Posts Tagged ‘xenofobia’

Um empresário de 59 anos afirma que foi espancado na madrugada do último domingo na região da avenida Paulista por ao menos seis jovens que ele diz não conhecer.

Segundo a vítima, as agressões aconteceram porque ele é nordestino. A vítima, o maranhense João Batista Reis Freitas, diz que foi agredido quando passava a pé pelo cruzamento da rua da Consolação com a alameda Santos.

“Não tentaram me roubar nem me disseram nada antes das agressões. Simplesmente começaram a me bater sem nenhum motivo.”

Desde novembro do ano passado, a região da avenida Paulista tem sido palco de várias agressões contra pedestres. Quatro jovens foram detidos em uma unidade da Fundação Casa (ex-Febem) por agredirem três pessoas.  

Leia mais: Paulistanos brancos atacam nordestino por ser nordestino

Folha

Quando começou isso ? Quem é contra o nordestino ?

Saiu no Agora ( o único jornal que presta em SP), pág. A3:

“Jovem do ABC envia e-mail racista a escola de samba.”

“ Novo e-mail com ataques e palavrões foi recebido ontem pela Acadêmicos do Tucuruvi, que fará homenagem a nordestinos no Carnaval 2011.”

O tema do enredo é “Oxente, o que seria da gente sem essa gente ? São Paulo, Capital do Nordeste !”.

Um jovem de Santo André, que o Agora localizou através do Orkut, faz parte de organizações como “São Paulo Independente”, “Eu amo o Estado de São Paulo”, “São Paulo é a Minha Nação”, “Sou Paulista e Separatista”,  e “Movimento República São Paulo”.

Um dos e-mails que a Escola recebeu dizia assim:
Tomara que esse Carnaval seja o pior de toda a História da escola. É o que deseja (sic) todos os paulistas separatistas. São Paulo é o meu país.”

Fonte: conversaafiada

Por Uri Avnery

Não se passa um dia sequer – literalmente – sem que um grupo de membros do Knesset apresente uma nova lei racista

Em Berlim, acaba de ser inaugurada uma exposição intitulada “Hitler e os Alemães”. A exposição examina os fatores que levaram o povo alemão a levar Adolf  Hitler ao poder e segui-lo até ao fim.

Estou demasiado ocupado com os problemas da democracia israelita para voar para Berlim. É pena. Porque, desde a infância, essa questão em especial tem me incomodado. Como é que aconteceu que uma nação civilizada, que se via a si mesma como o “povo de poetas e pensadores”, tenha seguido este homem, como as crianças de Hamelin seguiram o flautista para a sua perdição?

Isto me incomoda, não apenas como um fenómeno histórico, mas como um alerta para o futuro. Se isso aconteceu com os alemães, pode acontecer com qualquer povo? Pode acontecer aqui?

Como criança de 9 anos, fui testemunha ocular do colapso da democracia alemã e da ascensão dos nazis ao poder. As imagens estão gravadas na minha memória – as campanhas eleitorais sucedendo-se umas às outras, os uniformes na rua, os debates em torno da mesa, o professor que nos saudou pela primeira vez com “Heil Hitler”. Ressuscitei essas memórias num livro que escrevi (em hebraico) durante o julgamento de Eichmann, e que terminaram com um capítulo intitulado: “Pode acontecer aqui?”, Nestes dias, enquanto escrevo as minhas memórias, volto a essas lembranças.

Não sei se a exposição de Berlim tenta responder a estas questões. Talvez não. Mesmo agora, 77 anos depois, não há uma resposta definitiva à questão: Porque é que a república alemã entrou em colapso?

Esta é uma questão muito importante, pois extamente neste moimento as pessoas em Israel estão se perguntam, com uma preocupação crescente: estaria a república israelita prestes a entrar em colapso?

Pela primeira vez, esta pergunta está a sendo feita com toda seriedade. Ao longo dos anos, tivemos o cuidado de não mencionar a palavra fascismo no discurso público. Ela levanta memórias que são demasiado monstruosas. Agora, esse tabu foi quebrado.

Yitzhak Herzog, o ministro da Previdência no governo de Netanyahu, membro do Partido Trabalhista, neto de um rabino e filho de um Presidente, disse há poucos dias que «o fascismo está próximo das margens da nossa sociedade». Ele estava errado: o fascismo não só está próximo as margens, ele está próximo do governo do qual ele ele faz parte, e do Knesset, do qual ele é membro.

Não se passa um dia sequer – literalmente – sem que um grupo de membros do Knesset apresente uma nova lei racista. O país ainda está dividido pela alteração da lei da cidadania, que vai obrigar os candidatos a jurar lealdade a «Israel como um Estado judeu e democrático». Agora, os ministros estão discutindo se isso será exigido apenas aos não-judeus (o que não soa bem) ou aos judeus também – como se isso alterasse alguma coisa seu conteúdo racista.

Esta semana, um novo projeto de lei foi entregue. O projeto proibe não-cidadãos de atuarem como guias turísticos em Jerusalém Oriental. Não-cidadãos, neste caso, quer dizer árabes. Isso porque, quando Jerusalém Oriental foi anexada pela força à Israel depois da guerra de 1967, não foi concedida a cidadania aos seus habitantes árabes. Foi-lhes concedido apenas o estatuto de “residentes permanentes”, como se fossem novos recém-chegados e não descendentes de famílias que viveram na cidade durante séculos.

O projeto de lei pretende privar os habitantes árabes de Jerusalém do direito de servirem como guias turísticos nos seus lugares sagrados na sua cidade, já que eles são capazes de se desviar da linha da propaganda oficial. Chocante? Incrível? Não aos olhos dos proponentes, que incluem membros do partido Kadima. Um membro do Knesset do partido Meretz também assinou, mas de forma envergonhada, alegando que estava confuso.

Esta proposta vem após dezenas de projetos de lei deste tipo terem sido apresentados recentemente, e antes de dezenas de outros que já estão à caminho. Os membros do Knesset agem como tubarões num festim frenético. Há uma competição selvagem entre eles para ver quem consegue conceber o projecto de lei mais racista.

Vale a pena. Depois de cada projecto de lei, os proponente são convidados para estúdios de TV para “explicar” os seus objetivos, eqnuanto os jornais estampam suas fotos. Para parlamentares obscuros, cujos nomes nunca ouvimos falar, isso representa uma tentação irresistível. Isso tudo com a colaboração dos meios de comunicação.

Este não é um fenómeno exclusivamente israelita. Em toda a Europa e na América, fascistas ostensivos estão levantando as suas cabeças. Os disseminadores do ódio, que até agora vinham espalhando o seu veneno apenas nas margens do sistema político, estão agora chegando no centro desse sistema.

Em quase todos os países existem demagogos que constroem as suas carreiras com base no incitamento contra os fracos e desamparados, que defendem a expulsão dos “estrangeiros” e a perseguição das minorias. No passado, eles eram fáceis de ignorar, como foi Hitler no início da sua carreira. Agora, eles devem ser levados a sério.

