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07/02/2012 – Ponto de Vista
Uma leitora postou o seguinte texto no e-mail da coluna: “Quando Castelo Branco morreu num desastre de avião, verificaram os herdeiros que seu patrimônio limitava-se a um apartamento em Ipanema e umast poucas ações de empresas públicas e privadas. Costa e Silva, acometido por um derrame cerebral, recebeu de favor o privilégio de permanecer até o desenlace no palácio das Laranjeiras, deixando para a viúva a pensão de marechal e um apartamento em construção, em Copacabana. Garrastazu Médici dispunha como herança de família, de uma fazenda de gado em Bagé, mas quando adoeceu, precisou ser tratado no Hospital da Aeronáutica, no Galeão. Ernesto Geisel, antes de assumir a presidência da República, comprou o Sítio dos Cinamomos, em Teresópolis, que a filha vendeu para poder manter-se no apartamento de três quartos e sala, no Rio. João Figueiredo, depois de deixar o poder, não aguentou as despesas do Sítio do Dragão, em Petrópolis,vendendo primeiro os cavalos e depois a propriedade. Sua viúva, recentemente falecida, deixou um apartamento em São Conrado que os filhos agora colocaram à venda, ao que parece em estado lamentável de conservação. Não é nada, não é nada, mas os cinco generais-presidentes cometeram erros sem conta, mas não se meteram em negócios, não enriqueceram nem receberam benesses de empreiteiras beneficiadas durante seus governos. Sequer criaram institutos destinados a preservar seus documentos ou agenciar contratos para consultorias e palestras regiamente remuneradas. Bem diferente dos tempos atuais, não é?”.

Um jornal de nossa cidade publicou esta curiosa nota em sua coluna diária. Não consigo, no momento, vislumbrar as intenções, mas me sinto na obrigação de combatê-las desde já.

Salvo engano,  pois eu estava viajando e não acompanhei totalmente os desdobramentos, ninguém se manifestou e nem levantou nenhum contraponto sobre as absurdas comparações e informações ai descritas.

É pena, pois o assunto é rendoso e demonstra o quão nocivos foram estes cinco generais-ditadores e golpistas para nossa Pátria e, conseqüentemente, para o nosso povo, ao ponto de ninguém retrucar tamanha boçalidade e menosprezo pelo intelecto da nossa população. Isso nos prova que ainda não nos recuperamos do pavor, da repressão e da mordaça implantada por estes elementos que, mesmo depois de muitos anos do seu fim ainda povoam nosso inconsciente coletivo.

Vamos lá então aos contrapontos necessários e obrigatórios para cada blasfêmia aí descrita:

1- Esses cinco inimigos da Pátria e os políticos civis que lhe deram sustentação neste absurdo atentado contra a Democracia e contra um governo eleito pelo povo, conduziram o Brasil a vinte anos de atraso físico, pois estagnaram o crescimento do país. Mesmo que alguns digam que foram os responsáveis pela construção de boa parte da infra-estrutura vigente, ainda assim nos colocaram dentro de um atraso de décadas em relação a outras nações do mundo; moral, pois suas intenções golpistas apoiadas unicamente pela elite dominante e pelos interesses internacionais apearam do poder um governo legitimamente eleito para governarem autoritcariamente sob suas convenções doentias; intelectual, pois para manobrar uma população já devidamente mergulhada no despreparo e no atraso, negaram-nos educação para que isso nos fosse usado contra como ferramenta de controle social. Os filhos dos militares e da elite dominante estudaram, o filho do pobre continuou puxando a carroça e sendo açoitado.

2- Há controvérsias históricas quanto à fala de que não receberam benesses de empreiteiras durante seus governos, pois as principais empreiteiras que estão aí hoje no cenário nacional se agigantaram exatamente neste período, debaixo das bênçãos dos milicos e nas obras tocadas por esta gang, tudo devidamente às escuras, sem nenhum mecanismo claro que a população pudesse confiar, já que se alguém desconfiasse ou levantasse alguma dúvida, desapareceria no dia seguinte. Foi o meio mais eficaz de prestação de contas, pois não haveria dúvida alguma da transparência.

