Esta é uma cena-síntese do que esta campanha espalhou em suas ondas virtuais: os direitos humanos como o que nos levará ao inferno. Esta é a grande proposta de José Serra agora consolidada por sua fala em um encontro de pastores evangélicos (que pode ser encontrada no YouTube): nós não temos direito a ter direitos. Porque ter direito é um crime.

Do sequestro da história com a construção fascista do passado e do futuro, a campanha de José Serra nos legou as imagens virtuais de um presente assustador.

*Regina Helena Alves da Silva é professora do departamento de História da Universidade Federal de Minas Gerais

O ex-governador de São Paulo afirmou que o país está “fechado para o exterior” porque passa por um “processo claro de desindustrialização”. Ele criticou os investimentos do governo federal e a alta carga tributária do país.

“É um governo populista de direita na área econômica”, atacou Serra. Para o tucano, o presidente Lula exerce um “populismo cambial” e não tem um modelo econômico definido.

Segundo Serra, ele não pôde expor essas ideias do jeito que gostaria durante a campanha eleitoral, na qual foi derrotado pela candidata governista, Dilma Rousseff (PT).

O candidato derrotado à Presidência, José Serra (PSDB), acusou o presidente Lula de desindustrializar o país e adotar um “populismo” de direita em matéria econômica.

O comentário do tucano foi feito ontem durante um seminário em Biarritz, sul da França, sobre as relações entre a América Latina e União Europeia

“A democracia não é apenas ganhar as eleições, é governar democraticamente”, disse.

O sistema de orçamento participativo, uma das marcas das administrações municipais do PT, na qual o contribuinte decide sobre a destinação de parte dos impostos, também foi criticado pelo candidato derrotado.

Serra também comentou as ações brasileiras na política externa. Ele acusou o país de se “unir a ditaduras como o Irã”. Nesse momento, o tucano foi interrompido por um membro da Fundação Zapata, do México, que gritou “por que não te calas?”, provocando um alvoroço na sala.

A frase se tornou conhecida depois de o rei Juan Carlos, da Espanha, dirigi-la ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, durante a Cúpula do Chile, em 2008

Fonte: folhauol.com

O trecho Sul do Rodoanel deve custar R$ 180 milhões a mais para o Estado de São Paulo. É que as empreiteiras responsáveis pela obra alegam que tiveram que mudar o projeto original e comprar material de construção em outros locais para garantir a entrega em abril, antes da saída de José Serra do Palácio dos Bandeirantes.

Reportagem publicada na Folha de S. Paulo revela que “a tarefa de negociar com as construtoras para que a vitrine de Serra não atrasasse era do ex-diretor da Dersa, Paulo Vieira de Souza.”.

Conhecido como Paulo Preto, o ex-diretor da Dersa é acusado de envolvimento em esquema para fraudar licitações de empreiteiras.

Leia aqui a reportagem da Folha de S. Paulo.

Pressa encareceu obra do Rodoanel, afirmam empresas

Para garantir entrega no prazo para Serra, construtoras alegam que custo subiu; Estado diz que conclusão até abril era contratual

ALENCAR IZIDORO
DE SÃO PAULO

Empreiteiras do trecho sul do Rodoanel dizem que a obra ficou mais cara devido à necessidade de correr para conter os atrasos e entregá-la até abril -antes de José Serra (PSDB) sair do governo para ser candidato à Presidência.
Esse é um dos principais argumentos utilizados pelas construtoras para reivindicar da Dersa pagamentos extras que superam R$ 180 milhões.
Os pedidos à estatal foram formalizados de abril a junho, conforme documentos acessados pela Folha, e estão sob análise no governo. O Estado alega, porém, que esse prazo era contratual -obrigação delas, sob pena de multa a ser calculada.
A obra já teve um aumento em 2009 -mais de R$ 300 milhões, em valores atuais- e totaliza hoje R$ 3,3 bilhões.
As empreiteiras afirmam que chuvas atípicas provocaram imprevistos que afetaram os cronogramas.
Para conter atrasos, conforme pedido pela Dersa, dizem que tiveram de mudar o projeto original de terraplanagem e comprar pedra e asfalto em lugar distante, porque usinas e pedreiras previstas não conseguiriam produzir tudo de última hora.
O resultado final, segundo elas, é que os gastos aumentaram com novos materiais, maior quantidade de caminhões e de funcionários.
A tarefa de negociar com as construtoras para que a vitrine de Serra não atrasasse era do ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto.
Ele ganhou projeção após ser citado por Dilma Rousseff (PT) em um debate -a petista disse, baseada na revista “IstoÉ”, que ele teria desviado R$ 4 milhões destinados à campanha tucana. O engenheiro nega a acusação.
Serra fez a inauguração do trecho sul do Rodoanel um dia antes de sair do governo.