Há apenas alguns anos, o mundo ficou chocado quando foi permitido ao partido de Jörg Haider entrar na coligação do governo austríaco. Haider elogiou os feitos de Hitler. O governo israelita chamou furiosamente de volta o seu embaixador em Viena. Agora, o novo governo holandês depende do apoio de um racista declarado, e partidos fascistas obtêm ganhos eleitorais expressivos em muitos países. O movimento “Tea Party”, que floresce nos EUA, tem alguns aspectos claramente fascistas. Um dos seus candidatos gosta de passear vestindo o uniforme da assassina Waffen-SS nazi.

Por isso, estamos em boa companhia. Não somos piores do que os outros. Se eles podem fazê-lo, porque nós não?

Mas há uma grande diferença: Israel não está na mesma situação que a Holanda ou a Suécia. Ao contrário desses países, a própria existência de Israel é ameaçada pelo fascismo. Pode levar o nosso estado à destruição.

Anos atrás, eu acreditava que dois milagres tinham ocorrido em Israel: o renascimento do idioma hebraico e da democracia israelita.

A ressurreição de uma língua “morta” nunca foi bem sucedida em qualquer outro lugar. Theodor Herzl, o fundador do sionismo, uma vez perguntou com desprezo: «Será que as pessoas pedirão um bilhete de transporte em hebraico?» (Ele queria que falássemos alemão.) Hoje, o idioma hebraico está bem melhor do que o transporte ferroviário israelita.

Mas a democracia israelita é um milagre ainda maior. Não cresceu a partir de baixo, como na Europa. O povo judeu nunca teve uma democracia. A religião judaica, como quase todas as religiões, é totalitária. Os imigrantes que fluíram para o país também nunca tinham experimentado a democracia antes. Eles vieram da Rússia czarista ou bolchevique, da Polónia autoritária de Josef Pilsudski, dos tirânicos Marrocos e Iraque. Só uma ínfima parte veio de países democráticos. E contudo: desde os seus primórdios, o movimento sionista promoveu uma democracia exemplar nas suas fileiras, e o Estado de Israel continuou esta tradição (com uma limitação: uma democracia plena para os judeus, uma democracia limitada para os cidadãos árabes.)

Sempre me preocupou que esta democracia estivesse pendurada por um fio, que devêssemos manter a guarda a cada hora, a cada minuto. Agora enfrenta um teste sem precedentes.

A república Alemã levou o nome de Weimar, a cidade onde a Assembleia Constituinte aprovou a sua Constituição após a Primeira Guerra Mundial. A Weimar de Bach e Goethe foi um dos berços da cultura alemã.

Foi uma Constituição democrática brilhante. Sob as suas asas, a Alemanha viu um florescimento intelectual e artístico inédito. Então, porque é que a república entrou em colapso?

Geralmente, são identificadas duas causas: a humilhação e o desemprego. Quando a república estava ainda na sua infância, foi forçada a assinar o tratado de paz de Versalhes com os vencedores da Primeira Guerra Mundial, um tratado que não foi mais do que um ato humilhante de rendição. Quando a república ficou para trás com o pagamento das enormes indenizações que pesavam sobre ela, o exército francês invadiu, em 1923, o coração industrial da Alemanha, precipitando uma inflação galopante – um trauma do qual a Alemanha não recuperou até hoje.

Quando a crise económica mundial estourou em 1929, a economia alemã entrou em colapso. Milhões de desempregados desesperados caíram em pobreza abjeta e gritaram por salvação. Hitler prometeu acabar tanto com a humilhação da derrota como com o desemprego, e cumpriu as duas promessas: deu trabalho aos desempregados na nova indústria de armas e em obras públicas, como as novas rodovias, já em preparação para a guerra.

E houve uma terceira razão para o colapso da república: a apatia crescente da opinião pública democrática. O sistema político da república tornou-se simplesmente repugnante. Enquanto as pessoas se afundavam na miséria, os políticos continuaram jogando os seus jogos. O público ansiava por um líder forte, para impor a ordem. Os nazis não derrubaram a república. A República implodiu, os nazis só preencheram o vazio.

Em Israel, não existe crise económica. Pelo contrário, a economia é florescente. Israel não assinou qualquer acordo humilhante, como o Tratado de Versalhes. Pelo contrário, venceu todas as suas guerras. É verdade que os nossos fascistas falam sobre os “criminosos de Oslo”, tal como Hitler vociferava contra os “criminosos de Novembro”, mas o acordo de Oslo foi o oposto do tratado de Versalhes, assinado em Novembro de 1919.

Se é assim, de onde vem a profunda crise da sociedade israelita? O que leva milhões de cidadãos a encarar com completa apatia as ações dos seus líderes, contentando-se em abanar as suas cabeças à frente da TV? O que os leva a ignorar o que está acontecendo nos territórios ocupados, a meia hora de carro da suas casas? Por que tantos declaram que já não ouvem as notícias ou lêem os jornais? Qual é a origem da depressão e do desespero, que deixam o caminho aberto para o fascismo?

O estado chegou a uma encruzilhada: a paz ou a guerra eterna. Paz significa a fundação do Estado palestino e a evacuação das colonias. Mas o código genético do movimento sionista está empurrando no sentido da anexação de todo país histórico até ao rio Jordão, e com a transferência – direta ou indiretamente – da população árabe. A maioria das pessoas foge de uma decisão, alegando que de qualquer maneira “não temos parceiro para a paz”. Estamos condenados à guerra eterna.

A democracia sofre de uma paralisia crescente, porque os diferentes setores da população vivem em mundos diferentes. O secular, o nacional-religioso e o ortodoxo recebem educações totalmente diferentes. O terreno comum entre eles diminui. Outros fossos se abrem entre a velha comunidade asquenaze, os judeus orientais, os imigrantes da antiga União Soviética e da Etiópia, e os cidadãos árabes, cuja separação do resto está sempre aumentando.

Pela segunda vez na minha vida, posso ter de presenciar o colapso de uma república. Mas isso não está predestinado. Israel não é a Alemanha em passo de ganso daqueles dias, 2010 não é 1933. A sociedade israelita ainda pode ficar sóbria a tempo e mobilizar as forças democráticas dentro de si.

Mas para que isso aconteça, deve acordar do coma, entender o que está acontecendo e para onde isso pode nos levar, protestar e lutar através de todos os meios disponíveis (enquanto isso ainda é possível) para conter a onda fascista que ameaça nos devorar.

Artigo publicado em Gush Shalom

Quando o maior jornal do país passa da “simples” oposição golpista e inconsequente para a defesa aberta do separatismo paulista, defendendo idéias francamente fascistas e flertando com o neonazismo, devemos começar a nos preocupar.