3- São os responsáveis pela grande e injusta concentração de terras que predomina hoje no Brasil, pois na ânsia de desenvolver regiões inóspitas a qualquer custo, presentearam grandes empresários com enormes quantidades de terras para empreenderem desenvolvimento e colonização.

4- Ao contrário do que prega a cidadã na defesa da suposta humildade dos generais golpistas, tiveram muita sorte os que sobreviveram à redemocratização e não foram para a cadeia pelo resto de suas vidas pagar pelos seus crimes, já que desonraram a farda que vestiam, além de traírem o povo que juraram defender e servir. O Brasil foi uma das poucas nações da América Latina que não julgou e nem puniu os militares que atentaram contra a Pátria neste período, isso graças novamente a intervenção da politicalha da elite dominante que pregava o não revanchismo, como se o conceito e a obrigação de se fazer justiça se tratasse de revanche. Justiça é reparo e como não se teve reparação e punição contra os tais personagens sinistros, outros do mesmo naipe ainda  podem se sentir estimulados nesta mesma ação, na caserna ou não, pois o neo-golpismo atual não se cria mais na caserna e sim nas redações dos grandes jornais e de uma tevê alavancada por estes militares. A pena moral do esquecimento da história eles receberam, mas ainda estão aí seus familiares recebendo indevidamente seus “soldos da vergonha e da desonra” do nosso erário público, dinheiro do povo que eles traíram.

5- Quanto à alegação de que não criaram institutos destinados à preservação de seus documentos e etc. etc. etc., é absolutamente lógico que queriam ser esquecidos (isso ficou claro nas próprias palavras do Gal. João Figueiredo numa das suas raras aparições depois do auto-exílio), pois sabiam de seus crimes e criminosos querem o esquecimento e não a perpetuação histórica.

Vivemos um período de amadurecimento democrático e estamos aprendendo com nossos erros da pós-redemocratização. A corrupção é latente, mas podemos gradativamente ir desenvolvendo mecanismos para minimizá-la. Se nossos representantes, eleitos com nossos votos e pela vontade da maioria não se comportam adequadamente, mesmo que a nossa ainda frágil Justiça não lhes alcancem, temos o recurso de execrá-los pelo voto. E antes???

Nem que todos os corruptos confessos da pós-redemocratização somem os prejuízos causados por suas ações corruptas (e é muita grana), ainda assim não dará um décimo dos prejuízos e do atraso que essa trinca de canalhas impôs ao povo brasileiro.

A principal e mais embasada alegação contra esta nota de saudosismo de um período nefasto da nossa história recente nos remete a inevitável troca de papéis. Assim como esta cidadã têm hoje o sagrado direito democrático de colocar estas suas alegações saudosistas ao público, será que naqueles tempos e sob o julgo dos cinco humildes aí acima, ela teria a coragem de manifestar qualquer opinião contrária a deles??? Com certeza não e os poucos que tiveram esta coragem pagaram com a própria vida e, com humilhações e torturas piores do que uma sentença de morte.

O maior triunfo da Democracia é o direito de expressão, este mesmo direito que esta cidadã usou para fazer estas colocações absurdas e que o quinteto nos negou, merecendo assim nosso eterno repúdio. Só o nosso repúdio, pois para puni-la pelas suas péssimas colocações não precisaremos torturá-la, nem aos seus filhos e nem ninguém da sua família, muito menos matá-la, negando o direito aos seus de enterrar o seu corpo e chorar sua morte. Esse direito nos foi negado por este quinteto de canalhas que ela considera de reputação correta.

Ter saudades do Tom Jobim, da Maysa, da Elis Regina e de outros ícones que têm capacidade de causar em nós esse tipo de sentimento, é normal. Mas, ter saudades desse quinteto aí acima, é sintoma de que o caso é sério – Vai se tratar garota!!!

Para que nunca nos esqueçamos da contribuição dos nossos algozes:

Modos e instrumentos de tortura

Reza o artigo 59 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, assinada pelo Brasil: Ninguém será submetido à tortura, nem a tra­tamento ou castigo cruel, desumano ou degradante.

