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Por Eric Nepomuceno

Na noite da quinta-feira passada, dia 11, uma discreta mesa de um restaurante de Puerto Madero, a região de Buenos Aires preferida pelos turistas endinheirados e os empresários enfastiados, abrigou dois senhores bem vestidos. Eles pediram um cardápio nada original: provoleta, aquela grossa fatia de provolone levemente derretida na grelha e coberta de azeite e orégano, um inevitável asado, salada e vinho de Mendoza.

Pareceriam dois senhores num típico jantar sem outra razão que a rotina e o protocolo, num restaurante acostumado a misturar novos ricos espalhafatosos e empresários discretos, se não fosse observado um detalhe: eram os ministros de Economia mais poderosos da América do Sul, o argentino Amado Boudou e o brasileiro Guido Mantega. O jantar foi, na verdade, uma espécie de ensaio final para ajustar os detalhes do que seria discutido no dia seguinte, durante a reunião de ministros de Economia e dos presidentes dos bancos centrais da Unasul, a União de Nações Sul-americanas, nome do bloco nascido em 2008 e que reúne os doze países sul-americanos.

Durante toda aquela quinta-feira técnicos das equipes econômicas dos governos da região esmiuçaram diferenças e divergências procurando limar os pontos mais ásperos e diminuir atritos no encontro da sexta-feira. A proposta da cúpula de ministros era estabelecer uma ação comum para que os países da região consigam enfrentar sem maiores danos a descabelada crise que sacode as economias, derrete as bolsas e espalha o pânico entre os países mais ricos do planeta.

A jornada seguinte – sexta-feira, 12 de agosto – foi extenuante. Apesar dos esforços dos técnicos, algumas divergências continuavam agudas. Afinal, um dos que mais insistiram na convocação do encontro havia sido o presidente da Colômbia, o conservador Juan Manuel Santos, cujo governo ainda vê com desconfiança as políticas econômicas de quase toda a região e continua vendo com bons olhos as diretrizes de um neoliberalismo que causou cataclismos num tempo não tão remoto da América do Sul.

Encontrar pontos de convergência entre os integrantes do bloco não é nada fácil, mas havia e há evidente boa vontade para que se chegue a bom porto.

No final, um balanço positivo: o Conselho de Economia da Unasul conseguiu superar diferenças ideológicas e avançar em acordos técnicos. O discurso de Mantega, perfeitamente afinado com o de Boudou, se manteve firme: a América do Sul está preparada para enfrentar a crise, em condições ainda melhores que as de 2008, e precisa buscar suas próprias armas e defesas para não se deixar levar de roldão.

Pondo de lado os difíceis detalhes da estratégia a ser traçada, um dado deve chamar a atenção: a Unasul, que até agora tinha mostrado eficácia em episódios políticos pontuais (quando contribuiu de maneira decisiva para evitar desdobramentos de ameaças golpistas no Equador de Rafael Correa e na Bolívia de Evo Morales), pode avançar, no campo econômico, mais do que qualquer outra instituição regional jamais conseguiu. Diante do vendaval da crise que varre as economias centrais, os países sul-americanos parecem ter se lançado a sério na busca de proteções próprias, sem ficar à espera de decisões alheias. Pela primeira vez, e apesar das diferenças e distâncias que separam os próprios integrantes do bloco, todos parecem em melhores condições do que os países centrais sacudidos pela crise. O grande desafio dos governos da América do Sul é, a partir de agora, sair da área dos discursos e declarações e passar à prática.

O primeiro passo a ser dado é encontrar equilíbrio entre políticas tão dispares como as conservadoras, aplicadas pelos governos do Chile e da Colômbia, e as radicais, defendidas pela Venezuela, a Bolívia e o Equador. E é aí que deve-se ressaltar a importância mediadora e o peso específico dos governos aos quais pertencem aqueles dois senhores que, na noite da quinta-feira, véspera do encontro, se contentaram com um cardápio prosaico num lugar de novos ricos.

Oxalá – o jantar e a escolha do lugar, e não o que disseram no dia seguinte – tenha sido um mero disfarce para suas verdadeiras intenções.

Voce tambem poderá gostar de ler >>> É ou não é fraquinho este tal de Eric Nepomuceno????

Eric Nepomuceno é FRACO!!!A maior vitória do UNASUL foi LULA jogar o Néstor Kirchner para resolver o Impasse Colômbia X Venezuela, e ele, Eric Nepomuceno, nem citou.

O Golpe de Mestre foi o Eduardo Correa e o Lula sugerirem a COLOMBIANA María Emma Mejía para Secretária Geral do UNASUL. A COLÔMBIA é a ÚNICA nação que não assinou o Tratado de Adesão ao Bloco e, na Colômbia tem os fatores: Bases Americanas e as FARCs, e ele, Eric Nepomuceno, nem citou.