ASFALTO E PEDRA
Alteração citada por empreiteiras para conter atrasos foi definida com a Dersa em novembro. Ela incluiu a troca de terra e argila por cimento e rachão na camada final da terraplenagem.
A “providência foi tomada”, segundo relato do consórcio formado por OAS/ Mendes Jr./Carioca, após “concluir” que era “a única maneira de viabilizar a entrega das obras no prazo fixado e em perfeitas condições técnicas e de segurança”.
O consórcio formado por Odebrecht/Constran menciona também a elevação de gastos com asfalto e pedras.
A proposta original era que 91% da pavimentação fosse feita em 2009, mas “praticamente a totalidade desse serviço teve que ser executada nos meses de janeiro a março de 2010”.
Como a usina de asfalto não tinha “capacidade para atender ao volume de repente demandado”, segundo as empresas, foi preciso buscar usinas complementares, de 10 km a 85 km de distância.

 

A revista Isto É (edição de 3/11/2010) confirma a suspeita apontada pela Bancada do PT de que o ex-diretor da Dersa, Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, tem um íntimo relacionamento com as empreiteiras da construção do Rodoanel que não se restringe ao negócio envolvendo uma empresa de familiares.

“É uma relação incestuosa que existe entre Paulo Preto, sua filha e José Serra”, ressaltou o líder da Bancada do PT, deputado Antonio Mentor, durante a apresentação à imprensa da representação do PT à Procuradoria Geral de Justiça para investigar tráfico de influência.

Para quem conhece os meandros do mundo da construção civil, a impressão que fica ao analisar as mudanças é de que o diretor do Dersa preferiu privilegiar as empreiteiras, em detrimento da qualidade do empreendimento e da boa gestão do dinheiro do contribuinte.

A iniciativa de Paulo Preto também tinha outro propósito: o de adequar o andamento da obra ao timing eleitoral.

Leia, abaixo, a íntegra da reportagem da revista Isto É.

Paulo Preto e os negócios em família

Empresa de transportes criada pelo genro e pela mãe do ex-diretor do Dersa alugou guindastes às empreiteiras que construíram o rodoanel paulista

À medida que são esmiuçados os passos de Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, nos subterrâneos do governo tucano, vão ficando cada vez mais claras as relações comprometedoras do ex-diretor do Dersa com as empreiteiras responsáveis pelas principais obras de São Paulo. Em agosto, quando trouxe a denúncia formulada por dirigentes do PSDB do sumiço de pelo menos R$ 4 milhões dos cofres da campanha de José Serra à Presidência, ISTOÉ revelou que a maior parte da dinheirama fora arrecadada junto a grandes empreiteiras responsáveis pela construção do rodoanel. Agora é descoberto um elo ainda mais forte entre o engenheiro e as construtoras da obra, considerada uma das vitrines do governo tucano em São Paulo. A empresa Peso Positivo Transportes Comércio e Locações Ltda., de propriedade da mãe e do genro do ex-diretor do Dersa, prestou serviços para as obras do lote 1 do trecho sul do rodoanel por um período de, pelo menos, três meses no ano de 2009. A informação foi confirmada à ISTOÉ pela Andrade Gutierrez/Galvão, do consórcio de empreiteiras contratado pela obra. Os serviços consistiram no fornecimento de guindastes para o transporte e a elevação de cargas. “A empresa Peso Positivo, assim como outros fornecedores prestadores de serviços do consórcio, é contratada sempre de acordo com a legislação em vigor. A decisão de contratar prestadores de serviços é exclusivamente técnica”, alega a Andrade Gutierrez.