Em vinte anos de Regime Militar, este princípio foi ignorado pelas autoridades brasileiras. A pesquisa revelou quase uma cente­na de modos diferentes de tortura, mediante agressão física, pressão psicológica e utilização dos mais variados instrumentos, aplicados aos presos políticos brasileiros. A documentação processual recolhida revela com riqueza de detalhes essa ação criminosa exercida sob auspício do Estado. Os depoimentos aqui parcialmente transcritos demonstram os principais modos e instrumentos de tortura adota­dos pela repressão no Brasil.

               O “pau-de-arara”

(…) O pau-de-arara consiste numa barra de ferro que é atravessada entre os punhos amarrados e a dobra do joelho, sendo o “conjunto” colocado entre duas mesas, ficando o cor­po do torturado pendurado a cerca de 20 ou 30 cm. do solo. Este método quase nunca é utilizado isoladamente, seus “com­plementos” normais são eletrochoques, a palmatória e o afo­gamento. (…)

(…) que o pau-de-arara era uma estrutura metálica, desmon­tável, (…) que era constituído de dois triângulos de tubo gal­vanizado em que um dos vértices possuía duas meias-luas em que eram apoiados e que, por sua vez, era introduzida debaixo de seus joelhos e entre as suas mãos que eram amarradas e levadas até os joelhos; (…).

o choque elétrico

(…) O eletrochoque é dado por um telefone de campanha do Exército que possuía dois fios longos que são ligados ao cor­po, normalmente nas partes sexuais, além dos ouvidos, dentes, língua e dedos. (…)

(…) que foi conduzido às dependências do DOI-CODI, onde foi torturado nu, após tomar um banho pendurado no pau-de-arara, onde recebeu choques elétricos, através de um magneto, em seus órgãos genitais e por todo o corpo, (…) foi-lhe amarrado um dos terminais do magneto num dedo de seu pé e no seu pênis, onde recebeu descargas sucessivas, a ponto de cair no chão, (…)

   A “pimentinha” e dobradores de tensão

(…) havia uma máquina chamada “pimentinha”, na lingua­gem dos torturadores, a qual era constituída de uma caixa de madeira; que no seu interior tinha um ímã permanente, no campo do qual girava um rotor combinado, de cujos termi­nais uma escova recolhia corrente elétrica que era conduzida através de fios que iam dar nos terminais que já descreveu; que essa máquina dava uma voltagem em torno de 100 volts e de grande corrente, ou seja, em torno de 10 amperes; que detalha essa máquina porque sabe que ela é a base do princí­pio fundamental: do princípio de geração de eletricidade; que essa máquina era extremamente perigosa porque a corrente elétrica aumentava em função da velocidade que se imprimia ao rotor através de uma manivela; que, em seguida, essa má­quina era aplicada com uma velocidade muito rápida a uma parada repentina e com um giro no sentido contrário, crian­do assim uma força contra eletromotriz que elevava a voltagem dos terminais em seu dobro da voltagem inicial da máquina; (…)

Apreciem o teor completo no: http://www.dhnet.org.br/dados/projetos/dh/br/tnmais/instrumentos.html

visitem o blog do lamparina no: http://robertolamparina.zip.net

 

O sapo não lava o pé

Não lava porque não quer

Ele mora lá na lagoa

Não lava o pé porque não quer

Mas que chulé!!!

 

Ainda está repercutindo muito nos bairros de Votuporanga a sabatina da Tv Tem com o prefeito Marão Filho.

Mesmo com a tradicional mídia simpática (???) local não dando ênfase à “derrapada” do prefeito, temos que reconhecer o mérito da reportagem, onde nossa população teve direito ao microfone aberto pela grande mídia regional e pode fazer suas críticas diretamente sem precisar de intermediários.

O desempenho inerte e apático do prefeito Marão Filho na entrevista é justificável, pois foi logo após ele ter retornado de um tour pela Europa no gozo das suas merecidas férias. Convenhamos que não seja fácil o sujeito desembarcar de uma Ferrari e subir num Fiat 147 movido a álcool, né???.