Quando, por causa do racismo de uma garota inconsequente, mas retrato fiel de uma importante parcela da elite paulista(na), um programa de TV de audiência considerável convida para uma entrevista integrantes de grupos separatistas e fascistas que defendem a expulsão de nordestinos de São Paulo e pregam ideais supremacistas, separando o Brasil entre “raça paulista” e “raça nordestina”, a última visivelmente inferior, devemos não mais apenas nos preocupar, mas agir.

A Folha de São Paulo virou o bastião do atraso e de idéias ultrapassadas. Na tentativa de atacar o presidente Lula e defender Serra – tentar ao menos dar-lhe sobrevida – partem para um ataque violento e preconceituoso.

Na quinta, a Folha de São Paulo publicou um texto que flerta abertamente com o neonazismo, prega o descarado preconceito contra pobres, culpando-os por sua situação, e claramente criminalizando qualquer tentativa do Estado de ajudar aos mais necessitados. A elite não quer perder sua empregada doméstica nem seu porteiro, enfim, seus privilégios de classe.

Na sexta, a Folha, novamente, atacou. Um artigo simplesmente grotesco e assustador de uma professora de direito penal da USP que, honestamente, merecia ser devidamente enquadrada por seus alunos.

No artigo, a “professora” faz questão de atacar da forma mais vil ao presidente Lula e transforma as vítimas em algozes. Para ela, os Paulistas sofrem preconceito! Sim, acreditem!

Mas vamos por partes.

Sou neta de nordestinos, que vieram para São Paulo e trabalharam muito para que, hoje, eu e outros familiares da mesma geração sejamos profissionais felizes com sua vida neste grande Estado brasileiro.

De início, o velho artifício de dizer “Sou filha, neta, bisneta ou o inferno de Nordestinos, logo, como posso ser contra nordestinos?”. Argumento, infelizmente, inválido. Vários Judeus apoiaram Hitler, alguns Palestinos apoiam Israel. Traidores, pessoas que renegam sua origem e seu passado são algo tão comum que sequer vale comentar. Aliás, numa roda de amigos sempre tem o cara que conta piadas racistas mas lembra meu tatatatataravô era negro, não sou racista”.

Em apenas 3 linhas, aliás, encontro outro absurdo, o de separar os “nordestinos que trabalham” dos demais.

É o pensamento de muitos do Movimento São Paulo para os Paulistas. Talvez possam deixar alguns nordestinos em São Paulo, mas aqueles que trabalham, afinal, não viveriam sem seu porteiro.

É muito triste ler a frase da estudante de direito Mayara Petruso, supostamente convocando paulistas a afogar nordestinos.
Também é bastante triste constatar a reação de alguns nordestinos, que generalizam a frase de Mayara a todos os paulistas.
Igualmente triste a rejeição sofrida pelo candidato da oposição à Presidência da República, muito em função de ele ser paulista. Todos ouvimos manifestações no sentido de que, tivesse sido Aécio Neves o candidato, Dilma teria tido mais trabalho para se eleger.
Independentemente da tristeza que as manifestações ofensivas suscitam, e mais do que tentar verificar se a frase da jovem se “enquadraria” em qualquer crime, parece ser urgente denunciar que Mayara é um resultado da política separatista há anos incentivada pelo governo federal.

Não, “professora”, não é “triste” ler a frase da Mayara. É vergonhoso. Atitude criminosa vergonhosa e lamentável. E não há nada “suposto”. Está escrito para quem quiser ler, é fato.

E bela tentativa de, agora, culpar os nordestinos por dizer que todo paulista é preconceituoso. Aliás, nunca vi tal coisa. Nunca vi um nordestino dizer que todo paulista é preconceituoso, “professora”, eles sabem perfeitamente diferenciar aqueles podres dos decentes. E, quando digo “eles”, posso me incluir, pois mesmo não tendo nascido no nordeste, me criei lá e tenho muito orgulho disso.

Dizer que o “candidato da oposição” – e cai a máscara – sofreu preconceito é risível. É vergonhoso.

Se Aécio tivesse sido candidato, fato, Dilma teria mais dificuldade, mas não por ele ser mineiro e Serra paulista, mas por Serra ser um incompetente que nunca terminou um mandato na vida e como esporte pratica o espancamento de professores e o tiro ao alvo entre PM e Civil. Nas horas vagas Serra invade a USP e desrespeita a democracia uspiana escolhendo candidato odiado, coisa só antes feita na Ditadura.

Serra perdeu não por ser paulista, mas por ser um incompetente e ter flertado fortemente com elementos de extremíssima direita, nocivos a qualquer democracia.

Querer desculpara derrota e o neofascismo de Serra, dizendo que os nordestinos são preconceituosos é inverter completamente a história e, honestamente, para uma advogada e professora, seus argumentos são banais.

É o nosso presidente quem faz questão de separar o Brasil em Norte e Sul. É ele quem faz questão de cindir o povo brasileiro em pobres e ricos. Infelizmente, é o líder máximo da nação que continua utilizando o factoide elite, devendo-se destacar que faz parte da estigmatizada elite apenas quem está contra o governo.
Ultrapassado o processo eleitoral, que, infelizmente, aceitou todo tipo de promessas, muitas das quais, pelo que já se anuncia, não serão cumpridas, é hora de chamar o Brasil para uma reflexão.
Talvez o caso Mayara seja o catalisador para tanto.

Foi o nosso presidente, “professora”, quem conseguiu fazer o pobre comer, ir à universidade. A elite tem ódio disso. APESAR da elite paulista, o pobre hoje tem mais dignidade. Foi pouco? Sim, muito pouco, mas melhor que FHC, ops, que nada.

A elite não é um factóide, mas é a classe que nos atrasa, que entrega o país em troca de férias em Miami, que se vende por quem pagar qualquer trocado. Nossa elite, em geral, “professora”, é podre, desprezível.

Mayara Petruso é o reflexo do preconceito desta elite, que tem horror ao cheiro de pobre, que tem horror a nordestino, que representa o pensamento do PSDB e de Serra, da elite paulistana que não é estigmatizada, mas por vezes age como se fosse o estigma do país.

Engraçado o vosso raciocínio (sic), especialmente considerando que Dilma teve grande votação mesmo em São Paulo. Será que foram só os terríveis nordestinos ou o paulista que a apoiou e não compra este discurso de uma elite ferida e desesperada que quer se fazer de vítima e levar todo o estado e São Paulo consigo?

O Brasil sempre foi exemplo de união. Apesar das dimensões continentais, falamos a mesma língua.
Por mais popular que seja um líder político, não é possível permitir que essa união, que a União, seja maculada sob o pretexto de se criarem falsos inimigos, falsas elites, pretensos descontentes com as benesses conferidas aos pobres e aos necessitados.
São Paulo, é fato, é fonte de grande parte dos benefícios distribuídos no restante do país. São Paulo, é fato, revela-se o Estado mais nordestino da Federação.
Nós, brasileiros, não podemos permitir que a desunião impere. Tal desunião finda por fomentar o populismo, tão deletério às instituições no país.