Arquivos da Junta Comercial de São Paulo mostram que a Peso Positivo foi criada em 30 de julho de 2003, com capital social de R$ 100 mil. Os sócios são Maria Orminda Vieira de Souza, mãe de Paulo Preto, 85 anos, e o empresário Fernando Cremonini, casado com Tatiana Arana Souza, filha do ex-diretor do Dersa, que trabalha no cerimonial do Palácio dos Bandeirantes, a sede do governo de São Paulo, e que já prestara serviços para a administração de José Serra à frente da Prefeitura de São Paulo. Tantas coincidências fizeram o PT pedir à Procuradoria-Geral de Justiça de São Paulo que investigasse as relações da Peso Positivo com o rodoanel. “É uma relação incestuosa que existe entre Paulo Preto, sua filha e José Serra”, afirmou o líder do PT na Assembleia, Antônio Mentor.

A confirmação da ligação entre as empreiteiras do rodoanel e a Peso Positivo, obtida por ISTOÉ, mostra que as suspeitas tinham fundamento. E também derruba de maneira cabal a versão de Cremonini, apresentada na última semana em entrevista ao jornal “O Estado de S.Paulo”. Segundo ele, a empresa “nunca teve clientes” na construção civil. “Meus maiores clientes são a Petrobras e a Votorantim Metais”, afirmou o empresário. “A única coisa que o Paulo me deu nestes anos todos foi a mão da filha e uma bicicleta.”

O íntimo relacionamento de Paulo Preto com as empreiteiras do rodoanel não se restringe ao negócio envolvendo uma empresa de familiares. Na última semana, denúncia da “Folha de S.Paulo” revelou que Paulo Preto, um dia após assumir a diretoria do Dersa, assinou uma alteração contratual na obra. Essa mudança permitiu às empreiteiras fazer alterações no projeto do rodoanel e até utilizar materiais mais baratos. No acordo assinado por Paulo Preto em maio de 2007 ficou definido que, em vez de ganharem de acordo com a quantidade, tipo de serviço ou material usado na obra, as empreiteiras receberiam um “preço fechado” no valor de R$ 2,5 bilhões. Para quem conhece os meandros do mundo da construção civil, a impressão que fica ao analisar as mudanças é de que o diretor do Dersa preferiu privilegiar as empreiteiras, em detrimento da qualidade do empreendimento e da boa gestão do dinheiro do contribuinte.

A iniciativa de Paulo Preto também tinha outro propósito: o de adequar o andamento da obra ao timing eleitoral. É que o acordo teve como contrapartida das empreiteiras a garantia de acelerar a construção do trecho sul para entregá-lo até abril deste ano, quando José Serra (PSDB) saiu do governo para se candidatar. O cronograma foi cumprido a contento. Agora, as empreiteiras apresentam um fatura extra de R$ 180 milhões. Essa espécie de taxa de urgência soma-se, portanto, aos adicionais de R$ 300 milhões já pagos em 2009.

As suspeitas sobre a maneira como Paulo Vieira de Souza atuava no Dersa extrapolam os limites geográficos da cidade de São Paulo. Recaem também sobre a fase III das obras de ligação das rodovias Carvalho Pinto e Presidente Dutra, no município de São José dos Campos. Desde que assumiu a diretoria de engenharia do Dersa, ele assinou dois aditivos sobre o convênio de R$ 84 milhões. Um desses aditivos previu a “implantação da marginal Capuava”, que nunca foi entregue. Onde foi parar o R$ 1,1 milhão, relativo à execução desse trecho, ninguém sabe dizer. “O dinheiro simplesmente desapareceu”, acusa o vereador de São José dos Campos Wagner Balieiro (PT). “Tive uma reunião com os diretores do Dersa e ninguém conseguiu me explicar por que a marginal não foi executada, embora o dinheiro tenha sido pago”, afirma Balieiro