Imagine-se você com as imagens das mais belas paisagens européias ainda na cabeça: lembrando dos lugares históricos que você conheceu, dos passeios maravilhosos que você fez, das comidas saborosas que você degustou, dos dias agradáveis e aconchegantes que você passou no inverno europeu e atc… Aí, ainda em êxtase, vem um sujeito (esqueceram de combinar com os russos…) e te bombardeia com perguntas impossíveis de se esquivar: sobre favelas que você não urbanizou, problemas na saúde que você não resolveu, questionando investimentos que você não fez e os que você fez e não surtiram os efeitos desejados, etc… É de largar o sujeito perplexo, o que pelo jeito parece ter acontecido com nosso prefeito. Agora, já novamente aclimatizado à realidade, se fosse comigo eu pediria um chorinho, digo, outra chance.

O prefeito Marão Filho raramente vacila com as palavras, é um sujeito preparado e tranqüilo, preciso em suas falas, mesmo sendo deveras passional (diferente do seu antecessor, que só fala a m… que lhe vem na cabeça), mas naquele dia as palavras não encaixaram, possivelmente pela aflição diante de se combater fatos, que aqui são proibidos de se repercutir, mas estão aí para todo mundo ver. Você pode até impedir que se fale neles com a massificação do marketing ilusório contrário, mas não tem como tapar os olhos de toda uma população que está refém dos seus efeitos (será que o sapo não lava o pé porque não quer???).

Alguns momentos são dignos de reflexão profunda: o cidadão Diégeneo Furtado usou o atenuante de “o pessoal” para dizer que a administração não está usando adequadamente os nossos recursos públicos onde de fato amenize os problemas dos que deles dependem; Jonatas Rodrigo Borges mostrou a realidade da invasão de escorpiões na cidade (coisa que este blogueiro já está cansado de pedir providências); a dona Neuza Correa nos revelou que não tem esgoto no seu barraco (dois pecados numa só fala, o fato de estar morando em uma sub-moradia e – cadê a SAEV Ambiental??? Será que é a mesma autarquia que gasta uma fortuna para se passar por ecologicamente correta???), bem às margens da represa municipal de captação d água.

Mas, o argumento mais simplista e revelador utilizado por um depoente foi o momento em que a reportagem pergunta ao cidadão Edmilson Ferreira o que falta na sua área e ele responde que: “falta tirar a gente daqui. Faz vinte e poucos anos que tem isso aqui e passa um e fala que vai tirar passa outro e fala a mesma coisa, mas não tira…”. Com esta afirmação acordamos do sono eterno, pois descobrimos que aqui também tem demagogo e a politicalha se farta com a necessidade da população, enquanto na outra ponta do novelo investe dinheiro público para fomentar projetos sem urgência e de necessidade bastante discutível.

O flagrante dos problemas na saúde, conferidos in loco pela reportagem, é algo que já nos habituamos a conviver e acabam se tornando insolúveis (como dizem eles para justificar a ingerência – Em outros lugares é pior…), mesmo diante dos muitos investimentos que o prefeito citou.

Na habitação, anoto um pequeno deslize do prefeito (espero que a síndrome de Pinóquio não o acometa) ao dizer que sua administração está priorizando os investimentos no setor e combatendo o déficit, o que já provei no outro post sobre o assunto, ser uma inverdade. Sua administração está investindo mais do que a do seu antecessor (que quase nada fez), mas muito longe de combater de fato o déficit. Outra derrapada do prefeito no assunto habitação foi dizer que teve que privilegiar quem está pagando aluguel. Confesso que àquela fala me soou confusa, pois todos os que se credenciam para receber uma moradia popular, ou pagam aluguel, ou moram de favor com familiares (o que é mais grave do que pagar aluguel, pois gera conflitos intermináveis), ou moram em locais inadequados e de risco (estes sim deveriam ser os privilegiados). Ou, será que não é esta a realidade de Votuporanga???

Na remodelação do transporte urbano nem precisa falar nada, pois o próprio apresentador fez o papel de contestador lúcido nesta remodelação mal sucedida feita pela atual administração, mesmo sem conhecer realmente os verdadeiros pontos negativos dela, também já citados no post anterior.

O prefeito Marão Filho tem se destacado como hábil captador de recursos nas esferas estadual e federal. Tem demonstrado empenho e muitos méritos nesta área. Já nas escolhas e nas aplicações desses recursos, infelizmente, a administração não tem privilegiado de fato quem mais necessitam deles.