Realmente, pobre não merece “benesses”, tem que ser tratado na porrada. Opa, realmente, a nobre “professora” realmente votou no Serra. Nisto ele é mestre.

Quanto aos “pretensos descontentes”, que tal verificar a posição do DEM sobre o ProUni? A senhora não é professora (sic) de direito? ADIN contra o ProUni significa o que? Pensar nos pobres ou querer proibir aos pobres o acesso à universidade?

Desunião, na linguagem das elites – sejam elas paulistas, cariocas ou acreanas – é a quebra do modelo de exploração e superexploração da pobreza. Desunião é a empregada doméstica ser gente, é o preto ser cidadão, é o índio ter terra pra viver.

Não há que se falar em governo para pobres ou para ricos. Pouco após a eleição, a futura presidente já anunciou o antes negado retorno da CPMF e adiou o prometido aumento no salário mínimo. Não é exagero lembrar que Getulio Vargas era conhecido como pai dos pobres e mãe dos ricos.
Não precisamos de pais ou mães. Não precisamos de mais vitimização. Precisamos apenas de governantes com responsabilidade.
Se, para garantir a permanência no poder, foi necessário fomentar a cisão, é preciso ter a decência de governar pela e para a União.
Quanto a Mayara, entendo que errou, mas não parece justo que seja demonizada como paulista racista, quando o mote dado na campanha eleitoral foi justamente o da oposição entre as regiões.

Não precisamos de pais ou mães, mas temos filhos da puta querendo tomar o poder, seja por eleições – perderam – ou na marra, no golpismo, criando tensão, separatismo e ódio.

Ou fazemos alguma coisa ou esta câncer se espalhará pelo país. Logo logo a Globo fará reportagens mostrando como os terríveis nordestinos desprezam os paulistas e estaremos perdidos.

Read more: http://tsavkko.blogspot.com/2010/11/neofascismo-paulista-e-midia-os-ataques.html#ixzz15XlvlwUw

Típico fascista “descolado”, que posa de moderno, que detesta o politicamente correto, Leandro Narloch, porém, apenas desfila aqueles mesmos ideais supremacistas e aquela mesma ideologia de ódio do começo do século XX e que foi responsável, sabemos, pelas maiores atrocidades.

Seu ódio é contra os pobres, contra os analfabetos, contra aqueles que ele chama da “ignorantes”. Ignorantes por votar diferente dele, por não terem a mesma linha ou forma de raciocínio e concordarem com suas opiniões Narloch tem preconceito contra quem votou na Dilma, pois, segundo ele, não pensam.

Ou melhor, é daqueles que diz que pensam com a barriga, logo, acusa o governo de compra de votos, de usar programas sociais para ter dividendos políticos. Em sua opinião, bom seria deixar o povo morrer de fome, aí sim votariam com a “consciência”. Pelo menos aqueles que continuassem vivos.

Eu tenho preconceito contra os cidadãos que nem sequer sabiam, dois meses antes da eleição, quem eram os candidatos a presidente. No fim de julho, antes de o horário eleitoral começar, as pesquisas espontâneas (aquela em que o entrevistador não mostra o nome dos candidatos) tinham percentual de acerto de 45%. Os outros 55% não sabiam dizer o nome dos concorrentes. Isso depois de jornais e canais de TV divulgarem diariamente a agenda dos presidenciáveis.

Todas as criticas da figura se direcionam, obviamente, para os pobres, mas ele esquece qe boa parte dos membros de sua classe, dos playboys de classe média, também não sabia, na época, o nome dos candidatos.

Muitos destes votavam em Serra porque este iria manter os privilégios de sua classe ou na Marina, porque, afinal, todo playboy de classe média gosta de seguir a moda e ser descolado.

Aliás, os dados apresentados por Narloch são interessantes, na tentativa de denegrir o eleitor de Dilma – que em grande parte votou pela continuidade do governo Lula – ele acaba por mostrar que mesmo Serra era desconhecido por 55% dos eleitores, afinal, eles não conheciam o nome de nenhum dos concorrentes.

A direita mais fanática é engraçada, se FHC não presta como cabo eleitoral – na verdade tira votos – e não pode ser usado por Serra, então o PT também não pode usar o Lula. A continuidade é ilegal, porque a do FHC seria um tiro no pé.

É interessante imaginar a postura desse cidadão diante dos entrevistadores. Vem à mente uma espécie de Homer Simpson verde e amarelo, soltando monossílabos enquanto coça a barriga: “Eu… hum… não sei… hum… o que você… hum… está falando”. Foi gente assim, de todas as regiões do país, que decidiu a eleição.

Ao invés de ter preconceito contra quem não sabia quais eram os candidatos, Narloch deveria parar e pensar um pouco: Porque? Porque não sabiam? Será que é porque são pobres e ignorantes ou é porque o sistema político brasileiro é uma farsa? Porque os políticos em geral não investem em educação, em polização, em inclusão social e apena surgem na hora de pedir voto para, depois, dar uma banana ao eleitor?

Mas não, mais fácil odiar o nordestino pobre e “ignorante”. Talvez os mesmos “ignorantes” que colocavam Serra na frente nestas mesmas primeiras pesquisas… Sinal dos tempos!

A referência ao Homer Simpson, aliás, é providencial. William Bonner já a usou – Vejam como a direita se entende. Se referiu assim aos que assistem o Jornal Nacional. Será, meu caro Narloch, que o povo que você tanto odeia, politicamente alienado – e que não é “apenas” os pobres – assim o é porque sofrem amplo descaso dos políticos e tem uma mídia de merda (perdoem o termo, mas é o mais próximo da realidade) que apenas nos imbeciliza?

Tampouco simpatizo com quem tem graves deficiências educacionais e se mostra contente com isso e apto a decidir os rumos do país.

Aliás, vale lembrar, o Narloch, o grande gênio do voto consciente, é editor da revista pseudo-científica Superinteressante, trabalhou na Veja e possivelmente não lê o que publica sobre história na “Aventuras na História”. Ou se lê, não aprende. Não nota que seu ódio contra os “ignorantes” beira o ódio de certos elementos que, daí, passaram ao puro e simples extermínio.

Aliás, a referência educacional claramente faz alusão ao Lula, ao melhor presidente que o país teve em sua história (não que tenha sido, por isto, maravilhoso, claro). A direita ainda não aceita o fato de que um PhD como FHC tenha sido um lixo e que Lula representa um Brasil moderno e respeitado internacionalmente.

Todo o ódio se limita a isto, ao fato de que um cara que veio da pobreza e nunca fez seu doutorado e tampouco pertença ao seleto clube da elite racista do Jardins/Leblon. O ciclo foi quebrado. Collor não era do grupo e logo sofreu um impedimento, não quis dividir o butim, já Lula, meu deus, ele veio da merda, ele era um sindicalista, ele não faz parte do nosso grupo! Intolerável!

São sujeitos que não se dão conta de contradições básicas de raciocínio: são a favor do corte de impostos e do aumento dos gastos do Estado; reprovam o aborto, mas acham que as mulheres que tentam interromper a gravidez não devem ser presas; são contra a privatização, mas não largam o terceiro celular dos últimos dois anos. “Olha, hum… tem até câmera!”.

O ódio de classe e o ódio contra a origem e a história de um nordestino pobre fica, então, escancarado. Este é o problema principal. O povo votou num “ignorante” e a elite não tolera ser desrespeitada, não tolera que passem por cima das suas decisões.

Vejam o raciocínio: “Globo, Folha, Veja, Abril, todos fizeram, junto com a elite, campanha pro Serra. Então como é possível que este povo ignorante tenha escolhido a Dilma! Oras, eles são analfabetos e pobres, não lêem a revista! Então vamos logo atacá-los, mostrar sua inferioridade, lamber nossas feridas atacando, porque nós é que somos inteligentes, letrados, estudados! Nós é que temos de governar este país!”

Mude algumas palavras, mas a idéia permanecerá a mesma. A direita está saindo do armário. A mídia ainda se esconde, se faz de imparcial, mas vários indivíduos-chave começam a se mostrar, a assumir seu racismo e preconceito. Esta elite que vê o mundo preto no branco e não cinza, contraditório, complicado.

Afinal, no poder, fecham os olhos para as classes baixas e governam para si. “Porque descriminalizar o aborto se só pobre morre? Afinal, nossas mulheres, brancas, ricas, podem pagar clínicas e não sofrem nada. Porque aumentar o gasto do governo com programas sociais se a elite não precisa? Ou mesmo os impostos, porque reduzir a carga para os mais pobres se isto significa aumentar a nossa, a dos ricos?”

A direita, a elite, tem um raciocínio linear, não consegue concatenar as idéias, pensamento complexo? Sem chance! Podem até estudar o conceito na universidade, mas a prática é diferente. Sabem usar a palavra, é bonita, “c-o-n-t-r-a-d-i-ç-ã-o”, mas usar, aplicar à realidade…

Aliás, devem estar apavorados, hoje tem mais pobres na universidade que ricos! Como então irão agora chamar os pobres de burros e ignorantes?

Para gente assim, a vergonha é uma característica redentora; o orgulho é patético. Abster-se do voto, como fizeram cerca de 20% de brasileiros, é, nesse caso, um requisito ético. Também seria ótimo não precisar conviver com os 30% de eleitores que, segundo o Datafolha, não se lembravam, duas semanas depois da eleição, em quem tinham votado para deputado.

Admito ser dificil ler e comentar parte-a-parte o texto desta figura grotesca, mas é necessário. Precisa ser denunciado, demolido. O bom é que, debaixo d todo este ódio, apenas grassa ignorância, conceitos deturpados ou mesmo um raciocínio tão rasteiro que até envergonha. Sob o perigo de cair na Lei de Godwin, Hitler ao menos sabia discursar. Mussolini tinha estilo. A direita brasileira é apenas patética.

O orgulho é patético. O orgulho daquele pobre que hoje vai à universidade que, mesmo sendo uma Uninove ou uma Uniban, ainda é motivo de orgulho, por ser alguma coisa melhor que a submissão à casta dominante, daquele outro miserável que saiu de lá e pode ter um telefone – mesmo pagando as taxas mais caras do mundo.

Mas, lembrem-se, pela cartilha da direita brasileira, privatizar é bom! Nossa direita é entreguista, sem um pingo de patriotismo ou respeito pelo país, sonha em morar em Miami para não se misturar.

Estes 30% de eleitores que não se lembram do voto são o que? Pobres ignorantes ou apenas uma imensa parcela da população que, independentemente de classe social, não se vê representada pelos políticos eleitos ou não vê na política representativa uma saída ou solução para seus problemas?

Não estou disposto a adotar uma postura relativista e entender esses indivíduos. Prefiro discriminá-los. Eu tenho preconceito contra quem adere ao “rouba, mas faz”, sejam esses feitos grandes obras urbanas ou conquistas econômicas.

E isto é problema do desiludido ou é um problema da formação política e social brasileira e do trabalho de imbecilização midiática? Imbecilização esta, aliás, patrocinada por que usa o espaço na mídia para destilar ódio e preconceito.

Mas o caro Narloch subestima o povo. Chama-o de imbecil, de idiota, de inferior… É o último estágio dos fascistas brasileiros, impotentes frente à vitória de Dilma. Se o governo será bom ou ruim, difícil saber, mas é herdeiro de um governo cujo presidente ultrapassa os 80% de aprovação e em que nem a direita mais odiosa consegue demonizar ou, se o faz, não consegue fazer ressoar pela sociedade.

Discriminar é aquele estágio final em que viram que seu poder de fogo é quase zero, que seus diplomas – por enquanto, os “ignorantes” estão chegando! – não valem de nada, não mudam a balança eleitoral. É melhor, então, apenas admitir que tem horror a pobre, a cheiro de pobre e viver com isso.

Conquistas econômicas só para a elite. Pobre não pode ter dinheiro! Absurdo! Reforma urbana, casas para sem-teto e população de baixa renda, urbanização de favelas, todas obras que merecem repúdio. Obra boa mesmo é aquela patrocinada pelo Kassab, sanitarista, higienista, que tire os pobres sujos do caminho e deixe a elite andar em paz.

Referência ao Mensalão, talvez? Ao caixa dois que, de fato existiu, mas começou em minas com o PSDB e é praticado por TODOS os partidos com exceção de poucos como o PSOL? Não é justificável, mas condenar um em detrimento de outros é atitude tão burra quanto.

Contra quem se vale de um marketing da pobreza e culpa os outros (geralmente as potências mundiais, os “coronéis”, os grandes empresários) por seus problemas. Como é preciso conviver com opiniões diferentes, eu faço um tremendo esforço para não prejulgar quem ainda defende Cuba e acredita em mitos marxistas que tornariam possível a existência de um “candidato dos pobres” contra um “candidato dos ricos”.

“Marketing da pobreza”, adorei! Vai ver que as crianças pedindo esmola no sinal, ou as favelas – pegando fogo – ou mesmo os indigentes dormindo nas calçadas sejam só intriga da situação. É marketing. Querer tirar estes da miséria? Marketing.

Mas, realmente, terrível culpa os “outros”. Culpar as potências mundiais que, com seus acordos e organizações perpetuam a pobreza ao impor concertos econômicos esdrúxulos aos países pobres? Absurdo!

Clpar os coronéis que mantiveram – e ainda mantém – os pobres das cidades mais desgraçadas (no sentido de pobres, por favor) na mais completa miséria e ignorância? Jamais!

Oras, vejam que disparate, culpar os empresários, só porque estes formam cartéis, aprovam o monopólio, praticam uma mais-valia assustadora, escravizam trabalhadores e se recusam a reconhecer os direitos sociais e trabalhistas de seus funcionários? Inaceitável! Acusação vil!

A referência à Cuba é a cereja do bolo. Sempre. É a Lei de Godwin da direita. Ou a Lei de Fidel. Sempre que uma discussão com a direita esquentar, eles apelarão pra Cuba. Não importa que críticas faça a própria esquerda à Cuba, nem o embargo, nem os sucessos, é sempre a saída final, aquilo que acaba com a discussão – para eles.

Falando nesta direita acéfala, não é de surpreender que o artigo tenha sido publicado pela Folha (acesso restrito) e logo depois re-postado pelo Augusto Nunes, o cão de guarda da Veja que foi humilhado pelo Zé Dirceu no Roda viva (vale à pena assistir), que demonstra a cada post o nível (ou a falta) da atual direita brasileira. Ressentida, acuada, sem argumentos e em franco desespero.

A direita brasileira é tão burra que sequer sabe aproveitar o fato de boa parte da população ser conservadora. Partem logo para a agressão, afastando os mais moderados  e virando mero motivo de piada.

Vejam, apenas de passagem, a argumentação usada por este Augusto Nunes para criticar o Ministro Celso Amorim, apenas o maior ministro de Relações Exteriores desde Rio Branco:

Nenhum país merece, pensei na poltrona logo atrás. Amorim lembrava um pintassilgo com frio. E então tive de resistir bravamente à tentação que sempre assaltava Nelson Rodrigues quando topava com o cronista Carlinhos Oliveira, pequeno e franzino, nas ruas do Rio.

Nunes chama o nosso ministro de “passarinho”, critica o formato de seu corpo e diz que “nenhum país merece”. Realmente, saudades do Ministro Lafer, que humilhava o país retirando o sapato nos aeroportos dos EUA. Mas é desta subserviência que nossa elite gosta!

De fato não podemos falar, nas ultimas eleições, em apenas um candidato dos ricos e dos pobres. Mas podemos com segurança falar do candidato da criminalização, da mentira e da farsa, do sanitarismo, da violência, da barbárie, da intolerância e do atraso. Serra e Marina disputam as classificações.

Afinal, se há alguma receita testada e aprovada contra a pobreza, uma feliz receita que salvou milhões de pessoas da miséria nas últimas décadas, é aquela que considera a melhor ajuda aos pobres a atitude de facilitar a vida dos criadores de riqueza.

Já sei, aquela receita neoliberal aplicada por FHC que tirou os pobres….. hmmmm, não, não tiro não, só os afundou no buraco. Ou talvez aquela, também neoliberal, que resgatou a Argentina… opa, também não. A Argentina faliu… Ou a do FMI pra Coréia do Sul! Ah essa… eita, também não, a Coréia do Sul se recusou a seguir o FMI, por isso cresceu….

É o caso do Chile e de Cingapura, onde a abertura da economia e a extinção de taxas e impostos fizeram bem tanto aos ricos quanto aos pobres. Não é o caso da Venezuela e da Bolívia.

Pois é, países com população ínfima comparada ao Brasil… Cingapura nem vale comentar, é um colosso!

Mas, bem, vamos entrar na discussão de ditaduras? Porque o Chile teve de matar mais de 30 mil pra ter o crescimento que o Narloch admira. Cingapura também nunca foi bem ma democracia. Pena que o Brasil “só” matou uns 300 ou 400. Se tivesse matado um milhão, quem sabe?

Mas, realmente, Chile é bom exemplo, a população Mapuche que o diga! Estão em festa.

Já Venezuela e Bolívia, realmente, terrível! Ao invés de caminhar rumo ao consumismo, à noção de acumulação acima de tudo, passaram a impor leis democráticas de respeito aos povos originários, garantiram educação universal a todos, erradicaram o analfabetismo, melhoraram os indicadores sociais….Besteira.

Por fim, eu nutro um declarado e saboroso preconceito contra quem insiste em pregar o orgulho de sua origem. Uma das atitudes mais nobres que alguém pode tomar é negar suas próprias raízes e reavaliá-las com equilíbrio, percebendo o que há nelas de louvável e perverso. Quem precisa de raiz é árvore.

A declaração final da elite racista e entreguista. Dispensa grandes comentários. A declaração em si representa tudo aquilo de mais repudiável, de uma elite disposta a abrir mão da história do país, a negar sua origem.

Que vendam tudo, que matem todos, mas a elite permanecerá. O resto é resto.

Este artigo da/na não vem do nada, mas é reflexo e uma campanha suja em que a direita mais racista, os fascistas dormentes, despertaram e ganharam a mídia. Mayara Petruso, Leandro Narloch, Augusto Nunes e tantos outros são apenas o reflexo do nível do debate político nacional, em que a mídia e a direita, completamente desesperados e esvaziados de idéias, partem para os ataques mais toscos e absurdos, criando e perpetuando ódio, preconceito e racismo

Read more: http://tsavkko.blogspot.com/2010/11/odio-pos-eleitoral-folha-leandro.html#ixzz154nzKrW3

Reprodução do brasilianas.org

Enviado por luisnassif, qua, 10/11/2010 – 14:35

Por J.Roberto Militão

NASSIF,

Não poderia deixar de trazer a opinião do nonagenário Abdias a essa questão do racismo de Lobato impregnado na literatura infantil: a questão proposta não é de censura. A questão que merece reflexão é e se cabe ao estado, que tem na constituição o repúdio ao racismo, financiar e entregar o conhecimento e o incentivo subliminar da ideologia racista a que era filiado de carteirinha o grande escritor destinado a nossas crianças, futuros dirigentes nacionais.

Como LOBATO foi filiado a Associação Paulista de Eugenia, portanto, não fazia segrego de suas convicções. É correto defende-las, ou as ignorar, no contexto de hoje? É possível dizer que uma literatura infantil não produz efeitos nos seus leitores?

Aos debates.

Ao Excelentíssimo Senhor

Fernando Haddad

Ministro de Estado da Educação

Aos Excelentíssimos Senhores

Integrantes do Conselho Nacional de Educação

Brasília, DF

Ref: Parecer 15/ 2010 aprovado pela Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação.

Senhor Ministro;

Senhores integrantes do Conselho Nacional de Educação:

O parecer 15/2010 da Professora Doutora Nilma Lino Guedes, aprovada pela Câmara de Educação Básica do CNE, não sugere veto nem censura ao livro em questão. Trata-se da apresentação oficial ou não, com o endosso do Estado Brasileiro, do livro Caçadas de Pedrinho de Monteiro Lobato como leitura para crianças em sala de aula.

Não está em questão a qualidade literária da obra nem o engajamento do autor nas causas nacionalistas. O fato é que ele compartilhava as noções de superioridade e de inferioridade raciais predominantes em sua época, e essas noções estão explícitas em diversas passagens de seus livros infantis. No livro em questão, a personagem Tia Nastácia figura como “negra beiçuda” e como “macaca de carvão” que sobe em árvores.

O foco da análise do parecer está correto: o efeito que esse tipo de linguagem exerce sobre a personalidade em formação de crianças negras e de crianças brancas. A repetição de tais epítetos é constante na experiência escolar. Igualmente constantes são as referências negativas à cor negra e aos negros, costumeiramente desconsideradas pelos professores como “só uma brincadeira”. O acúmulo desses aparentemente pequenos incidentes favorece tornar as crianças negras os alvos preferenciais do bullying – novo nome de uma antiga prática a que gerações de negrinhas e de negrinhos vêm sendo submetidos desde sempre nas escolas brasileiras.

http://www.ipeafro.org.br/taober-admin/fotos/2010,11,09-71c6e.pdf

José Roberto F. Militão, adv., membro efetivo da Comissão de Assuntos AntiDiscriminatórios – CONAD-OAB/SP;

 

novembro 7th, 2010 by mariafro

Por: Regina Helena Alves da Silva, na Carta Capital
30 de outubro de 2010

Depois das semanas finais do primeiro turno das eleições presidenciais, quando vimos uma intensa produção e divulgação de vídeos no YouTube que compunham o cenário de divulgação de temas polêmicos com tom religioso como foco principal da campanha, agora temos novas ações na internet.

O momento que ficou conhecido como “bolinhagate” mostrou novamente a imensa batalha de imagens em nome de uma pretensa “verdade” que estas eleições trouxeram. Inicialmente temos uma reportagem no Jornal Nacional da Rede Globo, onde as imagens de um cinegrafista mostram cenas que foram interpretadas como uma grave agressão ao candidato José Serra. A reportagem acompanhava o candidato em uma caminhada em uma região da cidade do Rio de Janeiro. Em meio a um tumulto de pessoas andando em torno de José Serra, vemos cenas de pessoas com bandeiras vermelhas do PT e bandeiras com o nome da candidata Dilma Rousseff. As imagens mostram momentos de tensão entre as duas correntes de apoiadores. De repente vemos uma pequena bolinha de papel atravessar nossa tela e atingir a cabeça de José Serra. Ele passa a mão na cabeça e continua a andar. As cenas mostradas apresentam apenas uma bolinha de papel atingindo a cabeça do candidato, mas uma voz em off diz que, momentos depois, o candidato foi atingido por um objeto e teve que recorrer a um socorro médico.

No dia seguinte na internet estava postada e com grande número de acessos uma reportagem do SBT “desmentindo” essa versão dos fatos e apresentando uma outra. Agora tínhamos imagens mostrando que o candidato foi atingido apenas pela bolinha e nas cenas seguintes não havia nada que comprovasse qualquer outra ação com relação a objetos atirados rumo ao candidato.

A reação veio logo depois, quando a Rede Globo mais uma vez diz que não tinha todas as imagens porque seu cinegrafista estava acompanhando outros acontecimentos em torno da caminhada do candidato. Mas a Globo conseguiu imagens de um repórter da Folha de São Paulo feitas com um celular. Assim passamos a assistir a uma edição de imagens entre as feitas pela Globo que foram coladas as registradas pelo celular do repórter da Folha. Nesta edição, aparece em imagens de baixa definição algo enevoado perto da cabeça do candidato. Neste momento a reportagem da Globo lança mão de seu perito para casos polêmicos, Ricardo Molina. Molina confirma “com certeza” que o candidato havia sido atingido por um objeto “transparente”.

Assim a Globo esperava ter restabelecido a “verdade” dos fatos: um discurso técnico autorizado afirmava que existia um objeto e mesmo que não conseguíssemos vê-lo na imagem um perito nos afirmava que não podíamos ver nada porque o objeto era transparente.

Pouco tempo depois a internet já mostrava outra versão: a decodificação da montagem feita pela Globo nos mostrava como as imagens tinham sido “cortadas e coladas” de forma a nos mostrar algo transparente atingindo a cabeça do candidato. Com todos os detalhes alguém que não sabemos quem é mostrava como foi feita a edição falsa pelo Jornal Nacional.

A partir daí o assunto sumiu dos jornais televisivos e a batalha de imagens permaneceu na internet com apoiadores de Serra usando a segunda edição do Jornal Nacional para desqualificar a reportagem do SBT e os apoiadores de Dilma usando a desconstrução da edição da Globo para mostrar como a candidatura Dilma tem sido atacada por determinados órgãos de imprensa e reafirmar que a baixaria vem da campanha de José Serra.

Ainda no calor da batalha das imagens do “bolinhagate” começam a sair pesquisas de intenção de votos apontando o inicio da subida da candidata Dilma Rousseff e as pesquisas mostrando um aumento na popularidade do presidente Lula.

Toda a polêmica em torno da edição dessas imagens acabou por deixar em segundo plano a intenção por detrás da construção deste fato: o reforço nas tentativas de demonização dos militantes petistas. Como não tem sido eficaz atacar toda a candidatura Dilma, passaram a distinguir agora os apoiadores do partido da candidata. É acionado com o “bolinhagate” o eterno medo dos petistas tantas vezes usando nas campanhas de Lula.

O medo passa a ser disseminado em vídeos que satanizam o PT e essas imagens se ligam a propaganda eleitoral na televisão, onde a campanha de José Serra edita imagens de confrontos entre militantes em greves e campanhas políticas. A encenação da bolinha é apenas para trazer à tona a pretensa agressividade, raiva e violência dos petistas.

Aparecem na televisão e no YouTube cenas editadas colocando alguns momentos onde militantes excederam em campanhas junto com cenas de manifestações grevistas formando uma sequência cenográfica atemporal, nas quais a violência é a tonica da atuação política dos militantes petistas.

Durante esta campanha centenas de vídeos foram postados no You Tube como forma de propagar uma campanha de demonização do PT. Um mesmo canal – “Brasil dos Brasileiros” – postou em um dia 6 vídeos com mensagens sobre o perigo do PT. Desde um vídeo que mostra uma maquete branca da esplanada dos ministérios com o Palácio do Planalto e o congresso federal sendo pintados com uma tinta vermelha que escorre como sangue até uma figura masculina com a faixa presidencial segurando seis cães rottweilers nas mãos. Esse último vídeo faz a distinção entre Lula e Dilma. Uma voz em off diz que Lula em seu governo conseguiu conter a ferocidade dos petistas, mas termina a cena com uma pergunta: “se Dilma for eleita, ela conseguirá o mesmo?”. Neste momento as mãos soltam os cães e eles avançam no espectador.

Enquanto a polêmica da bolinha de papel mostrou como podemos editar verdades e tentar impor a idéia do BEM contra o MAL, vemos agora surgir com força total o sequestro final da história.