Os nomes mais influentes para consolidar o UNASUL são: O Secretário Geral do MERCOSUL, Samuel Pinheiro Guimarães e, o Ministro da Defesa do Brasil, Celso Amorim, e ele, Eric Nepomuceno, nem citou… Para ler o texto completo clique no balão ao lado do título deste post (com o número) e abra os comentários.

Reproduzo integralmente o material publicado pelo Chico por considerar o bem que faz o acesso a informação de qualidade para todos.

O texto original foi publicado em 17 de dezembro, se você gostar, no http://fatosnovosnovasideias.wordpress.com vai encontra mais. Boa leitura.

17-12-10 atualizado em 18-12-10

O legado de Lula

O presidente  brasileiro despediu-se ontem   da Cúpula do MERCOSUL, deixando o fato consumado da integração Continental. Ainda ontem, foram aprovadas  cláusulas que permitem o ingresso  Cuba na organização.

Em seu último pronunciamento, Lula rejeitou a  indicação feita por Evo Morales para que seja  candidato à presidência da ONU e informou (como este blog vem anteciando há semanas) que dedicará a maior parte de seu tempo de ex-presidente percorrendo a  a América do Sul, para consolidar a união  continetal, através do MERCOSUL e da UNASUL, União das Nações Sul-Americanas.

Texto de 17-12:

 Vitor Hugo disse certa vez (e se não disse deveria ter dito) que não há nada mais poderoso do que uma idéia que amadurece na hora certa. Cegos pelo rancor, o tucanos e sua mídia apátrida não percebem que a integração regional ou mesmo continental é algo inevitável.

 Mais além da vontade, é uma necessidade de todas as nações, no Mundo globalizado e de capitalismo  que atingiu o seu cume tecnológico. E que, por isso mesmo, entra em estado de  desagregação.

Isto tudo para dizer que os medíocres não vêem, os  mal intencionados fingem  não ver e os estadistas não só vêem, como  implementam estas idéias maduras e necessárias. Lula viu e implementou a idéia de integração da América do Sul. Por isso ele é muito mais estadista do que seus antecessores diplomados.

Só uma anta má intencionada não vê a importância não só do MERCOSUL como da União Sul- Americana (UNASUL) da qual ele é embrião. O comércio do Brasil com seus parceiros  e visinhos já  tem magnitude igual  a de nossas transações  com  Europa, China e Estados Unidos, com a vantagem de que aqui  exportamos produtos industriais e para os parceiros mais fortes, principalmente matérias primas.

É evidente, por igual, que quando fala por um continente  inteiro, o Brasil é  muito mais respeitado. E não há dúvida de que nossa liderança continental se dá de forma harmônica e natural, sem imposições ou truculências, graças à habilidade do Itamaraty.

Com a inclusão da Venezuela, o Mercosul consolida-se como uma potência econômica com produto bruto superior ao da França. Entretanto, quando a união continental se completar através da UNASUL, seremos 400 milhões de habitantes, uma das quatro maiores  potências mundiais e  a líder  absoluta na produção de proteínas  animal e vegetal, das quais o resto do Planeta depende absolutamente.

 E isto não é sonho, é projeto a alcance da mão que, felizmente, já está em curso. A parte alienada de nossa classe média não  é informada sobre isso.  A mídia não lhe dá acesso a essas informações elementares. E faz assim, porque  está articulada com os interesses  estratégicos (permanentes) dos Estados Unidos que são antagônicos aos interesses vitais brasileiros.

Isto porque, manter este segmento médio e medíocre da sociedade brasileira em sua santa  e preconceituosa ignorância, é exatamente a função da  grande imprensa. Para isso, profissionais como Jabor, Augusto Nunes e Heródoto Barbeiro, por exemplo, empregam diariamente sua capacidade de trabalho e seu talento.

Ontem (quinta-feira) e hoje, em Foz do Iguaçu, Lula está-se despendido (ele exercia a presidência rotativa) do MERCOSUL e de seus companheiros desta viagem com roteiro e final felizes: a construção da  Integração Sul-Americanas.

 Esse grande salto na História só foi possível porque houve uma perfeita sintonia entre Lula e  seu colega Néstor Kirchner, recém falecido. Assim como jamais teria sido consumada a União  Européia, enquanto França e Alemanha não acertassem seus ponteiros, a União Sul-Americana só  está tornando-se realidade, porque Brasil e  Argentina se entenderam.

Para concluir: ontem,  os integrantes da Cúpula do Mercosul  aprovaram cláusula e medidas práticas que permitem a Cuba ingressar no Mercosul como “Estado associado”, o mesmo status atual da Bolívia e do Chile. É o primeiro passo para que, no futuro, quando e se houver interesse ou lógica política, a Ilha possa entrar na organização como membro pleno.

 E isso poderia representar não só a redenção econômica de Havana, como a neutralização do sórdido e ilógico boicote econômico que os EUA mantém, há sessenta anos, contra Cuba, por puro capricho arrogante dos poderosos.