É um fato que nada e nem ninguém poderá esconder da nossa população, nem mesmo manobrando esta legião de interesses que estão acoitados dentro da máquina pública municipal para minimizar esta ação.

Diante de tanta perfeição com que apregoam o ilusionismo municipal, a impressão que nos dá é a de que realmente o sapo não lava o pé porque não quer!!!

A reportagem da Tv Tem nos elucidou esta dúvida.

 

VISITEM O BLOG DO LAMPARINA NO: http://robertolamparina.zip.net

Escrito por LAMPARINA

Como o meu tempo está muito pouco, eu gostaria de escrever hoje sobre muitos assuntos importantes, assuntos estes que, eu tenha total isenção em discorrer, pois não tenho minha vaca amarrada no pasto de ninguém.

          Começarei então com a eleição interna no PT local, que novamente conduziu o professor Quincas Martins (esclarecendo, que não é meu parente, diga-se de passagem) à presidência. Espero que agora se obtenha a tão sonhada paz interna e, o PT possa liderar de fato uma oposição e se comece a pensar num caminho alternativo para nossa cidade, juntando a experiência militante dos mais velhos, com as novas lideranças que estão surgindo dentro do PT e possíveis aliados. Tá difícil, mas não impossível.

          O caminho principal passa pela conscientização das lideranças de que o PT é o Partido dos Trabalhadores e precisa colocar isto em prática. Precisa chegar onde o trabalhador está e mobilizá-lo, politizá-lo de forma a despertar neste indivíduo uma consciência política e social que o leve a entender os meandros implícitos do universo político que o rodeia. Senão, Votuporanga continuará sendo o único lugar do Brasil, onde operários estão filiados (de carteirinha emplumada e tudo) em partidos elitistas que não representam os interesses dos trabalhadores, servindo assim de instrumento de manobra para defender com unhas e dentes os interesses dos patrões. O resultado nefasto desta relação unilateral de poder são os baixíssimos salários praticados por aqui e a tentativa da elite dominante de repassar as responsabilidades sociais – que deveriam permear suas ações -, para o setor público.

          Um bate-pau desta elite dominante, dia desses, chegou a afirmar num dos seus espasmos intelectuais advindos de um colérico piriri intestinal, na sua coluna do PIG de sábado, que os salários aqui são baixos, mas à culpa é das políticas salariais do governo federal. Ora senhor articulista, mas o teto salarial mínimo é para garantir que ninguém pratique um salário menor do que o mínimo, não estabelece que o teto mínimo tenha que se manter obrigatoriamente dentro do mínimo, tendo o empregador a liberdade de valorizar o seu empregado, pagando-lhe um salário que atenda as suas necessidades básicas.

          Mas, como aqui trabalhador está servindo de escudo para defender interesses do patrão e não os seus próprios, os salários permanecem rigorosamente dentro do teto do mínimo possível, sem nenhuma perspectiva de valorização voluntária.  Os patrões estão organizados em sólidas associações de interesses comuns e usando o dinheiro que deveria remunerar melhor os seus funcionários, para pagar campanha de deputado, que fez campanha a bordo de jatinho particular dos solidários confrades e com estrutura de campanha para governador de estado, gastando milhões para se eleger e defender os interesses daqueles que financiaram sua campanha. Os trabalhadores continuam sendo enganados por falsas lideranças políticas e sindicais, a soldo dos patrões, e por partidos políticos omissos que não exercem verdadeira liderança e mobilização, permitindo assim o domínio fácil dos que operam esta engenhoca, onde a matéria-prima que alimenta esta relação está sendo degomada do suor do trabalhador.

         Na contramão do interesse público, usam e abusam do poder obtido pela alienação da maioria, fabricando lideranças e elegendo mandatários sem nenhuma condição de mando, homens que se travestem de reputação ilibada, mas nas suas ações, não se norteiam pelo ético e moral, só visando perpetuarem-se neste insano ciclo vicioso de poder. A má utilização dos recursos públicos é a marca registrada desta gente. Basta fazer pequenas comparações e chegaremos fácil nesta constatação, pois suas ações não visam impactar diretamente aqueles que mais precisam das políticas públicas, mas sim favorecer, direta e indiretamente os confrades, além da clara tentativa de entronizar seus idealizadores nos anais da história local. É só passar pela Rua Amazonas e teremos esta constatação.