Voltam a ser disseminadas imagens de punhos erguidos nos moldes dos desenhos do realismo soviético com sangue escorrendo acompanhadas de uma voz em off dizendo de como os comunistas enganaram os russos primeiro oferecendo soluções para a miséria e a pobreza e depois com Stalin dominaram a todos e passaram a perseguir, torturar e matar os inimigos. Os petistas, os vermelhos, são estes que enganam a todos em um primeiro momento e depois mostram sua ferocidade e violência. É neste momento que a campanha de José Serra na internet busca seu caminho final, que é a transformação da adversária em uma pessoa perigosa que trata a todos como inimigos.

Assim é reacendida na cena pública o eterno medo dos brasileiros àquilo que não entendem e que nunca pode ser discutido: o período da ditadura militar. Dilma passa a ser a perigosa guerrilheira assassina e assaltante de bancos que lançara o país em uma ditadura pior que a stalinista.

A campanha de José Serra finaliza nosso período eleitoral com dois vídeos-força: um onde a ditadura aparece como vitima, vitima de uma mulher que espalhou corpos de militares mortos. O vídeo é acompanhado por uma enxurrada de e-mails com termos como

“a senhora e seus comparsas queriam implantar o regime de Cuba no Brasil e estes que estão aí , mortos pelo seu bando , foram alguns dos obstáculos que impediram que alcançasse o seu objetivo de implantar uma DITADURA COMUNISTA NO BRASIL.”

A ditadura militar passa a ser corporificada nesses homens que foram “traídos” por uma mulher que, esta sim, queria uma ditadura.

Assim o passado passa a ser um momento de alerta e a campanha de José Serra apresenta uma nova versão da história: tivemos um “período militar” onde alguns homens se sacrificaram para que uma mulher perigosa não tomasse o poder e transformasse nosso país em uma…. ditadura.

Como ações deste tipo não reverteram as intenções de votos e as pesquisas continuam mostrando o aumento das intenções de voto em Dilma Rousseff, a campanha de José Serra passa a tentar construir nosso futuro.

Postaram e estão disseminando agora um vídeo onde editam o que vai acontecer, uma construção em tons de documentário e referências ao filme 2012- O Ano da Profecia, onde arquitetam a figura de José Serra como o salvador do Brasil após o caos que se instalará com a eleição de uma mulher como Dilma.

As cenas apresentam o argumento de que como ela é a mãe dos dossiês esta será sua primeira ação como presidenta: preparar dossiês para perseguir os apoiadores do candidato derrotado. Perseguido mais uma vez, Serra foge do país e vai se exilar nos EUA. O Brasil vai se transformando lentamente em um país conflagrado e em uma ditadura comandada pela mulher-presidente. Em pouco tempo Lula se volta contra Dilma e comanda a oposição e depois de uma “guerra civil” na qual os parlamentares conseguem destituir Dilma do poder aparece a cena final com a volta do redentor da nação: José Serra desce do avião que o traz de volta ao Brasil e todos agora poderão se redimir do erro de ter votado em Dilma Rousseff.

Assim, depois de reeditar nosso passado colocando uma mulher como responsável pelo mal em um período tenebroso de nossa história que a campanha de Serra chama de “período militar” apontam um futuro de rompimento da nação insuflado por esta mesma mulher.

Nesta “arquitetura da destruição” da historia brasileira a campanha de José Serra usa os mesmos elementos de sempre: a demonização da figura feminina como a grande responsável pela perda do paraíso na terra, como a mãe assassina de seus filhos ainda fetos, como a que sempre trai, como a que a engana e envolve o homem, como aquela que pode nos colocar uns contra os outros.

Como na propaganda nazista, tanto do período de Hitler na Alemanha como o de Bush nos EUA, é importante sempre buscar elementos nos nossos medos mais escondidos e os potencializar até os limites do terror. A campanha de Serra, é claro, não consegue ainda este tipo de acionamento apenas demonizando a figura da mulher Dilma, mas o que se pretende não é mais o presente. O que se pretende agora é plantar um futuro onde o passado arquitetado por esta campanha possa fazer sentido e assim mais uma vez teremos constituída a figura do salvador da pátria que esteve tão perto de nós, mas não conseguimos compreendê-la.

Neste sequestro da história promovido pela campanha de José Serra os inimigos não são só a mulher que agora decide pelo seu corpo, a mulher que “não foge a luta”, mas também os homossexuais que “destroem a família”, os negros que “querem o privilegio da universidade a todo preço”, os pobres “que são vagabundos e vivem as custas do Estado”, enfim esses e muitos outros que já foram chamados de minorias e lutaram por seus direitos neste país.

O alvo principal da campanha de José Serra na internet foi sempre este: os direitos humanos. É isso que o incomoda, é a confirmação de nossos direitos que “atrapalha” o país. É assim que as conquistas da população brasileira são vistas nos vídeos veiculados por esta campanha na internet. Em um destes vídeos aparece uma figura masculina, vestida de padre gritando: “querem transformar crime em direito”.

Esta é uma cena-síntese do que esta campanha espalhou em suas ondas virtuais: os direitos humanos como o que nos levará ao inferno. Esta é a grande proposta de José Serra agora consolidada por sua fala em um encontro de pastores evangélicos (que pode ser encontrada no YouTube): nós não temos direito a ter direitos. Porque ter direito é um crime.

Do sequestro da história com a construção fascista do passado e do futuro, a campanha de José Serra nos legou as imagens virtuais de um presente assustador.

*Regina Helena Alves da Silva é professora do departamento de História da Universidade Federal de Minas Gerais

FELIPE BÄCHTOLD
DE SÃO PAULO

Uma ação da Polícia Civil do Rio Grande do Sul encontrou nesta sexta-feira em Porto Alegre um depósito com material de apologia ao neonazismo, incluindo um vídeo com ameaças ao senador Paulo Paim (PT-RS). Ninguém foi preso.

Segundo a polícia, havia CDs, livros, panfletos, revistas, bonés e camisetas de propaganda neonazista, de discriminação a minorias.

O delegado Paulo César Jardim, do Grupo de Combate ao Neonazismo, diz que os donos do material já foram identificados e estão sendo procurados.

De acordo com o policial, os integrantes do grupo são jovens, incluindo estudantes de classe média, de ideologia ‘hitlerista’.

Jardim diz que, com a ação, a polícia desarticulou uma ‘célula’ do movimento na cidade. Outras operações, afirma, já evitaram ações violentas.

SUL

Os neonazistas do Estado, diz a polícia, têm ligações com grupos de outras partes do país, como Santa Catarina, Paraná e São Paulo.

O Grupo de Combate ao Neonazismo atua no Rio Grande do Sul há oito anos e, segundo Jardim, é o único do tipo no Brasil.

O delegado diz que o Estado tem um histórico de ocorrências do tipo. ‘O partido nazista já existiu e foi tolerado no Rio Grande do Sul. Tivemos colonizações étnicas alemã e italiana’, falou.

O senador Paulo Paim, em nota, afirmou que não vai se ‘intimidar’ com a ameaça nem exigir segurança pessoal.

Fonte: folha.com