          Eu gostaria também de “passar um pente” no cenário nacional e falar das lambanças da turma do Vardemá (deputado Valdemar da Costa Neto, dono do PR) no DENIT, justo num órgão com tantas necessidades e com tanto ainda por fazer, num país de dimensões continentais e que ainda convive com problemas estruturais inaceitáveis, como à falta de uma ponte que ligue os estados de Rondônia e Acre, ficando esta importante ligação interestadual à mercê de balsas para a travessia do Rio Madeira. Eu estou trabalhando na região e tem dias em que esta travessia se torna uma tortura, podendo passar até um dia inteiro na fila para se fazer esta travessia, o que está causando desabastecimento no estado do Acre.

          E as lambanças se multiplicam com a turma do ministro da agricultura Wagner Rossi na CONAB, onde, em pronunciamento na tribuna do Senado, um dos líderes peemedebista, o senador Valdir Raupp, declarou que se a CONAB fosse extinta ninguém sentiria falta. Fica claro que naquele mato tem coelho e que o ministro deverá mesmo engrossar a fila do desemprego.

          O pobre do Doutor Tancredo, ora habitante de Atlântida e sob os desígnios de Posseidon, nem poderia imaginar no que se transformaria o seu MDB ético e democrático do passado. Uma matilha de cães ferozes e escarnecedores, ávidos por poder e por picaretagem.

          A Presidenta Dilma, alavancada pela comprovação da sua popularidade no exercício do mandato e pelo seu histórico político invejável, precisa implementar de fato uma faxina mais ampla e a população precisa ser mais atuante, cobrando com veemência as responsabilidades dos seus administradores.

          Nossa vizinha São José do Rio Preto está dando mostras do seu amadurecimento político e tenho acompanhado – vibrante -, os desdobramentos do caso da votação pelo legislativo do polêmico projeto de ampliação dos cargos em comissão, sonhando com o dia em que aqui teremos também este engajamento e esta conscientização política, pois o “modus operandi” aqui é aglutinar interesses e fortalecer a elite para massacrar e escravizar o trabalhador, no que esta estratégia tem sido coberta de muito êxito.

          É preciso romper este ciclo alicerçado na canga e no chicote para que tenhamos uma sociedade mais diversificada e plena, que respeite os verdadeiros ideais de sociedade, pois esta conversa fiada de que a união das forças políticas locais nos tem conduzido as grandes vitórias, é uma balela que não convence mais ninguém, pois as vitórias de fato estão sendo empreendidas apenas por aquela meia-dúzia que está no controle da situação, basta observar o progresso que estão tendo a olhos vistos, enquanto patinamos na nossa labuta diária de trabalhador honesto e honrado. Trabalhador não pode passar procuração para que alguém que não saiba segurar a marmita numa das mãos enquanto se deleita com as sobras da noite anterior, possa representá-lo incondicionalmente. É preciso estar sempre mobilizado e sempre na busca pelos nossos direitos.

          “Trabalhadores do mundo, uni-vos, vós não tendes nada a perder a não ser vossos grilhões”. Este grito de protesto do Manifesto Comunista de Karl Marx, apesar de secular, continua tão verdadeiro e justo como no frescor da sua divulgação em 1848.

 

Ps: O parágrafo que está com fundo amarelo já fazia parte do texto, que foi escrito hoje enquanto eu almoçava e depois, roletando pela internet, tomei conhecimento das notícias da demissão do Rossi. Decidi manter o texto em sua íntegra para marcar meu apadrinhamento divinizado pelo grande Pai Florêncio. Mas, o ministro já foi tarde.

http://www.slideshare.net/agriculturasp/apresentao-eixos-temticos

Conferência de Seg. Alimentar e Nutricional da Região de Araçatuba e S. J. do Rio Preto

Quando: sex, 29 de julho, 09:00 – 17:00
Onde: Centro Social de Votuporanga – Rua Tibagi, 3071- Cidade Nova. (mapa)
Descrição: Etapa regional que constitui o processo para a realização da IV Conferência Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional.